‘Plágio de Bukele’, candidato de extrema direita recebe apoio de ex-presidente Uribe em 2º turno na Colômbia
O candidato de extrema direita à Presidência da Colômbia, Abelardo de la Espriella, recebeu o apoio do ex-mandatário colombiano Álvaro Uribe.
Em mensagem publicada em suas redes sociais, o líder de direita declarou voto no candidato que saiu na frente no primeiro turno das eleições realizadas neste domingo (31). Advogado e empresário, admirador de outros presidentes de extrema direita no continente, De la Espriella obteve mais de 43% dos votos, superando o candidato de esquerda, Iván Cepeda, considerado sucesso do atual presidente Gustavo Petro.
Ambos vão disputar o 2º turno no dia 21 de junho.
Uribe, conhecido por sua política de repressão sistemática a grupos guerrilheiros e movimentos populares quando era presidente (2002 a 2010), apoiava a senadora Paloma Valencia, que ficou em terceiro lugar na corrida do domingo, com apenas 6%.
O apoio do chamado “uribismo” ao candidato da extrema direita é considerado um ponto importante para que os setores mais conservadores da política colombiana conquistem votos contra Cepeda e coloquem fim ao projeto de esquerda que governa pela primeira vez a Colômbia e leva a cabo uma agenda de reformas estruturais, como a reforma agrária, trabalhista, previdenciária e da saúde.
‘Plágio de Bukele’
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a internacionalista Amanda Harumy, doutora pelo Programa de Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (Prolam-USP), avalia que o desempenho da extrema direita foi surpreendente.
“Foi uma virada assustadora. A previsão do Pacto Histórico era, inclusive, vencer no primeiro turno. Ao mesmo tempo, quando a gente faz uma análise mais ampla sobre as eleições na América Latina, como aconteceu em Honduras e na Argentina, a gente percebe que os últimos dias antes das eleições são muito voláteis e recebem influência externa direta, como ataques comunicacionais e posicionamentos financeiros de países que podem impactar a eleição. A extrema direita mostra que tem uma força e que se aglutina rapidamente. Porque a gente tinha uma disputa entre uma direita tradicional e a nova extrema direita, do Abelardo, que mostra que tem uma força na Colômbia”, explica.
Para Harumy, La Espriella inova por trazer seguidores a partir de um discurso extremista que desagrada até mesmo os conservadores alinhados ao uribismo. “Ele [Abelardo de La Espriella] é um plágio de personalidade política do Bukele, do Noboa, dessa extrema direita da América Latina que utiliza aquelas cores de ser nacionalista, da família, conservador, algo inclusive que a gente já conhece aqui no Brasil com o bolsonarismo. Mas ele atualiza porque o uribismo sempre foi uma força da extrema direita na Colômbia mas muito ligado ao Uribe, aos posicionamentos do [ex-presidente Álvaro] Uribe. E hoje ele [Abelardo] representa a nova extrema direita que até mesmo Uribe achava radical”, aponta.
Amanda Harumy destaca que o presidente Gustavo Petro colocou a Colômbia mais à esquerda e bateu de frente com a ingerência histórica dos Estados Unidos. Esse cenário, evidentemente, desagrada o governo Donald Trump.
O número de abstenções no primeiro turno superou os 40%, um número muito alto que, segundo a analista, é possível ser um reflexo desse processo de criminalização da política e pressões dentro dos territórios. Além disso, Harumy traça um paralelo ao que aconteceu em Honduras, com evidências de interferências dos EUA e Israel.
“Assim como outros sistema eleitorais já foram fragilizados em processos eleitorais recentes, como em Honduras. É uma denúncia muito grave. E não são poucos votos que eles pedem a recontagem. São 870 mil votos. A fragilidade do processo democrático é algo preocupante. É importante lembrar que Gustavo Petro representou uma ruptura de uma política externa da Colômbia sempre alinhada aos EUA e aos interesses dos EUA”, pontua. “O processo de Petro foi histórico, a vitória pela primeira vez da esquerda, um governo que constrói essa perspectiva da paz. Teve avanço em reformas sociais, na reforma trabalhista, agrária, na educação, mas teve dificuldades, porque é um país que tem a influência do paramilitarismo e do narcotráfico.”
Para ouvir e assistir
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