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Roseana Sarney (MDB): a herdeira política que lidera as pesquisas e carrega um histórico de escândalos

Roseana Sarney (MDB): a herdeira política que lidera as pesquisas e carrega um histórico de escândalos

Roseana Sarney (MDB): a herdeira política que lidera as pesquisas e carrega um histórico de escândalos

Série Investigativa — Candidatos ao Senado pelo Maranhão em 2026

Roseana Macieira Sarney Murad, 73 anos, é muito mais que mais uma candidata ao Senado. Filha do ex-presidente José Sarney, ex-governadora por quatro mandatos, ex-senadora e atualmente deputada federal, ela carrega um dos sobrenomes mais poderosos — e controversos — da política brasileira. E, segundo a mais recente pesquisa Quaest, é a candidata que lidera a corrida ao Senado pelo Maranhão, com 16% das intenções de voto.

Neste quarto perfil da série investigativa que percorre os 11 candidatos ao Senado, O Ludovico mergulha na trajetória de Roseana Sarney: suas origens, seu patrimônio, os escândalos que marcaram sua carreira e o que está em jogo na eleição de 2026.

Quem é Roseana Sarney

Nascida em São Luís em 1º de junho de 1953, Roseana é a filha mais velha do ex-presidente José Sarney e de Marly Sarney. Graduou-se em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília (UnB) e iniciou sua carreira política em 1990, quando foi eleita deputada federal pelo PFL. Quatro anos depois, em 1994, tornou-se a primeira mulher eleita diretamente ao governo do Maranhão, derrotando Epitácio Cafeteira no segundo turno com 50,61% dos votos.

Foi reeleita em 1998 e, depois de perder a eleição de 2006 para Jackson Lago — que teve o mandato cassado pelo TSE em 2009 —, reassumiu o governo estadual. Em 2010, venceu novamente, derrotando Flávio Dino e Jackson Lago, completando quatro mandatos como governadora.

Foi senadora entre 2003 e 2009, licenciando-se para reassumir o governo. Atualmente exerce o cargo de deputada federal, para o qual foi eleita em 2022.

Patrimônio em evolução

Em 2010, Roseana declarou ao TSE um patrimônio pessoal de R$ 7,84 milhões. O valor contrasta com sua trajetória de origem familiar abastada e com as suspeitas que cercam sua família há décadas. A evolução patrimonial da candidata será atualizada com os dados oficiais do DivulgaCand TSE após o registro definitivo da candidatura.

A teia familiar e o poder das comunicações

Roseana é casada com o empresário Jorge Murad Júnior — com quem teve um conturbado período de separação entre 1988 e 1995 — e tem uma filha adotiva, Rafaela. Seus irmãos são o ex-deputado federal Sarney Filho e o empresário Fernando Sarney, presidente da Rede Mirante de Televisão, afiliada da Globo no Maranhão.

A influência da família Sarney no estado se estende a veículos de comunicação: Roseana é sócia de emissoras de rádio — Mirante FM 96,1 (São Luís), Rádio Alecrim (Caxias) e Rádio Verdes Campos (Pinheiro) — e detém participação em empresas de mídia que há décadas moldam a opinião pública maranhense.

Conexões políticas e a disputa de 2026

Na eleição deste ano, Roseana compõe o palanque do candidato a governador Orleans Brandão (MDB), ao lado do senador Weverton Rocha (PDT), também candidato à reeleição. A chapa é apoiada pelo governador Carlos Brandão. O presidente Lula, em uma estratégia de múltiplos palanques, declarou apoio tanto a Eliziane Gama (PT) quanto a Weverton e André Fufuca (PP) — mas não a Roseana, que em 2018 declarou apoio a Jair Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial.

Esse movimento ilustra a complexa engenharia política maranhense: Roseana, que foi líder do governo Lula no Congresso entre 2007 e 2009, rompeu com o PT durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff e apoiou Bolsonaro em 2018. Hoje, no MDB, busca retornar ao Senado após 17 anos.

As sombras do passado: escândalos e investigações

O Caso Lunus (2002)

Em 2002, quando era pré-candidata à Presidência da República pelo PFL, a Polícia Federal apreendeu R$ 1,34 milhão em espécie na sede da empresa Lunus Participações, da qual Roseana era sócia e que era administrada por seu marido, Jorge Murad. O marido apresentou sete versões diferentes para a origem do dinheiro, e o escândalo — que ficou conhecido como “Caso Lunus” — inviabilizou sua candidatura presidencial. Roseana sempre negou irregularidades, e o STF arquivou a investigação por falta de provas de seu envolvimento direto. O caso rompeu a aliança nacional PFL-PSDB.

Contas no exterior e Banco Santos (2010)

Em agosto de 2010, o jornal O Estado de S. Paulo revelou documentos do extinto Banco Santos indicando que Roseana e Jorge Murad teriam simulado um empréstimo de R$ 4,5 milhões para resgatar US$ 1,5 milhão mantidos no exterior. O banco pertencia ao banqueiro Edemar Cid Ferreira, amigo íntimo da família Sarney e padrinho de casamento do casal. Roseana negou as acusações, classificando-as de “fantasiosas”. O MPF pediu investigações.

Denúncias de crimes financeiros internacionais (2011)

Em janeiro de 2011, o executivo suíço Rudolf Elmer entregou à organização Wikileaks dados que supostamente comprovavam operações secretas de Roseana no banco Julius Baer, nas Ilhas do Canal e Ilhas Virgens. Elmer afirmou em livro que a então governadora movimentou US$ 150 milhões no banco entre 1993 e 1999, por meio de um fundo financeiro chamado Coronado Trust.

Fraude em isenções fiscais (2016)

Em novembro de 2016, Roseana foi denunciada pelo Ministério Público do Maranhão, junto com mais dez ex-gestores, por suspeita de causar prejuízo de mais de R$ 410 milhões aos cofres públicos. O esquema envolvia concessão fraudulenta de isenções fiscais pela Secretaria da Fazenda, implantação de filtro no sistema para garantir operações tributárias ilegais e contratação irregular de empresas de TI para perpetuar as práticas criminosas. Segundo a denúncia, Roseana teria autorizado acordos judiciais baseados em pareceres manifestamente ilegais de procuradores por ela nomeados.

Lava Jato (2015)

Em março de 2015, o ministro Teori Zavascki, do STF, autorizou a abertura de investigação contra Roseana no âmbito da Operação Lava Jato. O teor completo da investigação permanece sob sigilo.

Fábrica do Rosário: o projeto que virou ruína

Em 1996, Roseana e o então presidente Fernando Henrique Cardoso inauguraram em Rosário (MA) uma fábrica de camisas que prometia 4.300 empregos. O projeto envolveu R$ 4 milhões do Banco Mundial e R$ 3 milhões do Banco do Nordeste. Em 1998, a fábrica operava em condições precárias, com pendências judiciais e centenas de cooperativados endividados. O empresário responsável foi denunciado pelo MP, e o caso foi parar no STJ. Até hoje, a fábrica existe abandonada, e ex-trabalhadores acumulam dívidas que ultrapassam R$ 100 mil.

Pesquisas e cenário eleitoral

A pesquisa Quaest divulgada em agosto de 2026 mostra Roseana Sarney na liderança da disputa ao Senado, com 16% das intenções de voto, seguida por Weverton Rocha (PDT) com 11%, Lahesio Bonfim (Novo) com 10%, André Fufuca (PP) com 9% e Eliziane Gama (PT) também com 9%. A margem de erro é de 3 pontos percentuais.

Com duas vagas em disputa, Roseana aparece numericamente à frente, mas a diferença para os demais candidatos de ponta está dentro da margem de erro, indicando uma corrida acirrada.

Saúde: 21 cirurgias

Roseana Sarney passou por 21 procedimentos cirúrgicos ao longo da vida, incluindo uma cirurgia para correção de aneurisma cerebral em 2009, realizada no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. O procedimento, que durou quatro horas, ocorreu sem intercorrências.

Panorama geral

Roseana Sarney chega à eleição de 2026 como uma candidata que divide opiniões. De um lado, sua força eleitoral é inegável — o nome Sarney ainda pesa no Maranhão, e ela lidera as pesquisas mesmo após décadas de exposição pública e escândalos. De outro, seu histórico é marcado por investigações, denúncias de corrupção e um patrimônio que sempre gerou questionamentos.

Fontes: Pesquisa Quaest (agosto/2026), Congresso em Foco, Wikipedia, Agência Senado, STF, MPF/PGR, O Estado de S. Paulo, TSE.

Próximo candidato da série: Lahesio Bonfim (Novo) — ex-prefeito de Santa Quitéria.

O Ludovico

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