Os norte-americanos contra o genial Alcaraz
Uma coisa é certa: se o espanhol Carlos Alcaraz quiser repetir a final do ano passado em Nova York, terá de enfileirar as esperanças da casa e frustrar uma torcida que não vê títulos masculinos no US Open há 23 anos.
O primeiro passo foi um show. Carlitos despejou todo seu repertório em cima de Tommy Paul e estava num dia particularmente inspirado. Mostrou-se mais firme em todos os campos e fui muito bom ver o forehand bem solto, obtendo golpes muito velozes e perfeitos.
O próximo da lista será o canhoto Ben Shelton, semifinalista em Flushing Meadows em 2023, tendo perdido os três confrontos para Alcaraz, todos na quadra dura . Conforme o esperado, o número 9 do ranking dominou o grego Stefanos Tsitsipas exibindo paciência para trocar bolas e o tradicional serviço forçado.
A outra partida de quartas de final já definida envolve mais dois norte-americanos: Frances Tiafoe, que parece ter recuperado seu melhor tênis, e o surpreendente Alex Michelsen, 22 anos e sem um único set perdido nas quatro partidas feitas.
Claro que Tiafoe, que já derrotou Alcaraz no saibro de Barcelona, ainda que em 2021, é o favorito, ainda mais pela exibição firme que teve diante de Daniil Medvedev. O russo liderou os tiebreaks do primeiro e terceiro sets, mas não capitalizou. Foi apenas a segunda vitória de Tiafoe sobre o campeão de 2021 em oito duelos.
Michelsen é por enquanto a maior surpresa nas quartas de final masculinas. Tirou Brandon Nakashima na segunda rodada, a revelação Daniel Mérida em seguida e neste domingo deu poucas oportunidades ao experiente Tomas Etcheverry. “Meu jogo melhorou depois que parei de quebrar raquetes e reclamar com o box”, contou ele em entrevista recente.
Campeãs de Slam frente a frente
A batalha de Aryna Sabalenka para chegar ao raro tricampeonato em Nova York e manter o número 1 do mundo terá de passar pela recente campeã de Wimbledon, a tcheca Linda Noskova. A bielorrussa ganhou os dois jogos já feitos, um deles em Indian Wells de março, mas certamente vai encarar seu maior teste até aqui.
A partida contra a canhota Taylor Townsend foi diferente. Sabalenka não sacou tão bem, perdendo incríveis quatro serviços em apenas dois sets, e saiu de quadra com menor número de winners (14 a 16). Mas se deu melhor nos contragolpes, aproveitando sete de 14 break-points.
Semifinalista dos dois mais recentes Slam, a ucraniana Marta Kostyuk foi muito competitiva contra Noskova. A sexta do mundo poderia ter simplificado e fechado no segundo set, mas Kostyuk lutou muito o tempo todo, salvandonada menos que cinco match-points antes da queda.
Quem também segue na luta pela liderança e por seu primeiro Slam é Jessica Pegula. A finalista de 2024 investiu na consistência e nas devoluções agressivas, derrotando a romena Sorana Cirstea com muito maior facilidade do que aconteceu duas semanas atrás em Cincinnati. Aguarda agora quem passar entre Emma Navarro e Anna Kalinskaya.
E mais
– Alcaraz “fechou” o Grand Slam em cima de Paul, tendo vencido o ex-top 10 seguidamente nos quatro maiores torneios e ainda por cima nos Jogos de Paris.
– A queda de Tsitsipas acaba com uma tradição de 150 anos no tênis masculino. Pela primeira vez, não houve um tenista com backhand de uma mão em qualquer semifinal de Slam.
– Michelsen é o quinto “next gen” a fazer quartas de Slam neste ano, seguindo os passos de Learner Tien (Australian Open), João Fonseca, Rafael Jódar e Jakub Mensik (todos em Roland Garros).
– Com a campanha, Shelton volta provisoriamente para o top 5. Já Tiafoe retornará aos 10 primeiros se chegar na semi.
– Sabalenka tem estado em todas as quartas de final de Slam que disputou desde o US Open de 2022, com exceção às oitavas de Wimbledon deste ano.
– Pegula garante sua melhor temporada em termos de Slam, com semi na Austrália e quartas em Wimbledon e US Open, superando as três quartas que obteve em 2022.
– Os universitários Brandon Carpico e Nikita Filin encerraram a presença brasileira nas duplas masculinas. Depois de surpreender Matos e Luz, tiraram agora Marcelo Melo e o australiano John Peers.
– O dia também não foi bom na abertura da chave juvenil, com as quedas de Victoria Barros, Leonardo Storck e Francisco Damorim. Ao menos Guto Miguel avançou, mas precisou de supertiebreak. Ainda faltam estrear Naná Silva e Pedro Chabalgoity.


