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Beto Castro vira réu por organização criminosa e lavagem

Beto Castro vira réu por organização criminosa e lavagem

Beto Castro vira réu por organização criminosa e lavagem

O vereador Beto Castro (Avante) virou réu por organização criminosa armada, peculato e lavagem de dinheiro. A Vara Especial Colegiada dos Crimes Organizados (Vecco) aceitou a denúncia do Ministério Público do Maranhão e abriu ação penal contra o parlamentar. A decisão atinge também o ex-vereador Umbelino Júnior e a empresária Raquel Lacerda, esposa de Beto Castro.

Os juízes auxiliares Iran Kurban Filho, Rômulo Lago e Cruz e Leoneide Delfina Barros Amorim assinaram o recebimento da denúncia. O processo tramita sob o número 0874553-26.2023.8.10.0001, e a Justiça determinou a publicização dos autos após questionamentos do portal Atual7.

Operação Benedictio aponta desvio de R$ 9,6 milhões

A ação penal nasce da Operação Benedictio, deflagrada em 15 de junho pelo Gaeco, o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas. A investigação apura o desvio de R$ 9,6 milhões de convênios e emendas parlamentares destinados a projetos sociais em São Luís. Os recursos passariam pelo Instituto Sê Tu Uma Bênção, usado supostamente para amenizar a fome na capital durante a pandemia de Covid-19.

Segundo o Ministério Público, a organização teria quatro núcleos bem definidos. O núcleo institucional ficaria sob o comando de Lucivânia Silva Alves Siqueira, presidente do instituto e apontada como líder do esquema. Ela supostamente captava os recursos públicos por meio da entidade e os direcionava para empresas suspeitas de serem de fachada.

Um núcleo empresarial e contábil movimentaria o dinheiro desviado. Robson de Oliveira Siqueira, José Roberto Santos Cunha, Cristiana Serra Duarte Cunha e Evânia Maria Sousa Nicácio são os nomes citados nesse bloco. Eles operariam com notas fiscais frias e uma contabilidade montada para esconder a origem dos valores.

Núcleo político e repasses a parlamentares

O núcleo político reuniria Beto Castro, Umbelino Júnior e Raquel Lacerda. Os parlamentares supostamente direcionavam emendas e recebiam parte do dinheiro de volta. O rastreamento financeiro identificou repasses de R$ 197 mil a Umbelino e de R$ 188 mil a Raquel, além de R$ 150 mil à Rede de Postos BC, da qual ela é proprietária.

O Gaeco registrou ainda um núcleo armado e de intimidação, ligado à facção PCM, o Primeiro Comando do Maranhão. Josué Santos da Silva, o Gaspar, apareceria como chefe da facção na área, e Evano Hícaro dos Santos Soares seria o encarregado de intimidar testemunhas. Parte do dinheiro desviado supostamente bancava essa estrutura armada.

Os acusados que compõem esse núcleo responderiam apenas por organização criminosa armada. O Ministério Público afirma que a lavagem se daria por pulverização bancária, compra de veículos de luxo em nome de terceiros e ocultação em espécie.

Prisão em flagrante e liberdade provisória

Durante o cumprimento dos mandados de busca, Beto Castro chegou a ser preso em flagrante. Policiais apreenderam uma pistola Taurus G2C, calibre 9mm, municiada com 11 cartuchos intactos. Apreenderam também outras 12 munições do mesmo calibre em veículo relacionado ao parlamentar.

A juíza Larissa Rodrigues Tupinambá Castro concedeu liberdade provisória ao vereador. Ela atendeu ao parecer da promotora Marinete Ferreira Silva Avelar e impôs medidas cautelares, como comparecimento periódico e proibição de ausentar-se da capital sem autorização judicial.

Pré-candidatura à presidência da Câmara

Beto Castro disputa nos bastidores a presidência da Câmara Municipal de São Luís. A eleição interna está prevista para ocorrer a partir de outubro, com posse no primeiro dia útil de janeiro de 2027. A ação penal corre em paralelo à articulação política do vereador.

O vereador afirmou, em resposta anterior ao Atual7, que vai provar a inocência perante todos os fatos. O advogado Thales de Andrade assina a defesa do parlamentar. O espaço segue aberto para manifestações dos demais acusados, que ainda não constituíram advogados na ação penal.

O processo segue em tramitação, e os réus apresentarão suas contestações nas próximas fases. O desfecho do caso dependerá da instrução processual e da análise das provas pelo colegiado. O vereador permanece no exercício do mandato, e qualquer afastamento dependerá de decisão judicial ou da própria Câmara.

A Operação Benedictio chama atenção por envolver recursos destinados ao enfrentamento da fome durante a pandemia. A suspeita de uso político de emendas parlamentares e de convênios sociais amplia a gravidade do caso. A apuração busca confirmar ou afastar a existência dos crimes e identificar os responsáveis pela suposta organização.

As empresas Comercial Alves, Comercial Damares, JR Comércio e CC Cunha aparecem na denúncia como suspeitas de receber os recursos desviados. O Gaeco trabalha com a hipótese de que os valores alimentavam tanto os núcleos empresariais quanto a estrutura de intimidação nas comunidades onde o instituto atuava.

O caso reforça a atenção sobre a disputa pelo comando do Legislativo municipal. A eleição da Mesa Diretora movimenta aliados do Palácio dos Leões e grupos de oposição na capital. Para acompanhar a movimentação na Câmara de São Luís, confira a cobertura da eleição da Mesa Diretora no O Ludovico.

Com informações de Atual7.

O Ludovico

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