Forma de discussão do fim da 6×1 é desastrosa, diz presidente da FIEPA
A possível redução da jornada de trabalho no Brasil reacendeu um debate antigo sobre a produtividade do país, que, segundo especialistas do setor industrial, vem registrando índices cada vez mais baixos.
O tema voltou ao centro das discussões após a aprovação, na Câmara dos Deputados, de proposta relacionada ao fim da escala 6×1.
Alex Carvalho, da FIEPA (Federação das Indústrias do Pará), manifestou posição crítica em relação à maneira como a medida foi conduzida. “A forma como está sendo proposta é que é desastrosa”, afirmou.
Para ele, o setor produtivo não é contrário à melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores, mas defende que as consequências da proposta atual serão sentidas por toda a população brasileira, especialmente nas camadas mais vulneráveis.
Impactos regionais e setoriais
Carvalho destacou que o Brasil possui uma economia heterogênea, com características industriais muito distintas entre as regiões. Como representante do setor da construção civil no Pará, ele alertou que programas habitacionais, como o Minha Casa Minha Vida, poderão ser diretamente afetados pela elevação de custos decorrente de uma redução abrupta da jornada.
“Fatalmente, teremos menos oferta de casas a uma população que, para regiões norte e nordeste, o programa tem atingido números significativos”, disse. Segundo ele, os impactos serão sentidos também no preço de alimentos e serviços como internet e telefonia.
O representante da FIEPA criticou ainda o que chamou de viés eleitoral na condução do tema.
“Tudo isso será impactado por uma redução abrupta e impensada com o cunho eleitoreiro, o que é o pior”, declarou.
Carvalho expressou preocupação com a possibilidade de um colapso econômico caso a medida seja implementada sem um planejamento adequado, ressaltando que a forma imposta não permite ao setor produtivo se preparar para as mudanças.
Propostas de alternativa e apelo ao Senado
Diante do cenário, Alex Carvalho defendeu que o Senado promova uma discussão mais aprofundada e racional sobre o tema. Entre as alternativas sugeridas, ele citou a manutenção do princípio do acordado sobre o legislado — considerado um avanço da reforma trabalhista — e a criação de um escalonamento gradual na redução da jornada, respeitando as especificidades de cada setor e região.
“Criar uma espécie de escalonamento, ano após ano, gerando esses benefícios da redução de jornada, mas trabalhar de forma heterogênea”, propôs.
Carvalho também apontou que a Constituição pode não ser o instrumento mais adequado para garantir esses benefícios, e que mecanismos mais flexíveis seriam mais efetivos sob o aspecto da competitividade.
Para ele, o Brasil precisa avançar em escolaridade, inovação, tecnologia e infraestrutura antes de impor mudanças abruptas nas relações de trabalho.
“Nós não temos condições de competir com outros países que estão inundando o nosso mercado com seus produtos industrializados”, concluiu.


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