Ministério Público Eleitoral usou Inteligência Artificial para identificar candidatos inelegíveis no Maranhão
O Ministério Público Eleitoral utilizou inteligência artificial para ajudar a identificar possíveis casos de inelegibilidade entre candidatos nas eleições de 2026 no Maranhão. A ferramenta foi empregada na análise de 617 registros de candidatura dentro do prazo de apenas cinco dias estabelecido pela legislação eleitoral.
O sistema utilizado pelo MP Eleitoral é o Sistema de Automação de Impugnação de Registro de Candidatura (Sairc), desenvolvido pelo procurador regional eleitoral no Maranhão, Tiago de Sousa Carneiro. A ferramenta foi criada para acelerar uma etapa que, de forma manual, exigiria a consulta individual de centenas de documentos e diferentes bases de dados.
O trabalho terminou com 55 ações de impugnação de registro de candidatura apresentadas ao Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA). O número representa um aumento de aproximadamente 77% em relação a 2022, quando 31 candidaturas foram contestadas pelo Ministério Público Eleitoral.
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Como funciona a IA
O Sairc funciona como uma espécie de pente-fino digital. A ferramenta reúne e cruza informações provenientes de diferentes bases oficiais, entre elas dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Tribunais de Contas, Controladoria-Geral da União (CGU) e do sistema Radar, alimentado com informações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O sistema também consegue baixar processos disponíveis no Processo Judicial Eletrônico (PJe) e organizar os documentos para facilitar a consulta pelos procuradores.
Depois de reunir essas informações, a inteligência artificial faz uma triagem preliminar, apontando possíveis indícios de inelegibilidade que precisam ser analisados pelos integrantes do Ministério Público.
Ou seja: a IA não decide quem está inelegível e também não determina quem será impugnado. Ela aponta possíveis problemas e agiliza o levantamento das informações.
Decisão continua nas mãos dos procuradores
A etapa mais importante continua sendo humana. Cabe ao membro do Ministério Público analisar os dados apresentados pela ferramenta, verificar os documentos e avaliar juridicamente cada situação antes de decidir pela apresentação ou não de uma impugnação.
Segundo o procurador Tiago de Sousa Carneiro, a tecnologia foi adotada justamente para ganhar tempo diante do prazo reduzido para análise.
O Ministério Público Eleitoral tem apenas cinco dias corridos após a publicação dos editais de registro para apresentar eventuais impugnações. Nesse período podem estar incluídos sábados, domingos e feriados.
Mais impugnações mesmo com menos registros
O resultado chama atenção também pelos números.
Em 2022, o Ministério Público analisou 959 registros de candidatura e apresentou 31 impugnações. Em 2026, foram 617 registros, mas o número de contestações subiu para 55.
Isso significa que, mesmo diante de 342 registros a menos, o MP Eleitoral apresentou 24 impugnações a mais neste ano.
A impugnação, entretanto, não significa que o candidato esteja definitivamente impedido de disputar a eleição. Cada caso será analisado pela Justiça Eleitoral, que decidirá se o registro será deferido ou não.
O que muda nesta eleição é a forma como o Ministério Público está fazendo a primeira varredura: a tecnologia procura os sinais, os procuradores fazem a análise jurídica e a Justiça Eleitoral dá a palavra final.


