Lula defende recriar Ministério da Segurança Pública
Lula ao lado de Eduardo Paes, Janja da Silva e crianças no ato de campanha no Rio de Janeiro. Foto: Reprodução
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, prometeu neste sábado (22) retirar facções criminosas de territórios do Rio de Janeiro e devolver essas áreas à população sem “matar 100 ou 200”. Durante um comício no estádio do Bangu, na Zona Oeste da capital, ele também defendeu a recriação do Ministério da Segurança Pública. Com informações de g1.
“Nós vamos tirar os bandidos do território de vocês. E vamos devolver o território para o povo do Rio de Janeiro. Não vamos fazer Carnaval, pirotecnia, matar 100 ou 200 [criminosos]. Nós vamos prendê-los. Vamos falar: a vila é do povo, a escola é do povo, a padaria é do povo. Não é dos bandidos. Isso vamos fazer”, afirmou Lula.
O presidente condicionou a recriação do ministério ao avanço da PEC da Segurança Pública, enviada por seu governo ao Congresso. A proposta já passou pela Câmara e aguarda análise do Senado. Lula disse que, se o texto entrar em vigor, também ampliará a preparação da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal. Atualmente, os governos estaduais concentram a execução direta do policiamento.
A declaração ocorre após uma operação das forças de segurança do Rio nos complexos do Alemão e da Penha deixar mais de 120 mortos em outubro, tornando-se a ação policial mais letal da história do estado. Pesquisas de opinião apontam avaliação negativa do governo federal na segurança, tema explorado pelo adversário Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante a campanha.
O comício reuniu candidatos apoiados por Lula no estado, entre eles Eduardo Paes (PSD), que disputa o governo fluminense, e Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD), candidatos ao Senado. Lula também criticou Flávio Bolsonaro ao afirmar que os eleitores terão de escolher entre o atual presidente e um candidato que “quer vender praias”, em referência à PEC relatada pelo senador sobre terrenos de marinha. Flávio nega que a proposta pretenda privatizar o acesso às praias.
Educação, defesa e minerais críticos entram nas propostas
Lula prometeu implementar o ensino em tempo integral em todas as escolas públicas e construir novos institutos federais. “Quando cheguei na Presidência em 2003, esse país tinha menos de 5 milhões de pessoas no mercado de trabalho com diploma universitário. Hoje, já são 25 milhões e quero chegar a 50 milhões”, disse. Ele também afirmou que prefere ampliar os gastos com escolas a destinar mais recursos ao sistema prisional.
Na área de defesa, o presidente defendeu a recuperação da indústria nacional e novos investimentos para ampliar a capacidade do país. Ao citar as demonstrações de poder militar dos presidentes Vladimir Putin, da Rússia, e Donald Trump, dos Estados Unidos, Lula declarou: “Eu vou investir em Defesa, vamos ter indústria forte. A gente não quer guerra, mas a gente quer dizer: ‘Não se meta com nós’”.
Lula também abordou a disputa entre Estados Unidos e China por terras raras e minerais críticos, recursos usados em veículos elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos e equipamentos de defesa. O presidente afirmou que empresas e governos interessados nas reservas brasileiras precisarão contribuir para o desenvolvimento de tecnologia no país: “Eu não tenho preferência, eu tenho preferência por todos eles, mas eu sou brasileiro e quem quiser construir parceria que venha para cá”.