Mesmo com acordo de cessar-fogo, Israel mantém ofensiva e ataca regiões do Líbano
Apesar do acordo de cessar-fogo assinado entre Israel e Líbano, com a articulação dos Estados Unidos, as forças israelenses voltaram a atacar o território libanês nesta quinta-feira (4), em regiões do sul e do leste do país. Além disso, o governo de Israel afirmou que manterá as operações militares na região, afirmando que a trégua depende da interrupção de ataques do Hezbollah. As negociações, no entanto, ocorreram sem a participação do grupo.
Em paralelo, o Líbano iniciou, também nesta quinta, a chamada “mobilização piloto” das tropas ao sul do país. Esse movimento estava previsto no acordo firmado entre os países na quarta-feira. Israel e Líbano concordaram em criar uma “zona piloto” no sul do país, em que o exército libanês terá controle exclusivo da região.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, confirmou que suas tropas continuarão no território e que a população libanesa deslocada pelo conflito não poderá retornar enquanto as ofensivas de Israel contra o Hezbollah continuarem em curso.
Em comunicado divulgado poucas horas após o acordo, Katz declarou que as Forças de Defesa de Israel (FDI) permanecerão em áreas estratégicas da região e seguirão realizando ações militares.
“As FDI continuarão suas operações de fogo e terrestres, permanecerão na zona de segurança no Líbano até a linha amarela — inclusive na área de Beaufort — e sem o retorno da população, enquanto continuam a desmantelar infraestrutura terrorista no terreno”, afirmou.
A agência oficial de notícias do Líbano informou que uma série de ataques com drones deixou feridos em vários pontos do país. Enquanto isso, as forças israelenses renovaram as ordens de evacuação para as áreas ao sul do rio Zahrani.
As autoridades israelenses também comunicaram que têm direito de continuar os ataques a Beirute caso ocorram novos disparos contra territórios de Israel.
Segundo o ministro, as forças israelenses preservam a “liberdade de ação, com apoio norte-americano, para atacar em Beirute em resposta a fogos contra comunidades e territórios israelenses”.
Acordo de cessar-fogo
Nesta quarta-feira (3), Israel e Líbano concordaram com as condições previstas no cessar-fogo mediado por Washington. O acordo prevê a suspensão das hostilidades, a retirada de combatentes do Hezbollah das áreas ao sul do rio Litani e a criação de zonas de segurança sob controle exclusivo das Forças Armadas libanesas.
O governo libanês classificou o acordo como uma “última chance” para um fim definitivo do conflito. Já o Hezbollah, que não participou das negociações, rejeitou os pontos previstos na proposta e classificou a retirada das tropas como uma rendição. O grupo também exigiu a completa retirada dos militares israelenses do território libanês.
De acordo com autoridades locais, o conflito entre Israel e Líbano já deixou mais de 3,5 mil pessoas mortas e mais de um milhão deslocados na região. O confronto também é um ponto central para as negociações entre Estados Unidos e Irã, outra frente de tensão no Oriente Médio.
O governo iraniano afirmou que qualquer ataques israelense contra Beirute pode gerar uma nova escalada do conflito na região e prejudicar o já frágil acordo de cessar-fogo com os Estados Unidos.

/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/x/V/ZaVQKmQ0qxdXoe4OsKdA/design-sem-nome.png)