Governo quer usar receita do petróleo para conter alta dos combustíveis – Meio
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou ao Congresso um projeto de lei complementar que permite usar receitas extras do petróleo para reduzir tributos sobre combustíveis. A proposta, protocolada com urgência, autoriza cortes de PIS/Cofins e Cide sobre diesel, gasolina, etanol e biodiesel quando houver aumento de arrecadação com a alta do óleo. Os cortes terão duração de até dois meses, podendo ser renovados, e ficam limitados a essa receita adicional. A medida vem após o governo recuar de um corte imediato por decreto e optar por respaldo legal no Legislativo. Mais cedo, o Ministério da Fazenda chegou a indicar que anunciaria uma queda de PIS/Cofins sobre a gasolina, mas o ministro Dário Durigan acabou afirmando que não haveria redução de tributos naquele momento. Segundo a equipe econômica, a ideia é usar o ganho com a alta do petróleo para amortecer o impacto nos preços, pressionados pela guerra no Oriente Médio, sem violar regras fiscais. (Estadão)
O custo de importação da gasolina subiu 61% depois do início da guerra no Irã, segundo estimativa da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP). O mercado espera que uma eventual redução de imposto sobre o produto abra espaço para um reajuste nas refinarias da Petrobras, como aconteceu com o diesel, que subiu R$ 0,38 por litro nas refinarias após isenção de PIS/Cofins. (Folha)
Pouco antes do anúncio, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), se reuniu com Durigan e o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães. No encontro, prometeu acelerar a tramitação do projeto, embora a definição da relatoria e do calendário de votação deva ficar para a próxima semana. A equipe econômica estima que a retirada de R$ 0,10 em tributos sobre a gasolina pode gerar impacto de cerca de R$ 800 milhões em 12 meses, sem que ainda tenha sido detalhado o volume total de receita extra disponível. Em paralelo, o governo negocia com governadores um subsídio ao diesel importado, com custo estimado de R$ 1,5 bilhão por mês, dividido entre União e estados. (Globo)
Outra decisão do Planalto causou frustração na base governista. Em reunião no Palácio da Alvorada com diversos ministros, o governo optou por barrar a criação da estatal Terrabras no marco dos minerais críticos, demanda de parte do PT e do PSB. O presidente Lula havia autorizado a discussão sobre a estatal, mas pediu o adiamento da proposta para ajustes. Vista como uma medida para um eventual novo mandato do petista, a estatal dá lugar a outras prioridades, como a criação de um conselho de minerais críticos ligado à presidência. (Poder360)
E Lula deve passar por dois procedimentos hoje, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Ele fará a retirada de uma queratose, um excesso de pele na cabeça, e uma infiltração no punho para tratar tendinite no polegar direito. Segundo o governo, não há necessidade de repouso, e a previsão é que ele retorne a Brasília no domingo para participar do Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), após passar o fim de semana na capital paulista. (g1)


