Barril de petróleo volta a se aproximar dos US$ 100
NESTA EDIÇÃO. Tensões no Oriente Médio, importações da China e restrições no Canal do Panamá causam nova escalada nos preços do petróleo.
Ibama libera Petrobras para perfuração de mais três poços na Bacia da Foz do Amazonas.
Revisão das tarifas de transporte de gás: ANP rejeita recurso da ATGás.
Aneel pode impor limites às distribuidoras na comercialização de energia.
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Barril de petróleo volta a se aproximar dos US$ 100
O preço do barril de petróleo voltou a se aproximar dos três dígitos, com a escalada das tensões no Oriente Médio e o retorno das importações pela China, além das restrições ao trânsito no Canal do Panamá. Por volta das 6h de terça-feira (8/9) no horário de Brasília, o Brent era negociado a US$ 99,20 o barril.
Desta vez, a alta é fruto de uma combinação de fatores em um mercado que já está pressionado há meses.
Na segunda-feira (7/9), o Irã indicou que vai retaliar novos ataques dos Estados Unidos, incluindo ameaças aos ativos de energia de empresas estadunidenses no Oriente Médio. (UOL/Reuters)
Além disso, a China vem indicando um aumento na demanda por petróleo. (Bloomberg/Valor)
- O país asiático reduziu as importações após o início da guerra e atendeu ao consumo interno com estoques estratégicos. Em julho e agosto, no entanto, vem ampliando as compras do exterior, aos poucos.
- “Quando a China voltar a comprar vai pressionar o mercado”, disse o vice-presidente e chefe de pesquisa para Petróleo, Energia e Mobilidade da S&P Global Energy, Jim Burkhard, em webinar da consultoria na semana passada.
Para piorar a situação… O Canal do Panamá iniciou na sexta-feira (4/9) um plano para reduzir o trânsito de navios devido à redução das chuvas provocada pelo fenômeno climático El Niño. (AFP)
- A hidrovia liga os oceanos Pacífico e Atlântico e é responsável por 5% de todo o comércio marítimo global.
- Num momento de tantas restrições ao comércio internacional de petróleo e derivados, com dificuldades nas exportações pelo Oriente Médio e pela Rússia, analistas vêm alertando que qualquer restrição adicional pode pressionar ainda mais o mercado.
Campanha na Foz do Amazonas. O Ibama autorizou a Petrobras a perfurar os três próximos poços da campanha exploratória na Bacia da Foz do Amazonas. Os poços batizados como Manga, Crotalus e PAD Morpho ajudarão a delimitar o tamanho da descoberta de petróleo, anunciada em agosto, na costa do Amapá.
Oferta de novas áreas. A diretoria da ANP aprovou, na reunião da sexta (4), a indicação de 24 blocos exploratórios na porção terrestre da Bacia Potiguar para futuros ciclos da Oferta Permanente de Concessão.
- Nesta etapa, trata-se da indicação técnica, e não da inclusão propriamente dita — que ainda precisa de manifestação conjunta dos ministérios de Minas e Energia (MME) e do Meio Ambiente (MMA), aditamento do edital, audiência pública e aval do Tribunal de Contas da União (TCU).
Novatos no Renovabio. A ANP também aprovou a realização de consulta e audiência públicas sobre as metas do Renovabio para os novos distribuidores de combustíveis.
- Pelas regras atuais, um distribuidor que ingressa no mercado não tem meta de CBIO no primeiro ano porque ela é calculada sobre as vendas de combustível fóssil do ano anterior.
Revisão tarifária. Em decisão unânime, a diretoria rejeitou o recurso da Associação de Empresas de Transporte de Gás Natural por Gasoduto (ATGás) e manteve a taxa de retorno abaixo do patamar pleiteado pelas transportadoras para o ciclo regulatório 2026-2030.
- No ano passado, a diretoria definiu o WACC (o custo médio ponderado de capital) de 7,47% ao ano, após impostos. O valor foi menor que o proposto pela ATGás, de 9,41% (pela metodologia da FGV-CERI).
Combate a irregularidades. A diretoria propôs ainda que a comprovação da licitude dos recursos de empresas que atuam no setor de combustíveis seja feita por meio de parecer emitido por empresa de auditoria independente registrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
- A comprovação do lastro dos recursos foi uma medida instituída pela Lei do Devedor Contumaz (LCP 225/2026).
Por falar em fraudes… O Tribunal de Contas da União (TCU) realiza uma pesquisa junto ao público sobre a qualidade, a fiscalização e o monitoramento dos combustíveis. O levantamento foi motivado pelos casos de produtos adulterados e pela suspeita de participação do crime organizado no setor.
Expectativa para o leilão de gás da União. O leilão da PPSA de 2026 será o primeiro teste para precificação do gás da União e para medir também o apetite da indústria pela molécula. Mas, afinal, quem poderá comprar esse gás? A gas week faz um mapeamento dos setores industriais que podem criar demanda nova.
Distribuidoras no mercado livre de energia. A Procuradoria Federal junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) declarou, em parecer formal, que a reguladora tem competência para fixar restrições às distribuidoras no segmento de comercialização de energia elétrica.
- O mesmo processo também trata da instituição do Open Energy, mecanismo eletrônico que permitirá compartilhamento de informações de faturamento e consumo de energia.
Preparação para o El Niño. A Taesa gastou cerca de R$ 15 milhões nos últimos dois anos na preparação para os impactos do El Niño, segundo o diretor técnico da companhia, Luis Alves.
Seca na Amazônia. Mais de um terço (38%) das ocupações humanas existentes na Amazônia tiveram alta exposição aos efeitos do El Niño de 2024, segundo um estudo do Mapbiomas.
- Entre as 5.673 localidades habitadas na região, 2.172 sofreram de forma intensa com o fenômeno.
Minerais críticos. A entrada do governo dos Estados Unidos no projeto de terras raras Serra Verde, em Goiás, acendeu um alerta e ajudou a acelerar o debate no Congresso Nacional sobre a criação de uma política nacional para minerais críticos e estratégicos, segundo o deputado Zé Silva (União/MG), autor do projeto aprovado pelo Senado na quarta (2). O texto segue agora para sanção presidencial.
- “Isso que aconteceu em Goiás foi um alerta”, afirmou o deputado em entrevista à agência eixos.
Fertilizantes. O presidente Lula (PT) sancionou na sexta-feira (4) a lei que cria o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert). O objetivo do programa é fomentar a produção nacional desses insumos e reduzir a dependência de importações.
- Foi vetado o artigo que previa apenas a inclusão de fertilizantes extraídos e produzidos no território nacional.
Opinião: Se as tecnologias da transição energética já existem, por que a descarbonização global avança mais lentamente do que muitos esperavam?, escreve o gerente de Modelos de Negócios e Certificação de Produtos de Baixo Carbono na Petrobras, Marcelo Gauto.


