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Nenhum dos oito candidatos ao governo do MA diz como vai pagar o que promete para a saúde – Atual7

Nenhum dos oito candidatos ao governo do MA diz como vai pagar o que promete para a saúde – Atual7

Nenhum dos oito candidatos ao governo do MA diz como vai pagar o que promete para a saúde – Atual7

Nenhum dos oito candidatos ao governo do Maranhão nas eleições de 2026 diz de onde virão os recursos para o que promete na área da saúde. Nos planos de governo registrados no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), dentre outras promessas, eles preveem novos hospitais regionais, uma maternidade de alta complexidade, leitos de UTI (unidade de terapia intensiva), um Hospital do Coração, centros de tratamento de câncer, bases do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) em todos os 217 municípios do estado e concursos para todas as categorias profissionais, mas nenhum informa quanto isso custa ou qual fonte orçamentária vai bancar a despesa.

O Atual7 leu os planos de governo de todos os candidatos na íntegra, incluindo as duas versões registradas por Eduardo Braide (PSD), que diferem em uma única proposta, genérica, sobre desenvolvimento dos municípios. Ao todo, são 709 páginas, disponíveis para acesso no DivulgaCandContas (Sistema de Divulgação de Candidaturas e de Prestação de Contas Eleitorais), do TSE. Para cada promessa de saúde, a reportagem verificou se o plano informa o que será feito, em que quantidade, onde, até quando e com quais recursos. Menção genérica a fontes federais em outras partes do plano de governo, sem vínculo com a proposta de saúde, não foi considerada indicação de custeio.

O Maranhão tem 1,27 médico por mil habitantes, a menor proporção do país, segundo o Demografia Médica 2025, estudo produzido pelo Ministério da Saúde em parceria com a FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e a AMB (Associação Médica Brasileira). De acordo com o Boletim Social do Imesc (Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos), divulgado no ano passado, 92,6% da população maranhense não tem cobertura de plano de saúde privado. Dados do SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade) e do Sinasc (Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos), do Ministério da Saúde, apontam que, em 2024, a mortalidade infantil no Maranhão foi de 12,7 óbitos por mil nascidos vivos, contra 11,5 no Brasil.

Sete candidatos também não dizem quantidade, local ou prazo de execução das promessas de saúde. A única exceção parcial é Roberto Rocha (PRTB), que estabelece metas numéricas para o mandato, caso eleito, mas mesmo nesse caso a memória de cálculo apresentada não informa valor. Uma das duas metas, além disso, já foi alcançada, segundo os dados oficiais de 2024.

Abaixo, em ordem alfabética do nome registrado na urna eletrônica, o que cada candidato ao Palácio dos Leões promete na área da saúde e o que deixa de dizer:

André Luis (Missão)

André Luis dedica à saúde 22 propostas organizadas em nove eixos, uma delas voltada a policlínicas veterinárias. Promete fila por prioridade clínica com a posição informada ao paciente, um “relógio assistencial” que não reinicia quando o paciente é transferido, prontuário eletrônico estadual, cofinanciamento permanente da atenção primária e um painel público de falta de medicamentos por unidade. A única obra hospitalar prevista, uma nova unidade de urgência na Região Metropolitana, fica condicionada a um estudo de demanda a ser feito antes da construção. Não há número, prazo nem fonte de recursos.

Dimas Cassimiro (PCO)

Dimas Cassimiro registrou um programa nacional, sem propostas específicas para o Maranhão. Na saúde, defende piso salarial de R$ 8 mil para os profissionais da área e a volta do Mais Médicos, ambos atribuições da União.

Eduardo Braide (PSD)

Eduardo Braide reserva cinco itens à saúde. Promete o Programa Hospital Novo, para construção de hospitais regionais e macrorregionais, Espaços TEA (Transtorno do Espectro Autista) regionais para atendimento a pessoas com autismo, hospitais de câncer em parceria com o Hospital Aldenora Bello, gratificação a agentes comunitários de saúde e de combate a endemias e ampliação do acesso a medicamentos especializados. O plano não diz quantos hospitais serão construídos, em quais cidades, até quando nem com que dinheiro.

Felipe Camarão (PT)

Felipe Camarão promete Samu nos 217 municípios do estado, por meio do programa “Maranhão Saúde para Todos”, linhas de cuidado para AVC (acidente vascular cerebral), infarto e trauma e um programa chamado “Maranhão Cuida”, para levar oncologia e radioterapia a cada macrorregião. No programa “Saúde mental perto de casa”, prevê Caps (Centro de Atenção Psicossocial) e leitos em todas as regiões, Caps em metade dos municípios e ambulatório especializado nos 217. Promete ainda retomar o “Mãe Maranhense” e regionalizar o Ninar, entregue em 2017 e concentrado na capital. Camarão registra ainda em seu plano que os grupos de trabalho de Saúde, Esporte e Infâncias da campanha divergiram sobre o ritmo de expansão da rede de saúde mental infantojuvenil e afirma que a questão seria resolvida ao final da seção de compromissos. O trecho prometido, porém, não existe no documento. E nenhuma das propostas de saúde traz prazo nem fonte de recursos.

Orleans Brandão (MDB)

Orleans Brandão tem a lista mais longa de promessas para a saúde, com 33 itens numerados. Promete uma maternidade de alta complexidade na Baixada Maranhense, ampliação do Hospital Macrorregional de Presidente Dutra com UTI adulto e pediátrica, serviços de urgência em ortopedia, neurocirurgia e cardiologia em Timon, um Hospital do Coração, centros regionais de diagnóstico por imagem, novas bases do Samu e unidades móveis fluviais para comunidades ribeirinhas e quilombolas. Nenhum item traz prazo, valor ou fonte de recursos. Parte das propostas, como a ampliação das Policlínicas e a política de transplantes, dá continuidade a programas do atual governo, comandado pelo tio, Carlos Brandão (MDB).

Reginaldo Lima (PCB)

Reginaldo Lima não apresenta proposta de saúde para o estado. O plano faz diagnóstico da falta de médicos no interior e propõe expansão da rede de saúde sexual e reprodutiva e a legalização do aborto, matéria de competência federal.

Roberto Rocha (PRTB)

Roberto Rocha é o único a fixar metas numéricas. O candidato promete elevar a proporção de médicos de 1,27 para pelo menos 1,60 por mil habitantes até 2030, o que corresponde, segundo a própria proposta, a cerca de 2.310 médicos a mais, ou 580 por ano, e reduzir a mortalidade infantil para menos de 13 óbitos por mil nascidos vivos. Contudo, essa meta de redução de mortalidade infantil parte de um dado defasado. O plano usa 14,8 óbitos por mil, número de 2023, e promete chegar a menos de 13 em 2030. Ocorre que dados de 2024 do SIM e do Sinasc registram 12,7 óbitos, ou seja, o patamar prometido já foi atingido antes da eleição. O plano prevê ainda uma fila única estadual digital com publicação do tempo de espera por região e procedimento, carreira estadual para médicos e enfermeiros com remuneração diferenciada por localização e comitês de investigação de óbito infantil nas regionais de saúde. O documento afirma que “prédio não é atendimento” e propõe expandir a rede existente em vez de construir novos hospitais. A memória de cálculo das metas menciona residência médica e incentivos de fixação, mas não informa quanto custam nem de onde sai o dinheiro.

Roberto Rocha teve o registro de candidatura indeferido pelo pleno do TRE-MA em 14 de setembro, por unanimidade, por não comprovar filiação ao PRTB no prazo legal. O tribunal apontou indícios de fraude e simulação na filiação e enviou cópia dos autos ao Ministério Público Eleitoral. O candidato e o partido opuseram recurso pedindo a reversão da decisão. A Procuradoria Regional Eleitoral opinou em 27 de setembro pela manutenção do indeferimento, e os embargos aguardam julgamento pelo tribunal. Rocha concorre sub judice.

Saulo Arcangeli (PSTU)

Saulo Arcangeli promete concursos públicos para todas as categorias profissionais da saúde, abertura de leitos clínicos, cirúrgicos, obstétricos, pediátricos e de UTI em todas as macrorregiões, ampliação do cofinanciamento aos municípios e execução direta das atividades permanentes do SUS (Sistema Único de Saúde) pelo Estado. É o único a citar no plano a Emserh (Empresa Maranhense de Serviços Hospitalares), que administra 26 dos 43 hospitais que compunham a rede de gestão estadual descrita no Plano Estadual de Saúde 2024–2027, o equivalente a 60,5%. O candidato, porém, não diz o que fará com a empresa. Qualquer ampliação da rede estadual passa pela empresa, que administra a maior parte dos hospitais do Estado, ou pela decisão de substituí-la. Saulo também não apresenta nas outras promessas número, prazo nem fonte de recursos.

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