Lula vê material de Ciro com sua imagem e avisa: “Ele não está comigo”
O presidente Lula. Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert
O presidente Lula reagiu nesta sexta-feira (4) à circulação de materiais eleitorais que associam sua imagem à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Ceará. Em entrevista à Rádio Progresso, de Juazeiro do Norte, o petista afirmou ter visto peças em que aparece ao lado do ex-ministro e deixou claro que seu candidato no estado é o governador Elmano de Freitas (PT).
“Eu já vi material do Ciro comigo”, disse Lula. Em seguida, afirmou que o eleitor precisa saber que os dois estão em campos opostos nesta eleição: “O Ciro não está comigo. O Ciro está com outra pessoa. Quem está comigo é o Elmano”. O presidente acrescentou que quem quiser escolher o tucano deve fazê-lo por apoio ao próprio Ciro, e não por acreditar que exista uma aliança entre os dois.
Lula foi ainda mais direto ao explicar o rompimento político. Segundo ele, Ciro “fez uma opção” e “foi para o outro lado”. Hoje, a candidatura do tucano ao governo cearense conta com o apoio do PL, partido de Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro. A direção do PL no Ceará manteve a aliança com Ciro mesmo diante da resistência de Michelle Bolsonaro, que chegou a pressionar a legenda a abandonar o acordo.
Lula comenta sobre associação com Ciro Gomes em materiais de campanha do Ceará: “Foi pro outro lado” pic.twitter.com/WK697ZQ4Bm
— deok (@lauricadeok) September 5, 2026
Na entrevista, Lula também delimitou seu palanque estadual. Além de Elmano para o governo, declarou apoio a Cid Gomes (PSB) e Luizianne Lins na disputa pelo Senado. “O Lula só tem um candidato no Ceará: chama-se Elmano”, afirmou. A divisão colocou os irmãos Ciro e Cid Gomes em lados opostos, já que o irmão do tucano decidiu disputar a reeleição ao Senado integrado à aliança de Lula e Elmano.
A aproximação de Ciro com o campo bolsonarista tornou-se um dos principais elementos da campanha estadual. O próprio tucano já defendeu publicamente os aliados de direita que compõem seu grupo e, em julho, disse que não cogitava votar em Flávio Bolsonaro para presidente. A composição, portanto, reúne no Ceará grupos que podem adotar escolhas distintas na disputa presidencial, enquanto Lula tenta impedir que sua força eleitoral no estado seja associada à candidatura adversária.
Depois da entrevista, Lula seguiu para uma agenda institucional no Cariri e anunciou que, encerrados os compromissos como presidente, entraria diretamente na campanha estadual. Ele disse que iria “tirar a roupa de presidente” e “vestir a roupa de candidato” para pedir votos a Elmano, Cid e Luizianne.


