Os R$ 277 milhões que Vorcaro desviou do Master para ajudar empresas de familiares
Nathália, Henrique e Daniel Vorcaro. Foto: reprodução
Documentos internos do Banco Master indicam que Daniel Vorcaro e familiares realizaram uma operação financeira às vésperas da liquidação da instituição para cobrir um rombo de R$ 776,9 milhões. Segundo a liquidante do banco, os recursos foram repassados a uma rede de empresas e fundos ligados à família do banqueiro, em meio ao avanço das apurações da Polícia Federal (PF) e do Banco Central (BC).
Segundo o Globo, autoridades suspeitam que o dinheiro tenha sido desviado do Master para uso particular, por meio da compra de mansões e jatinhos. A operação, segundo a apuração, teria como objetivo dificultar o rastreamento dos valores e ocultar o patrimônio da família Vorcaro.
Henrique Vorcaro, pai do dono do Master, e Natália Vorcaro, irmã do banqueiro e casada com o pastor Fabiano Zettel, tiveram bens protestados em ação movida pela liquidante. A medida busca impedir o esvaziamento patrimonial e proteger eventuais ressarcimentos aos credores da instituição até a conclusão da liquidação.
A suspeita é que, a partir de uma operação iniciada em 2022, recursos milionários do cofre do banco tenham financiado, entre outros bens, uma mansão de US$ 35 milhões na Flórida, nos Estados Unidos. A defesa de Henrique e Natália nega irregularidades e afirma que os negócios citados foram lucrativos para o Master.
“Não há qualquer ato ilícito atribuível à família, que sequer tem conhecimento destes fundos mencionados, os quais tem tomado ciência apenas após tais inquinações”, afirmou a defesa.
Fachada do Banco Master em SP. Foto: reprodução
O suposto desvio começou após um fundo de investimento ligado ao Master, chamado City, adquirir de empresas da família Vorcaro títulos conhecidos como recebíveis. Nesse tipo de operação, uma empresa antecipa valores que teria a receber no futuro ao vender esses créditos no mercado.
Documentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mostram que, em 2022, o fundo City repassou R$ 419,9 milhões a empresas familiares em troca da promessa de receber R$ 798 milhões nos anos seguintes. A liquidante, porém, aponta indícios de que esses recebíveis eram “podres”, sem lastro real ou chance concreta de pagamento.
“Os indícios apresentados corroboram a tese de que os Requeridos, familiares próximos do ex-controlador, possam ter atuado de forma consorciada para a canalização, desvio e ocultação de recursos bilionários”, afirmou decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que autorizou o protesto dos bens.
O rombo veio a público no início de 2025, quando o fundo City informou ao mercado perda de 61,25% do patrimônio apenas em março. Em junho, o saldo negativo por calotes chegou a R$ 714,9 milhões. Meses antes da liquidação do Master, o fundo vendeu o pacote de recebíveis por R$ 776,9 milhões para a Navarra S.A..
A liquidante identificou que a Navarra tinha como beneficiário final o próprio Vorcaro, por meio dos fundos Lunar e Astralo 95. Este último é apontado nas investigações como um dos “cofres” usados pelo banqueiro. A suspeita é que a operação serviu para mascarar a dívida da família na contabilidade do Master e do fundo City.
Semanas depois, a administradora do City admitiu a irrecuperabilidade dos ativos e queda de 99,98% no valor das cotas. A decisão também citou indícios de que os recursos financiaram uma vida de alto luxo, incluindo uma propriedade em Windermere, na Flórida, avaliada em US$ 35 milhões.


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