Inflação em São Luís é a maior do país, aponta IBGE
A inflação em São Luís voltou a subir em setembro e colocou a capital maranhense no topo do ranking nacional. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) local avançou 0,82% no mês, segundo dados divulgados pela Superintendência Estadual do IBGE no Maranhão. No acumulado do ano, São Luís registra a maior alta do país.

Em agosto, a capital havia registrado deflação de 0,60%. A trégua durou pouco. Com o resultado de setembro, o índice acompanhou a média nacional e voltou a pressionar o orçamento das famílias ludovicenses.
Inflação em São Luís acumula a maior alta do país
De janeiro a setembro, o índice chegou a 4,74% na capital. A média brasileira no mesmo período ficou em 3,95%. O resultado coloca São Luís à frente de todas as outras capitais pesquisadas pelo IBGE.
O avanço dos preços atinge com mais força quem ganha menos. Isso porque alimentos e energia elétrica, dois itens essenciais, lideraram as altas do mês. Para muitas famílias, o reajuste da conta de luz chegou junto com o aumento da cesta básica.
Conta de luz puxa a alta dos preços
O grupo Habitação liderou o avanço, com alta de 4,73%. O reajuste da energia elétrica residencial, de 12,84%, respondeu pela maior parte do movimento. Três fatores pesaram na conta de luz, segundo o IBGE.
O reajuste anual nas tarifas de distribuição somou 5,42%. O fim do bônus de Itaipu retirou o desconto aplicado em faturas anteriores. Além disso, a bandeira tarifária amarela continua em vigor e encarece cada quilowatt consumido.
O peso da energia aparece com clareza no orçamento doméstico. Uma família que consome 200 quilowatts por mês sentiu o impacto direto no bolso. O reajuste também pressiona o comércio, que repassa parte do custo ao consumidor.
Alimentos voltam a subir depois de três meses
No grupo Alimentação e bebidas, os preços subiram 0,57%. O avanço interrompeu uma sequência de três meses de queda. A batata-inglesa liderou os aumentos, com 8,90%. O melão subiu 6,92% e o tomate, 5,39%.
A cebola ficou 5,12% mais cara. A costela bovina avançou 3,95% e o arroz, 2,96%. Esses itens pesam diretamente na mesa do consumidor de menor renda. Por isso, o impacto é sentido com força nos bairros da periferia.
Feirantes e comerciantes relatam queda nas vendas desde o início do mês. Muitos consumidores trocam itens mais caros por alternativas. A substituição, no entanto, nem sempre resolve, porque vários produtos subiram juntos.
Saúde e despesas pessoais seguram o índice
A inflação só não foi maior por causa das quedas em outros grupos. Saúde e cuidados pessoais recuou 0,27%. Despesas pessoais também caiu 0,27%. Esses recuos aliviaram parte do resultado final do mês.
Como o IPCA mede o bolso do consumidor
O IPCA acompanha a variação de preços de uma cesta de produtos e serviços consumidos pelas famílias. A pesquisa cobre itens como alimentação, moradia, transporte, saúde e educação. O índice serve de referência para a meta de inflação do Banco Central.
Quando o IPCA sobe, o poder de compra do salário diminui. O mesmo dinheiro compra menos no fim do mês. Por isso, o indicador é acompanhado de perto por trabalhadores, empresas e governos.
Impacto no comércio e no consumo
A alta de preços também afeta o comércio da capital. Com menos dinheiro no fim do mês, o consumidor reduz as compras. Pesquisas locais já apontam estagnação no consumo em algumas datas.
Comerciantes dizem que a energia elétrica pesou nas contas das lojas. O custo extra reduz a margem de lucro e limita promoções. Como resultado, o setor trabalha com expectativa moderada para os próximos meses.
Comparação com outras capitais
São Luís lidera o ranking acumulado do ano entre as capitais pesquisadas. Outras cidades do Nordeste ficaram abaixo da média maranhense no período. O resultado reflete, sobretudo, o peso da conta de luz no orçamento das famílias locais.
Dicas para aliviar o impacto no bolso
Especialistas sugerem revisar o consumo de energia em casa e comparar preços na hora das compras. Pequenas mudanças de hábito ajudam a reduzir a conta no fim do mês. A troca de lâmpadas e o uso consciente de aparelhos são medidas simples.
Na alimentação, a recomendação é aproveitar produtos da estação, que costumam ser mais baratos. Feiras livres e atacados oferecem preços menores do que os supermercados em vários itens.
O que esperar daqui para frente
No acumulado de 12 meses, a taxa em São Luís recuou para 4,32%. O número ficou abaixo da média nacional, de 4,58%, e dentro do teto da meta do Banco Central. Mesmo assim, o mercado projeta inflação de 4,99% para 2026 no país.
Para os próximos meses, economistas recomendam atenção à energia elétrica e aos alimentos. O comportamento desses dois grupos deve definir se São Luís encerra o ano com a maior inflação entre as capitais. A expectativa é de alívio gradual, mas sem trégua para o consumidor de renda baixa.
Com informações de O Imparcial.
Imagem: reprodução / O Imparcial
O Ludovico



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