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Mendonça convoca PF e entrega despacho sobre Moraes

Mendonça convoca PF e entrega despacho sobre Moraes

Mendonça convoca PF e entrega despacho sobre Moraes

O ministro André Mendonça, do STF. Reprodução

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), convocou integrantes da Polícia Federal para uma reunião sob o pretexto de discutir uma diligência sobre outro assunto e, no encontro, apresentou um despacho já pronto determinando uma análise de mensagens envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. A movimentação provocou desconforto entre investigadores, que consideraram o ato como uma armadilha e viram risco de interferência na condução das apurações. As informações são da Folha de S.Paulo.

A reunião ocorreu em 24 de agosto, a pedido de Mendonça. Segundo investigadores ouvidos pelo jornal, os policiais acreditavam que tratariam de outra diligência quando receberam a determinação do ministro. O despacho estabelecia prazo de 72 horas para que a PF analisasse determinadas mensagens encontradas no celular de Vorcaro e identificasse todas as pessoas mencionadas.

A ordem abrangia inclusive autoridades com foro no Supremo e pessoas cujo julgamento cabe ao plenário da Corte, como ministros do próprio STF e o procurador-geral da República. Setores da PF interpretaram a medida como uma tentativa de Mendonça de conduzir diretamente uma investigação que, na avaliação dos policiais, cabe à corporação.

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do STF Alexandre de Morais. Reprodução

O principal temor é que a análise das conversas entre Moraes e Vorcaro seja posteriormente interpretada como o início de uma investigação policial contra o ministro sem autorização do plenário do STF. Investigadores avaliam que isso poderia abrir espaço para questionamentos jurídicos e até para a anulação de outras apurações relacionadas ao Banco Master.

A preocupação coincide com a posição do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que pediu a nulidade da decisão de Mendonça. Segundo o PGR, o ministro não poderia utilizar a Polícia Federal como sua “longa manus” para atividades que não lhe foram atribuídas. Gonet também afirmou que a ordem foi expedida sem pedido do Ministério Público e sem iniciativa da própria autoridade policial.

O episódio amplia o desgaste entre Mendonça e a cúpula da PF. O ministro já vinha cobrando o andamento de investigações e determinando maior controle sobre procedimentos sob sua relatoria. Do outro lado, integrantes da corporação têm interpretado algumas dessas decisões como intromissões na autonomia da Polícia Federal para definir como conduzir suas investigações.

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