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Costa é chave para entender papel de Ibaneis e políticos na tentativa de compra do Master pelo BRB

Costa é chave para entender papel de Ibaneis e políticos na tentativa de compra do Master pelo BRB

Título: Costa é peça-chave para compreender o papel de Ibaneis e políticos na tentativa de aquisição do Master pelo BRB

Preso nesta quinta-feira, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa possui informações relevantes sobre a relação com Daniel Vorcaro, proprietário do extinto banco Master, o ex-governador Ibaneis Rocha, responsável por autorizar a controversa tentativa de compra do Master pelo BRB, e possivelmente o envolvimento de outros políticos no caso.

Nos bastidores, Costa tentava demonstrar que, assim que identificou os problemas nas carteiras de crédito com sinais de fraude comercializadas pelo Master, passou a pressionar Daniel Vorcaro por substituições. Dos R$ 12,2 bilhões, R$ 10 bilhões foram trocados por diversos outros ativos, como carteiras do Credcesta, fundos e outros.

Em algumas dessas trocas de mensagens, o tom das cobranças parecia amigável entre ele e Vorcaro, mas a justificativa nos bastidores era de que ele não poderia se indispor com o antigo dono do Master, pois tinha interesse em recuperar toda a carteira de crédito problemática, originada na empresa Tirreno (considerada uma estrutura de fachada na investigação). A lógica era que, se rompesse, perderia todo o montante entregue indevidamente.

Outra cobrança frequente era sobre a documentação que Vorcaro precisava fornecer para concretizar a compra pelo BRB, alvo de críticas constantes por parte do BC.

No celular de Costa também existem mensagens que podem esclarecer as interações com o Banco Central, especialmente com a área de supervisão e fiscalização da autoridade monetária, que teve dois servidores (Beline Santana e Paulo Sérgio Neves) afastados sob a suspeita de terem sido corrompidos por Vorcaro. Ele indicava que o BC incentivava a aquisição de carteiras do Master, mas após a formalização da tentativa de compra e o maior envolvimento da área de Organização do Sistema Financeiro, a situação se complicou – o pedido foi indeferido em setembro e o Master foi liquidado em novembro.

A atuação do ex-governador Ibaneis Rocha é outro ponto que pode ser esclarecido por Costa. Conforme reportagem do GLOBO, em mensagens de junho do ano passado, Ibaneis pressionava por uma resolução na operação, alegando não suportar mais o “desgaste político”. O ex-governador menciona que se referia à pressão da oposição relacionada ao caso, mas não explica, por exemplo, por que não interrompeu o processo assim que foi descoberta a carteira com indícios de fraudes bilionárias, que já eram evidentes na época.

Essa é a questão principal para o ex-presidente do BRB. Diante de um problema de R$ 12,2 bilhões, por que não encerrar o processo? Nos bastidores, a justificativa era que o Master era desorganizado e representava uma boa oportunidade de negócio para o BRB, dentro de sua estratégia de expansão. Além disso, destacava-se que as carteiras próprias do Master ainda são lucrativas para o banco até hoje, o que seria evidenciado nos balanços – Costa possuía dados prévios do balanço do terceiro trimestre que indicavam lucro do BRB, apesar do aumento nas provisões da carteira originada na Tirreno.

Costa buscava ser ouvido pela polícia em um segundo depoimento e apresentou um memorial sobre a relação do BRB com o Master às autoridades, reforçando seu pedido para ser ouvido. Nos bastidores, negava a intenção de fazer uma delação premiada como a de Vorcaro, alegando que isso implicaria em assumir culpa, mas ressaltava que tinha muito a “relatar” às autoridades.

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