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André Fufuca (PP): o ex-ministro de Lula que foi protegido de Cunha e agora mira o Senado

André Fufuca (PP): o ex-ministro de Lula que foi protegido de Cunha e agora mira o Senado

André Fufuca (PP): o ex-ministro de Lula que foi protegido de Cunha e agora mira o Senado

O Maranhão vive um momento decisivo nas eleições de 2026. Para ajudar você, eleitor, a escolher com consciência, O Ludovico publica a terceira matéria da série de investigação sobre os candidatos ao Senado. Hoje é a vez de André Fufuca (PP), deputado federal desde 2015, ex-ministro do Esporte do governo Lula e candidato a uma vaga no Senado Federal. São 37 anos de vida, três mandatos na Câmara e uma trajetória marcada por ascensão meteórica, proteção de figurões da política e sombras do passado. Confira o raio-X completo.

Quem é André Fufuca

André Luiz Carvalho Ribeiro nasceu em Santa Inês, no interior do Maranhão, em 27 de agosto de 1989. Filho de Fufuca Dantas, ex-prefeito de Alto Alegre do Pindaré, cresceu em ambiente político. Formou-se em medicina — conseguiu concluir o curso enquanto já exercia mandato — e hoje é o principal nome do Progressistas (PP) no estado para a disputa ao Senado.

Aos 21 anos, em 2010, foi eleito deputado estadual pelo PSDB com 32.628 votos, tornando-se o parlamentar estadual mais jovem do Brasil naquele ano. Durante o mandato na Assembleia Legislativa do Maranhão, presidiu as comissões de Assuntos Municipais e de Saúde. Em 2014, migrou para o PEN (hoje Patriota) e conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados com 56.879 votos. Em 2016, filiou-se ao PP, partido pelo qual foi reeleito em 2018 (105.583 votos) e 2022 (135.078 votos).

Entre setembro de 2023 e março de 2026, foi ministro do Esporte do governo Lula, substituindo a ex-jogadora de vôlei Ana Moser. Sua indicação foi uma costura política do PP para garantir base de apoio ao governo no Congresso. Deixou o ministério em 31 de março de 2026 para disputar o Senado na chapa de Eduardo Braide (PSD) ao governo do Maranhão.

Deputado federal André Fufuca (PP-MA), candidato ao Senado em 2026
Deputado federal André Fufuca (PP-MA) (Foto: Anderson Riedel / Wikimedia Commons / CC BY 2.0)

O protegido de Eduardo Cunha

Se há um fio condutor na trajetória de André Fufuca em Brasília, ele se chama Eduardo Cunha. O ex-presidente da Câmara, condenado e preso por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, foi o padrinho político de Fufuca no primeiro mandato federal.

Em junho de 2016, no auge da crise que levou ao impeachment de Dilma Rousseff, Fufuca votou contra a cassação de Eduardo Cunha no Conselho de Ética da Câmara — um gesto de lealdade que chamou atenção. Mas o que veio a público depois foi mais grave.

Em 2016, o portal UOL revelou que Fufuca realizava pagamentos regulares à empresa da filha de Eduardo Cunha, em valores superiores a R$ 90 mil. A informação levantou suspeitas sobre a natureza da relação entre o então deputado estreante e o todo-poderoso presidente da Câmara. Cunha foi cassado em setembro de 2016 e preso em 2017, condenado a mais de 24 anos de prisão nos desdobramentos da Lava Jato.

Impeachment, Temer e a direita conservadora

André Fufuca construiu sua trajetória nacional alinhado aos governos Temer e Bolsonaro antes de se tornar ministro de Lula. Em 17 de abril de 2016, votou a favor da abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Em agosto de 2017, votou contra a abertura de investigação contra o então presidente Michel Temer, ajudando a arquivar a denúncia do Ministério Público Federal contra o peemedebista.

Votou a favor da PEC do Teto dos Gastos Públicos (2016) e da Reforma Trabalhista (2017), duas bandeiras do governo Temer. Em 2017, foi eleito 2º vice-presidente da Câmara dos Deputados e, em agosto daquele ano, chegou a comandar a Câmara interinamente — aos 28 anos — durante viagem de Michel Temer à China e de Rodrigo Maia ao exercício interino da Presidência.

A versatilidade política de Fufuca é notável: formou-se sob a proteção de Cunha, apoiou Temer, aproximou-se do centrão e, em 2023, aceitou o convite de Lula para ser ministro. Uma trajetória que demonstra pragmatismo acima de convicções ideológicas — característica comum a políticos do chamado baixo clero que ascenderam pelo sistema de coalizão.

Ministro do Esporte: o que fez?

À frente do Ministério do Esporte entre setembro de 2023 e março de 2026, Fufuca comandou a pasta em um período de preparação para as Olimpíadas de Paris 2024 e Los Angeles 2028. Sua gestão foi marcada por continuidade em relação à antecessora Ana Moser, sem grandes escândalos — mas também sem projetos de destaque que tenham marcado o setor.

O principal legado político de sua passagem pelo ministério foi o fortalecimento do PP dentro da base do governo Lula, garantindo emendas e cargos para o partido. Sua saída em março de 2026, para concorrer ao Senado, foi considerada natural dentro do calendário eleitoral.

Patrimônio e divergências

No momento da publicação desta matéria, o sistema DivulgaCand do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda não disponibilizava a declaração de bens atualizada de André Fufuca para a campanha de 2026. Como deputado federal, sua declaração mais recente à Câmara deve ser consultada nos registros públicos da Casa. A evolução patrimonial do candidato — que em 2014 declarava bens compatíveis com um deputado de primeiro mandato — merece atenção, especialmente considerando os oito anos em que esteve em Brasília, o período como ministro e os vínculos com o entorno de Eduardo Cunha.

Os suplentes: quem entra se ele ganhar

Até o fechamento desta edição, os nomes dos suplentes de André Fufuca ainda não haviam sido oficialmente registrados no sistema do TSE para a eleição de 2026. A chapa completa deve ser confirmada nos próximos dias no DivulgaCand. O eleitor precisa ficar atento: os suplentes podem assumir o mandato a qualquer momento e precisam ser tão escrutinados quanto o titular — especialmente em chapas do centrão, onde acordos de coligação frequentemente determinam as indicações.

O cenário eleitoral e a disputa ao Senado

André Fufuca disputa o Senado na chapa de Eduardo Braide (PSD), ex-prefeito de São Luís que concorre ao governo. A aliança PP-PSD une dois pesos políticos de regiões diferentes: Fufuca (base em Santa Inês e região dos Cocais, além do peso como ex-ministro) e Braide (capital e região metropolitana).

Na pesquisa Quaest/TV Mirante de agosto de 2026, Fufuca aparecia com 9% das intenções de voto para o Senado, atrás de Roseana Sarney (MDB, 16%), Weverton Rocha (PDT, 11%) e Lahesio Bonfim (PSC/Novo, 10%). O cenário indica uma disputa fragmentada, na qual cada ponto percentual pode definir a única vaga em jogo.

A campanha de Fufuca aposta em três pilares: o apoio do ex-presidente Lula (de quem foi ministro), a máquina do PP no interior do estado e o eleitorado conservador que aprova seu histórico de votações na Câmara. A contradição, no entanto, é evidente: o mesmo candidato que foi ministro de Lula construiu sua carreira apoiando os governos Temer e votando contra pautas petistas.

Raio-X resumido

Nome completoAndré Luiz Carvalho Ribeiro
Nascimento27/08/1989, Santa Inês (MA), 37 anos
ProfissãoMédico
PartidoPP (Progressistas)
CargosDeputado estadual (2011-2015), deputado federal (2015-presente), ministro do Esporte (2023-2026)
Votações2010: 32.628 (dep. estadual) / 2014: 56.879 / 2018: 105.583 / 2022: 135.078
PaiFufuca Dantas, ex-prefeito de Alto Alegre do Pindaré
Padrinho políticoEduardo Cunha (ex-presidente da Câmara, condenado na Lava Jato)
ControvérsiasPagamentos de R$ 90 mil+ à empresa da filha de Eduardo Cunha; apoio à cassação de Dilma; voto contra investigação de Temer

O que esperar da campanha

A candidatura de André Fufuca ao Senado reflete o momento de realinhamento político no Maranhão. Criado sob a proteção de Eduardo Cunha, aliado de Temer e Bolsonaro, ministro de Lula e agora candidato na chapa de Braide — em menos de dez anos, Fufuca conseguiu estar em todos os palanques. Essa versatilidade pode ser vista como trunfo ou como risco, dependendo de qual eleitorado se pretende conquistar.

O eleitor maranhense terá que decidir se a capacidade de transitar entre os mais diversos espectros políticos é virtude ou sinal de falta de rumo. O histórico de pagamentos à família de Cunha, o voto pelo impeachment de Dilma e a defesa do governo Temer são fatos públicos que merecem ser lembrados na hora da urna.

Fontes consultadas: Wikipedia, Câmara dos Deputados (dados abertos), UOL, O Globo, Poder360, Folha de S.Paulo, Carta Capital, Portal da Transparência, Quaest/TV Mirante, site do TSE.

Na próxima edição da série, apresentaremos o raio-X da candidata Roseana Sarney (MDB), ex-governadora do Maranhão. Não perca.

O Ludovico

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