PF aponta referências sem lastro a Lulinha
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Reprodução
Um relatório de inteligência da Polícia Federal, citado pelo ministro Alexandre de Moraes, apontou referências “sem lastro probatório” a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, em documentos ligados às investigações sobre fraudes no INSS sob relatoria do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal.
O documento registra que uma peça reuniu menções a Lulinha apesar de consignar que, até aquele momento, não havia indícios de envolvimento direto dele nas condutas relacionadas aos descontos associativos fraudulentos de aposentados.
A análise da PF afirma que o tópico dedicado a Fábio Luís tratava de uma pessoa que não figurava em listas de medidas naquele procedimento. Para a corporação, a consolidação dessas referências, mesmo com a admissão da falta de elementos de vinculação, poderia indicar uma “orientação investigativa não declarada”.
Moraes tornou público o relatório ao encaminhar ao presidente do STF uma queixa contra Mendonça por suposto abuso de poder e crime de responsabilidade. O ministro reproduziu a avaliação de que as apurações tiveram tratamento assimétrico conforme o viés político das pessoas mencionadas.
Trecho do relatório da PF que menciona Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha. Reprodução
PF também questiona referência a Roberta Luchsinger
O relatório abordou ainda a lobista Roberta Luchsinger, citada nas investigações por sua relação com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. A PF afirmou não haver como demonstrar que ela sabia que recursos recebidos de investigados provinham das fraudes nos descontos associativos.
Lulinha é alvo de três inquéritos distintos que apuram suspeitas de tráfico de influência e sua ligação com Luchsinger. A existência dessas apurações não altera a observação feita pela inteligência da PF sobre a ausência de elementos no trecho específico analisado no caso dos descontos fraudulentos.
Trecho do relatório da PF que diz que Roberta Luchsinger (“a investigada”) não sabia da origem dos recursos oriundos de fraudes do INSS. Reprodução
Antônio Carlos Camilo Antunes figura entre os principais acusados no esquema investigado por descontos irregulares em benefícios previdenciários. Luchsinger foi arrolada como lobista dele nas apurações mencionadas no relatório.
O documento também cita suspeitas envolvendo Antonio Rueda e ACM Neto por possível uso de influência política e proximidade com pessoas investigadas. A queixa encaminhada por Moraes coloca a condução dos inquéritos sob Mendonça no centro da disputa no STF.


