FMF: intervenção chega a 435 dias sem data para eleição
A intervenção na FMF já soma 435 dias e continua sem data para a eleição que deve devolver o comando da federação aos clubes do Maranhão. A informação foi publicada nesta quarta-feira (14) pelo jornal O Imparcial, que ouviu dirigentes de clubes e ligas do estado.
O prazo inicial previsto para a junta interventora era de apenas três meses. A gestão judicial foi imposta pela Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, mas a disputa entre a CBF, o Ministério Público do Maranhão e a diretoria afastada travou qualquer acordo.
Intervenção na FMF acumula audiências sem acordo
A última tentativa de conciliação aconteceu em 26 de maio deste ano. A reunião terminou sem entendimento, e a Justiça maranhense apresentou uma proposta própria para destravar o caso.
A ideia era reduzir de quase R$ 2 milhões para R$ 50 mil a multa por danos morais coletivos pedida pelo Ministério Público. Em troca, o presidente afastado Antônio Américo Lobato Gonçalves e sua diretoria deveriam aceitar a renúncia e antecipar o fim dos mandatos.
Com isso, uma nova eleição para a presidência da FMF ocorreria em até 75 dias. O acordo não avançou, e as partes seguem sem consenso.
O que pesa contra a intervenção na FMF
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não concordou com a intervenção judicial desde o início. Para a entidade nacional, a decisão interfere na autonomia das federações estaduais.
Do outro lado, o Ministério Público sustenta que houve irregularidades na gestão anterior. Os dirigentes de clubes e ligas acreditam que a junta atual deve permanecer até o fim do ano, quando termina o mandato do presidente afastado.
Na avaliação dos dirigentes, é esse o momento para convocar novas eleições. Assim, o calendário estadual de 2027 não ficaria exposto a mais uma temporada de indefinição.
Já há planejamento para 2027, mas o comando segue incerto
Apesar do impasse, a junta interventora já reuniu os clubes para discutir o Estadual de 2027. O campeonato maranhense do próximo ano terá seis clubes da Grande Ilha na elite, segundo o planejamento já apresentado.
O problema é institucional. Enquanto a Justiça não define o comando da federação, Sampaio Corrêa, Moto Club, MAC e os demais clubes negociam contratos, elencos e cotas sem saber quem assinará os documentos oficiais da temporada.
Intervenção na FMF: como o caso chegou à Justiça
O processo corre na Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, sob o comando do juiz Douglas Martins. A junta interventora é chefiada por Susana Andrade, que assumiu a federação depois do afastamento da diretoria eleita.
O presidente afastado é Antônio Américo Lobato Gonçalves. O mandato dele termina no fim de 2026, e é justamente esse prazo que os dirigentes de clubes e ligas observam com atenção.
Para os dirigentes, a saída natural é esperar o encerramento do mandato e convocar novas eleições. Assim, o próximo presidente da FMF já assumiria com mandato próprio e poderia conduzir o Estadual de 2027 sem questionamentos jurídicos.
O que a indefinição custa ao futebol do Maranhão
A federação é a entidade que organiza o Campeonato Maranhense, filia os clubes à CBF e define o calendário da temporada. Sem um comando estável, decisões sobre datas, regulamento e registro de atletas ficam sujeitas a contestações.
Além disso, a própria CBF não reconhece a intervenção judicial. Esse ponto é delicado, porque a confederação controla inscrições em competições nacionais como a Série C e a Série D.
Na prática, Sampaio Corrêa, Moto Club e MAC seguem jogando e negociando elencos. No entanto, a estrutura que dá respaldo a essas competições continua sob uma gestão provisória que já dura 435 dias.
O que esperar daqui para frente
Agora, o processo depende de uma decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal (STF). Só depois desse desfecho a federação terá um caminho claro para a eleição.
Recentemente, os clubes manifestaram interesse em ver o impasse resolvido ainda em 2026. A pressão dos dirigentes, no entanto, não tem poder para acelerar o ritmo da Justiça. Portanto, a eleição da FMF segue sem data, e o futebol maranhense continua administrado por uma junta que deveria ter durado três meses.
Uma intervenção prevista para durar três meses
Considerando o prazo informado pelo jornal, a intervenção na federação começou em meados de 2025. De lá para cá, o comando da entidade passou por prorrogações sucessivas, sem que as partes chegassem a um acordo.
A cada prorrogação, os clubes precisam conviver com um calendário provisório. Isso atrasa o planejamento de elenco, a venda de patrocínios e a definição de datas das partidas.
Enquanto o STF não se manifesta, o futebol maranhense segue administrado por uma junta que tinha prazo de três meses e já acumula mais de catorze meses de atuação.
Com informações de O Imparcial.
(Foto: Reprodução / Divulgação)
O Ludovico



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