×

Axia defende intensificação do sinal de preço no mercado de energia

Axia defende intensificação do sinal de preço no mercado de energia

Axia defende intensificação do sinal de preço no mercado de energia

A intensificação dos sinais de preço no mercado de energia deve ser a principal prioridade do setor elétrico brasileiro, na avaliação de Laércio Simões, diretor de Regulação da Axia Energia (ex-Eletrobras), para corrigir distorções que levaram ao atual desequilíbrio entre oferta e demanda de energia ao longo do dia. 

O executivo também defendeu a regulamentação da Lei 15.269/2025 como instrumento para frear a expansão de fontes altamente subsidiadas, especialmente a micro e minigeração distribuída (MMGD).

“A prioridade para você valorizar esse recurso cada vez mais escasso, que é a flexibilidade, é você intensificar os sinais de preço com granularidade cada vez mais horária”, afirmou durante evento promovido pela MegaWhat, no Rio de Janeiro, na quarta (10/6).

Simões destacou que a expansão da geração elétrica no país, nas últimas décadas, ocorreu sem que os preços da energia desempenhassem o papel central de orientar os investimentos.

“Em primeiríssimo lugar, o que tem que ser prioridade do setor é a intensificação do sinal de preço. É você voltar a ter o preço de energia como guia racional da decisão de investimento”

Segundo ele, o setor passou por diferentes ciclos de expansão — primeiro guiado pelos leilões regulados e, mais recentemente, pelo mercado livre —, mas em ambos os casos fortemente apoiado por mecanismos de subsídio.

Na avaliação de Simões, a expansão baseada em subsídios levou a uma situação em que o país convive simultaneamente com excedentes de geração durante o dia e escassez de energia nos horários de maior consumo.

Ele destacou os incentivos a MMGD como parte de um conjunto de subsídios que contribuíram para a expansão desequilibrada da geração nos últimos anos.

“Tivemos 96 gigawatts instalados de eólicas solares centralizadas e descentralizadas, aí entra a MMGD também, que é um combo de subsídios”, disse.

O debate sobre o sinal de preço ganhou força nos últimos anos em meio ao crescimento acelerado das fontes renováveis e à necessidade de remunerar adequadamente atributos como flexibilidade, armazenamento e capacidade de resposta rápida do sistema elétrico. 

Regulamentação da Lei 15.269

Além da intensificação dos sinais de preço, Simões apontou a regulamentação da Lei 15.269/2025 como medida de curto prazo para conter a expansão de empreendimentos que, segundo ele, não contribuem com os atributos hoje necessários ao sistema.

“Vamos evitar o crescimento de fontes que não agregam os atributos que hoje o sistema precisa. Vamos travar esse crescimento. E uma das formas é regulamentar a Lei nº 15.269, no tocante às regras de acesso de novos geradores”, afirmou.

A Lei 15.269 endureceu os critérios para caracterização de consumidores equiparados a autoprodutores, exigindo demanda contratada agregada mínima de 30 MW, participação societária efetiva nos empreendimentos de geração e a existência de outorga para enquadramento como autoprodução. 

Desgaste operacional exige novos investimentos

O aumento da participação das fontes intermitentes e as mudanças no perfil de operação do sistema também têm elevado o desgaste dos ativos de geração e transmissão da companhia.

Segundo Simões, a Axia investiu R$ 10 bilhões em 2025 e prevê aplicar entre R$ 12 bilhões e R$ 14 bilhões por ano em 2026 e 2027, parte relevante desses recursos destinada à modernização de usinas e reforços na rede de transmissão.

Um dos principais exemplos é a hidrelétrica de Tucuruí, que recebeu investimentos de R$ 1,5 bilhão.

“Tucuruí é uma das usinas que mais contribui com a flexibilidade do sistema, capacidade de atendimento à ponta. É um liga-desliga enorme de máquinas. Um desgaste enorme que você cria para as máquinas das usinas hidrelétricas atualmente. Estamos colocando um bilhão e meio de reais em Tucuruí em modernização”, afirmou.

A empresa também destina entre R$ 4,5 bilhões e R$ 5 bilhões por ano para reforços, ampliações e substituição de equipamentos em seu parque de transmissão.

Segundo o executivo, a companhia apresentou recentemente, por meio da Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica (Abrage), um estudo ao Ministério de Minas e Energia (MME) demonstrando os impactos do novo regime operacional sobre os equipamentos das usinas.

“A gente acabou de apresentar um estudo bastante sólido, fundamentando tecnicamente e apresentando dados técnicos do quanto esse novo regime de operação tem afetado o desgaste das unidades geradoras, as saídas forçadas, a provável redução da vida útil das unidades geradoras”, disse.

Para a empresa, o tema deverá ganhar espaço na agenda regulatória nos próximos anos diante da crescente necessidade de flexibilidade para equilibrar o sistema.

Data centers e PNAST

Ao mesmo tempo em que reforça seus ativos tradicionais, a Axia também busca novas oportunidades associadas ao crescimento da demanda por energia de grandes consumidores eletrointensivos, especialmente data centers.

Segundo Simões, a companhia já possui pedidos de conexão e parcerias em desenvolvimento para projetos desse segmento, incluindo empreendimentos na região de Campinas.

“Temos projetos pedidos de conexão de data centers, já fizemos algumas parcerias e pedimos ao ONS conexão de alguns data centers, em Campinas, por exemplo”, afirmou.

A empresa também pretende participar das futuras janelas de acesso previstas na Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (PNAST), iniciativa criada pelo Ministério de Minas e Energia para organizar e tornar mais eficiente o processo de conexão de novos empreendimentos à rede básica.

“Devemos participar dos PNAST, das janelas de temporada, com parcerias com data centers, para a gente poder trazer junto a gente essas grandes cargas. A gente vai ser um parceiro relevante desses grandes empreendedores de dados e inteligência artificial no Brasil”, disse.

Créditos