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Defensoria do Acre aciona Justiça contra reajuste em passagens aéreas para cidades isoladas

Defensoria do Acre aciona Justiça contra reajuste em passagens aéreas para cidades isoladas

Defensoria do Acre aciona Justiça contra reajuste em passagens aéreas para cidades isoladas

A Defensoria Pública do Estado do Acre entrou com uma Ação Civil Pública para contestar os aumentos de até 50% nas tarifas de voos para cidades remotas do interior do Acre. O processo, movido pelo Núcleo de Promoção e Defesa do Consumidor (Nudecon) contra a empresa Ortiz Táxi Aéreo, busca a suspensão imediata dos preços que estão em vigor desde 13 de abril e a volta imediata da tabela anterior.

Os trechos em questão atendem Jordão, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter e Santa Rosa do Purus, locais que não têm conexão por estradas com a capital, Rio Branco, nem entre si. Nessas áreas, a viagem por rios pode durar de 2 a 14 dias, tornando o transporte aéreo a opção mais rápida para acesso a serviços médicos, trabalho, procedimentos judiciais e reuniões familiares.

O processo é decorrente de uma investigação iniciada em abril. Naquela ocasião, a Defensoria solicitou à empresa o envio de planilhas financeiras, histórico de tarifas dos últimos 24 meses e notas de custos operacionais. Em resposta, a empresa apresentou uma simulação técnica de custos, sem incluir os relatórios financeiros e fiscais solicitados, o que, segundo a instituição, dificulta a verificação da necessidade do aumento nos valores estabelecidos.

A ação também argumenta que a nova tabela entrou em vigor sem aviso prévio adequado à população. A Defensoria destaca que a liberdade de preços na aviação não anula o Código de Defesa do Consumidor nem justifica cobranças consideradas abusivas em regiões sem opções de transporte concorrentes.

A contestação jurídica também aborda os impactos sobre o Programa Integra Acre, uma política pública do governo estadual que oferece subsídio de 50% no valor das passagens para pessoas cadastradas no Cadastro Único com renda de até meio salário mínimo. Com base nas tarifas médias de mercado, o aumento nos bilhetes eleva os custos assumidos pelo Estado, podendo prejudicar o alcance social da medida.

Além de solicitar a suspensão dos preços, a Defensoria requer que futuros aumentos sejam baseados em variações comprovadas de custos, documentadas por relatórios financeiros, e precedidos por uma comunicação pública com pelo menos 30 dias de antecedência.

O documento também pede a devolução dos valores pagos a mais pelos passageiros, caso o aumento seja considerado abusivo, e o pagamento de R$ 500 mil como compensação por danos sociais, sugerindo que os recursos sejam destinados ao próprio programa de mobilidade ou a projetos relacionados no estado.

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