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Maranhão e a Independência: adesão ao Brasil ocorreu 10 meses após 7/9

Maranhão e a Independência: adesão ao Brasil ocorreu 10 meses após 7/9

Maranhão e a Independência: adesão ao Brasil ocorreu 10 meses após 7/9

O 7 de Setembro é lembrado como o marco da Independência do Brasil, mas poucos sabem que o Maranhão só reconheceu a ruptura com Portugal dez meses depois, em julho de 1823. Enquanto o grito do Ipiranga ecoava no Centro-Sul, a província maranhense permanecia leal a Lisboa e resistia ao projeto de D. Pedro I.

A história da Independência no Maranhão revela um processo bem diferente do que é contado nos livros didáticos. A adesão da província ao Brasil independente ocorreu sob pressão militar e envolveu conflitos, negociações e a atuação de um comandante naval britânico.

Maranhão e a Independência: adesão ao Brasil ocorreu 10 meses após 7/9

Foto: Reprodução / Pedro Américo — “Independência ou Morte” (1888), Museu do Ipiranga

Independência como processo, não como evento isolado

De acordo com o professor Euges Lima, a Independência do Brasil não foi resultado apenas do famoso grito “Independência ou Morte” atribuído a D. Pedro nas margens do Ipiranga. “A Independência do Brasil foi um processo e, como todo processo histórico, envolveu uma série de acontecimentos e desdobramentos”, explica.

O quadro “Independência ou Morte”, pintado por Pedro Américo em 1888, ajudou a consolidar no imaginário nacional a ideia de uma independência marcada por um ato único e grandioso. No entanto, os historiadores questionam essa versão: o momento provavelmente não aconteceu com toda a monumentalidade que a pintura retrata.

As primeiras províncias a aderirem ao projeto de independência foram São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, concentradas no Centro-Sul. Já o Norte do país, incluindo o Maranhão, mantinha relações mais estreitas com Portugal e resistiu por mais tempo.

A resistência do Maranhão

No Maranhão, a lealdade a Portugal se prolongou por meses. A província não reconhecia a autoridade de D. Pedro e continuava subordinada a Lisboa. O cenário começou a mudar com a chegada de Lord Cochrane, oficial e comandante naval britânico contratado pelo governo imperial brasileiro.

Cochrane utilizou uma estratégia de pressão militar: ameaçou bombardear São Luís caso o Maranhão não reconhecesse a Independência. A ameaça foi suficiente para forçar a mudança política, e em 28 de julho de 1823 — exatamente dez meses após o 7 de Setembro — a província finalmente aderiu ao Brasil independente.

O conceito de “segunda Independência”

Historiadores maranhenses utilizam a expressão “segunda Independência” para destacar a experiência particular da província no processo de ruptura com Portugal. Não se trata de uma separação do Brasil, mas de um reconhecimento de que a adesão do Maranhão ocorreu em circunstâncias diferentes e em um momento histórico distinto.

Para o professor Euges Lima, o caso maranhense demonstra que não é possível compreender a Independência apenas a partir dos acontecimentos de São Paulo em setembro de 1822. “A adesão do Maranhão evidencia que a Independência do Brasil não aconteceu de maneira uniforme nem simultânea em todo o território”, afirma.

A história do Maranhão naquele período foi marcada por uma temporalidade própria. Enquanto o 7 de Setembro passou a representar nacionalmente o rompimento com Portugal, no estado a ruptura só se consolidaria meses depois, em meio a disputas políticas, conflitos e pressão externa.

No último domingo, estudantes de Imperatriz homenagearam jornalistas durante o desfile de 7 de Setembro, mantendo viva a tradição cívica que marca a data em todo o país — mesmo que, no Maranhão, a história tenha caminhos próprios.

Com informações de O Imparcial

O Ludovico

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