Fufuca chama Roberto Rocha de laranja após suspensão do TRE
O candidato ao Senado André Fufuca (PP) chamou Roberto Rocha (PRTB) de “candidato laranja” após a suspensão da pesquisa Quaest/TV Mirante no Maranhão. O TRE-MA acolheu um pedido da coligação de Rocha e barrou a divulgação das simulações de segundo turno. Fufuca reagiu durante agenda de campanha em Presidente Dutra.

Foto: Reprodução / Gilberto Léda
Suspensão da pesquisa Quaest no Maranhão
O Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) suspendeu parcialmente a pesquisa Quaest/TV Mirante na última segunda (24). O juiz Rubem Lima de Paula Filho assinou a decisão liminar. O PRTB e o candidato ao governo Roberto Rocha apresentaram a representação. A medida, portanto, pegou de surpresa os institutos e as emissoras envolvidas.
O argumento principal apontou a falta de critério objetivo para selecionar apenas três candidatos nas simulações de segundo turno. A pesquisa listava oito nomes no cenário estimulado de primeiro turno. No entanto, testava somente Eduardo Braide (PSD), Felipe Camarão (PT) e Orleans Brandão (MDB) nos confrontos diretos. Os demais concorrentes ficaram de fora das simulações.
O magistrado considerou que a restrição poderia gerar uma “sensação artificial de polarização”. Ele citou um precedente do próprio TRE-MA. A corte já entendeu que a seleção parcial viola o princípio da isonomia entre candidatos. A decisão teve caráter provisório e ainda cabe recurso.
Fufuca sobe o tom contra Roberto Rocha
Em resposta à liminar, André Fufuca saiu em defesa do instituto Quaest. Ele classificou o levantamento como sério e de qualidade técnica reconhecida. Além disso, questionou a iniciativa dos adversários que recorreram à Justiça Eleitoral para travar a divulgação dos números.
“Colocaram um candidato laranja na disputa para questionar judicialmente a pesquisa”, afirmou Fufuca durante agenda em Presidente Dutra. O candidato do PP deu a declaração na região central do Maranhão. Ele integra a chapa de Eduardo Braide (PSD) e disputa uma das duas vagas ao Senado. A fala expõe o clima tenso entre os grupos políticos na reta final da campanha.
Fufuca tem como adversários a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), que lidera as intenções de voto, e o senador Weverton (PDT). O candidato do PP criticou abertamente a estratégia da oposição. Para ele, a suspensão judicial tenta esconder números desfavoráveis ao grupo de Roberto Rocha. “Não se pode usar a Justiça para censurar pesquisa legítima”, disse Fufuca. Ele também defendeu a transparência dos institutos e a liberdade de informação ao eleitor.
O que a Justiça Eleitoral decidiu
A liminar proibiu a divulgação dos cenários de segundo turno até nova deliberação. O TRE notificou a Quaest e a TV Mirante. Ambas têm dois dias para apresentar defesa formal. Por outro lado, o juiz fixou multa de R$ 50 mil para cada parte em caso de descumprimento. Além disso, a TV Mirante também terá que explicar os critérios adotados. Esse valor serve como desestímulo para eventuais tentativas de burlar a ordem judicial.
O magistrado ainda questionou a presença de perguntas sobre a eleição presidencial no mesmo questionário. A Quaest informou que realizou dois registros separados no sistema PesqEle. Contudo, o TRE exigiu a comprovação documental dessa informação. O instituto terá que apresentar o registro correspondente ao módulo presidencial.
O PRTB e Roberto Rocha alegaram também o chamado “efeito ancoragem”. A hipótese sugere que perguntas sobre avaliação dos governos influenciariam respostas posteriores sobre candidatos. O juiz deixou esse ponto para análise definitiva no mérito da ação. Assim, a decisão final ainda depende de novas manifestações e do parecer do Ministério Público Eleitoral.
Pesquisa mostra Braide na liderança
Apesar da suspensão parcial, a Justiça liberou os números do primeiro turno. Eduardo Braide (PSD) aparece com 44% das intenções de voto. Orleans Brandão (MDB) registra 25%. Felipe Camarão (PT) tem 6%. Roberto Rocha aparece com 3%.
O levantamento ouviu 900 eleitores entre os dias 20 e 23 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. Os dados, portanto, confirmam a vantagem do atual prefeito de São Luís na corrida pelo Palácio dos Leões. A diferença de 19 pontos sobre Orleans Brandão indica um cenário favorável ao grupo de Braide. Saulo Arcangeli (PSTU), Reginaldo Lima (PCB) e Dimas Cassimiro (PCO) não pontuaram.
O que esperar daqui para frente
O caso ainda não tem desfecho definitivo. Após a defesa da Quaest e da TV Mirante, o Ministério Público Eleitoral emitirá parecer. Só então o TRE-MA julgará o mérito da representação. Dessa forma, a corte decidirá se a pesquisa pode ser divulgada por completo. Também avaliará se as restrições permanecem até o fim da campanha.
A polêmica expõe a tensão entre candidatos. De um lado, a campanha de Roberto Rocha defende maior rigor técnico nos levantamentos. De outro, aliados de Braide e Fufuca enxergam uma tentativa de censura eleitoral. Esse imbróglio judicial promete render novos capítulos nas próximas semanas.
Por fim, a regra permanece clara: toda pesquisa divulgada deve vir acompanhada de critérios verificáveis. O eleitor maranhense precisa de transparência para tomar sua decisão nas urnas. O caso serve como alerta sobre a necessidade de clareza nos números que movimentam a campanha eleitoral de 2026.
Com informações de Gilberto Léda
O Ludovico



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