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como bolsonaristas iniciaram repressão a ato de estudantes

como bolsonaristas iniciaram repressão a ato de estudantes

como bolsonaristas iniciaram repressão a ato de estudantes

Vereador bolsonarista Adrilles Jorge (União) discute com estudantes em manifestação. Foto: João Lucas Casanova/Poder360

Por Miguel Worcman e Davi Nogueira

Os vereadores bolsonaristas Rubinho Nunes e Adrilles Jorge, do União Brasil, foram ao ato de alunos e funcionários da USP, Unesp e Unicamp para provocar os manifestantes e causaram uma pancadaria. O protesto, que reuniu milhares de pessoas e parou o Centro de São Paulo na tarde desta segunda-feira (11), foi o maior da greve até agora.

A matéria da Folha sobre a manifestação, ilustrada por uma foto de Rubinho amedrontado frente a um estudante, diz que um “confronto” começou quando os políticos chegaram ao local e que a polícia “interveio na confusão”, encerrando o ato. A reportagem não procurou nenhum aluno e traz apenas o lado de Rubinho, que alega ter tido o nariz quebrado.

De acordo com grevistas entrevistados pelo DCM, a história foi outra. “A Folha está extremamente errada. O MBL apareceu para tumultuar e abalar o movimento. O movimento respondeu de maneira pacífica, mas a polícia, de maneira truculenta, jogou gás lacrimogêneo nos estudantes. A polícia protege quem nos ataca e reprime quem é pacífico”, afirma Rodrigo Ribeira, estudante de Linguística na USP.

Ao contrário do que diz a Folha, segundo Rodrigo, “o ato não terminou ali; a partir dessa represália, fizemos uma passeata gigantesca pela Rua da Consolação”. O protesto foi convocado para pressionar os reitores das três maiores universidades estaduais do Estado pela reabertura das negociações sobre a greve. Os três — Aluísio Segurado (USP), Maysa Furlan (Unesp) e Paulo Cesar Montagner (Unicamp) — teriam uma reunião na Secretária de Educação sobre o reajuste salarial dos funcionários, mas cancelaram a presença, alegando temer por sua integridade física.

Estudantes em ato na Rua da Consolação.
Foto: Miguel Worcman

“Os reitores fugiram, são covardes. Fugiram do movimento, dos estudantes, servidores e professores. Mantivemos o ato na frente da Praça da República”, diz Rodrigo. O tamanho da manifestação de hoje é uma resposta direta às agressões da PM, na madrugada de domingo (10), contra os grevistas que ocupavam a sede da reitoria da USP. “Se tem repressão, quer dizer que estamos no caminho certo. Respondemos repressão com luta. Os próximos atos terão mais mobilização e radicalização, no sentido de ter mais pessoas lutando por uma causa justa. Vale a pena lutar”, declara o aluno.

A greve estudantil conta com o apoio dos trabalhadores da universidade, que paralisaram as atividades hoje para ir ao protesto. Magno de Carvalho, ex-presidente e fundador do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), falou sobre a luta conjunta entre discentes e funcionários. “Hoje é um dia especial por conta da repressão que houve contra os estudantes que estão com a gente na luta, fizeram a greve junto com a gente, e o governador Tarcísio mandou reprimir, invadir a universidade com a tropa de choque e fazer essa barbaridade com os estudantes”.

“Eu vi muitas mães depondo ontem, dizendo que estavam se preparando para uma confraternização no Dia das Mães, e receberam a notícia de que os filhos estavam sendo espancados pela PM. Eu acho que o Tarcísio deu um tiro no pé com isso”, completa Magno.

Manifestantes acendem sinalizadores em ato de greve na USP. Foto: Miguel Worcman

USP tem comida mofada, falta de água e alunos dormindo no chão

Líderes do movimento estudantil denunciaram com exclusividade ao DCM o descaso da faculdade em relação ao corpo discente e aos trabalhadores. Daniel Lustosa, estudante de Relações Internacionais e morador do Conjunto Residencial da USP (CRUSP), descreveu as condições extremamente precárias de serviços básicos da universidade, um dos principais motivos que levaram à greve.

“Desde fevereiro há pautas fortes relacionadas à estrutura. Moradores do CRUSP fizeram mobilizações por falta de água e falta de vagas, houve casos de estudantes dormindo no chão. Existem problemas estruturais graves, como mofo, infiltrações e cozinhas coletivas inutilizáveis”, afirma Daniel, que também é membro do DCE.

Os alunos denunciam ainda a má qualidade dos serviços de alimentação, conhecidos como “bandejões”. Foi relatada a presença de larvas e até vidro na comida. Em nota nas redes sociais, o DCE reforçou: “Só saímos com conquistas concretas. Uma universidade rica beneficiar apenas uma categoria não é normal. Os estudantes comerem larva, barata, vidro, não é normal. Paramos para que a USP seja, de fato, de qualidade e para todos”.

Na manifestação desta segunda, diversos cartazes denunciavam as condições precárias dos restaurantes das universidades. Além da USP, a Unicamp e a Unesp vivem uma epidemia de infestação por ratos, baratas, vermes e toda a sorte de sujeira e objetos estranhos encontrados no meio da comida servida aos estudantes.

Manifestante com cartaz denunciando comida podre nos refeitórios das universidades

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