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Divisão do PT no MA: direção ignora crise e abandona Camarão

Divisão do PT no MA: direção ignora crise e abandona Camarão

Divisão do PT no MA: direção ignora crise e abandona Camarão

A menos de um mês do primeiro turno das eleições de 2026, o PT do Maranhão vive um racha interno que expõe a fragilidade da candidatura própria ao governo do estado. A direção nacional do partido prometeu unificar a legenda em torno de Felipe Camarão (PT), mas na prática o candidato foi abandonado à própria sorte em meio a divisões que só se aprofundam.

Divisão do PT no Maranhão: Felipe Camarão, candidato ao governo

(Foto: Reprodução / Wikimedia Commons)

A divisão não é novidade para quem acompanha a política maranhense de perto. Desde que a cúpula nacional decidiu lançar candidatura própria ao governo (uma decisão “comunicada” e não “construída” com a militância, como dizem petistas), o partido se fragmentou em alas com interesses claramente opostos. A imposição de Brasília, além de gerar desarmonia interna, enfraquece as chances das chapas proporcionais que disputam vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.

De um lado, petistas históricos ligados ao grupo do Palácio dos Leões apoiam abertamente Orleans Brandão (MDB). De outro, parte significativa da legenda migrou para Eduardo Braide (PSD), incluindo o deputado federal Rubens Júnior, que faz campanha para o ex-prefeito de São Luís enquanto discursa sobre Lula e o PT. Há ainda os que permanecem com Felipe Camarão, mas sem o entusiasmo mínimo que uma candidatura do partido do presidente da República deveria naturalmente gerar.

Na disputa ao Senado, o cenário é ainda mais confuso. Os petistas se dividem entre nada menos que três candidatos: Eliziane Gama (PT), Roseana Sarney (MDB) e Weverton Rocha (PDT). São três nomes de campos políticos distintos concorrendo pelo mesmo eleitorado de centro-esquerda. Enquanto isso, a direção nacional do partido em Brasília mantém distância e não interfere nas articulações regionais.

Justiça entra na briga

Sem diálogo interno, os petistas passaram a resolver as divergências na Justiça Eleitoral. Uma reclamação registrada no Sistema Pardal levou à retirada do ar de uma página criada por Washington Oliveira nas redes sociais. O motivo: o suposto uso indevido da imagem do presidente Lula na campanha de um dos grupos. Essa disputa sobre o uso da imagem de Lula já havia dividido os próprios juízes do TRE-MA, que emitiram decisões opostas sobre o tema.

A judicialização foi considerada inaceitável até por membros da direção nacional do PT. Porém, a mesma direção nacional que reclama das brigas na Justiça é a que menos se mobiliza para conter o racha. O partido parece terceirizado para o Judiciário a tarefa de resolver o que a política interna não consegue sequer equacionar.

Segundo informações da coluna Estado Maior, do portal Imirante, a direção nacional do PT simplesmente “não liga” para os problemas do partido no Maranhão. A promessa de que a legenda marcharia unida ao lado de Felipe Camarão ficou apenas no discurso de lançamento. Na prática, cada ala age por conta própria.

Camarão, o mais prejudicado

O candidato petista ao governo é quem mais perde com a desunião. Felipe Camarão ouviu promessas de que os militantes seriam obrigados a caminhar ao seu lado. Viu-se abandonado por diferentes alas do PT, que preferiram apoiar outros nomes ou simplesmente não fazer campanha para ninguém.

Sem a máquina partidária funcionando a seu favor, Camarão enfrenta dificuldades para consolidar o próprio eleitorado petista. A situação é agravada pelo fato de que a direção nacional não tomou nenhuma medida concreta para unificar o partido no estado. O resultado é um candidato que disputa o cargo mais importante do Executivo estadual sem o apoio efetivo do próprio partido.

No debate promovido pelo Imirante e pela Mirante News na quinta-feira (3), Camarão foi um dos candidatos mais enérgicos. Mas a falta de coesão interna ficou evidente: enquanto outros candidatos contam com palanques unificados e o respaldo de suas legendas, o petista precisa dividir atenção com as próprias brigas internas do partido.

Impacto na campanha de Lula

A divisão do PT no Maranhão levanta uma questão estratégica: até que ponto o racha local pode prejudicar a campanha à reeleição do presidente Lula no estado? Há quem aposte que a fragmentação petista não afeta a votação do presidente, que mantém força própria e rejeição baixa no eleitorado maranhense.

Por outro lado, a história recente das eleições sugere o contrário. Em eleições majoritárias, um partido rachado tende a transferir menos votos. Se o PT do Maranhão não conseguir se organizar até outubro, Camarão pode ver a candidatura definhar. E com ela, parte da capilaridade da campanha presidencial no estado pode ser comprometida.

O cenário é particularmente preocupante para o PT porque o Maranhão é um dos estados com maior densidade de eleitores do partido. Se a sigla não conseguir apresentar união no estado, o recado para o eleitorado é negativo. Além disso, a fragmentação atual pode ter consequências para além de 2026, enfraquecendo o partido para as eleições municipais de 2028.

Enquanto a direção nacional mantém distância, os petistas maranhenses seguem divididos. Cada um em seu próprio palanque, sem que ninguém de Brasília pareça disposto a colocar ordem na casa. Resta saber se a divisão atual custará caro ao partido nas urnas de outubro.

Com informações da coluna Estado Maior, do Imirante.

O Ludovico

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