Campanha de Flávio Bolsonaro vê ameaça em ‘recado’ de Alcolumbre e prepara reação em três frentes – CartaCapital
A declaração do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em defesa do ministro Alexandre de Moraes, na noite de quarta-feira 2, foi interpretada pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL) como um recado claro ao senador. Ao citar, sem mencionar nomes, um pedido de 130 milhões de reais para financiar o filme Dark Horse, Alcolumbre lembrou a relação de Daniel Vorcaro com a produção ligada à família Bolsonaro.
Para aliados de Flávio, a declaração sinalizou que Alcolumbre pode voltar ao episódio do filme caso a oposição amplie a pressão sobre Moraes e use o caso envolvendo Vorcaro para desgastar o presidente do Senado. A avaliação no entorno do candidato é que Alcolumbre tentou, com a declaração, criar um contraponto às cobranças pelo impeachment do ministro.
A resposta discutida pela campanha passa por três frentes:
A primeira é aumentar a pressão pela abertura de um processo de impeachment contra Moraes. O tema, que já faz parte da estratégia da oposição, deve ganhar ainda mais espaço depois do confronto com Alcolumbre.
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O segundo movimento é levar a pauta para as campanhas dos candidatos da oposição ao Senado. A ideia é reforçar o impeachment de ministros do STF como bandeira eleitoral, sob o argumento de que seria necessário mudar a composição da Casa para que os processos avancem. A expectativa entre os bolsonaristas é que essa seja uma das principais pautas do ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista, em São Paulo, na próxima segunda-feira.
A terceira frente mira a sucessão de Alcolumbre no comando do Senado. Aliados de Flávio avaliam impulsionar as pré-candidaturas de Rogério Marinho (PL-RN) ou Tereza Cristina (PP-MS) para a Presidência da Casa em 2027. O movimento ganha importância porque Alcolumbre já recebeu um sinal informal de apoio de Lula (PT) para tentar permanecer no cargo no próximo ano.
“Autodefesa”
O recado de Alcolumbre também foi interpretado pelos aliados de Flávio como uma forma de autodefesa. O presidente do Senado enfrenta seus próprios questionamentos no caso Master, especialmente em relação à Amprev, fundo de previdência dos servidores do Amapá.
A entidade era administrada por um aliado de Alcolumbre, Jocildo Silva Lemos, e aplicou recursos em títulos do Banco Master. O senador nega ter interferido nos investimentos. Alcolumbre também foi criticado em maio por ter demorado a despachar requerimentos para a criação da CPMI do Banco Master.


