Ferreira Gullar: AML celebra 50 anos do Poema Sujo em São Luís
A Academia Maranhense de Letras (AML) promove nesta quinta-feira (10), a partir das 18h, o evento “Ferreira Gullar e os 50 anos do Poema Sujo”. A homenagem acontece no auditório da instituição, com entrada gratuita, e marca os 96 anos do nascimento do poeta maranhense, considerado um dos maiores nomes da literatura brasileira.
Publicado em 1976, durante o exílio de Gullar em Buenos Aires, o Poema Sujo se tornou uma das obras fundamentais da poesia contemporânea do Brasil. Meio século depois, o poema retorna simbolicamente a São Luís, cidade que ocupa lugar central em suas memórias e versos.

Foto: Reprodução / Wikimedia Commons
Programação do evento
A programação terá diálogo com os acadêmicos Félix Alberto e José Neres, que abordarão a criação e a permanência da obra, a trajetória de Gullar e suas relações com o Maranhão. A conversa será intercalada por recital poético do ator Breno Nina.
Ator, diretor e roteirista maranhense, Breno Nina tem trajetória consolidada no teatro, no cinema e na televisão. Entre seus trabalhos está o longa “O Último Cine Drive-in”, pelo qual recebeu o Kikito de Melhor Ator no Festival de Gramado.
Quem foi Ferreira Gullar
Ferreira Gullar, pseudônimo de José de Ribamar Ferreira, nasceu em São Luís em 10 de setembro de 1930. Poeta, escritor, crítico de arte e ensaísta, tornou-se um dos nomes mais importantes da literatura brasileira do século XX. Sua trajetória foi marcada pela experimentação artística, pelo envolvimento político e pela relação profunda com a cidade onde nasceu.
Na infância, Gullar viveu entre a escola e as ruas de São Luís, onde brincava, jogava bola e pescava no Rio Bacanga. Na adolescência, começou a se aproximar da literatura e passou a frequentar espaços culturais da cidade, como os bares da Praça João Lisboa e o Grêmio Lítero-Recreativo, onde havia encontros para leitura de poemas.
Aos 18 anos, adotou o nome Ferreira Gullar, construído a partir dos sobrenomes de seus pais. Sua produção literária ganhou destaque a partir da década de 1950, especialmente com o livro “A Luta Corporal”, publicado em 1954.
Trajetória artística e política
Gullar participou do movimento da poesia concreta e, posteriormente, tornou-se um dos principais nomes do neoconcretismo, movimento que buscava novas formas de relação entre arte, linguagem e participação do público. A trajetória do poeta também esteve ligada à política. Durante a ditadura militar, participou da resistência ao regime, foi preso e posteriormente viveu no exílio.
Foi durante o período em Buenos Aires que escreveu “Poema Sujo”, sua obra mais conhecida e considerada sua obra-prima. O poema reúne lembranças da infância, da cidade natal, da vida cotidiana e das experiências do autor, tornando São Luís uma presença marcante em seus versos.
Além da poesia, Gullar atuou como jornalista, crítico de arte, dramaturgo e roteirista. Em 2014, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira nº 37. Morreu em 4 de dezembro de 2016, no Rio de Janeiro, aos 86 anos, mas deixou um legado que permanece vivo na cultura brasileira e maranhense.
Um marco cultural em São Luís
O evento desta quinta-feira representa mais do que uma homenagem. É a oportunidade de celebrar meio século de uma obra que transcendeu gerações e continua inspirando leitores dentro e fora do Brasil. Para quem vive no Maranhão, é também um momento de reconexão com a história de um dos seus maiores filhos.
Para quem se interessa por eventos culturais, São Luís também recebe neste mês a programação dos 414 anos da cidade, com shows gratuitos programados para celebrar a data. O evento na AML tem entrada franca e promete reunir amantes da literatura e admiradores do poeta.
Com informações de O Imparcial e Wikimedia Commons
O Ludovico



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