Setembro Verde: Maranhão salta para 11º no ranking nacional de transplantes
O Maranhão vive um momento histórico na área de transplantes. No mês do Setembro Verde, campanha nacional de conscientização sobre doação de órgãos e tecidos, o estado comemora avanços que chamam a atenção no cenário nacional. Depois de ocupar a última posição no ranking brasileiro, o Maranhão saltou para o 11º lugar.
O salto representa uma virada no sistema de saúde pública maranhense. Em 2023, teve início o Plano de Aceleração de Transplantes, coordenado pela Central Estadual de Transplantes (CET) em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde (SES), hospitais públicos e instituições parceiras. O resultado desse esforço coletivo começa a aparecer agora, com números que impressionam.
Fila de fígado zerada e córnea a caminho
Um dos maiores feitos foi zerar completamente a fila de espera por transplante de fígado. O governo estadual projeta que a fila de transplante de córnea também seja eliminada até o final deste ano. Em 2022, mais de mil pessoas aguardavam por uma córnea no Maranhão. Hoje, esse número caiu para cerca de 150 pacientes.
O governador Carlos Brandão celebrou o resultado nas redes sociais nesta quinta-feira (10). “Com o trabalho conjunto, zeramos a fila de espera por fígado e avançamos para zerar a de córneas. Essa vitória é do SUS e de todos os profissionais envolvidos nessa corrente pela vida”, afirmou.
O avanço na captação de órgãos reflete uma reorganização do sistema. Em julho deste ano, o estado atingiu o maior número de transplantes de córnea realizados em um único mês em 25 anos de história do serviço. A meta agora é superar o total de 2025, ano em que foram realizados 500 procedimentos do tipo.
O papel da rede pública
A secretária de Estado da Saúde, Liliane Neves Carvalho, destacou que o resultado é fruto da atuação da rede pública e da solidariedade das famílias maranhenses. “Zerar a fila de transplante de fígado mostra que estamos ampliando a capacidade da nossa rede. Neste Setembro Verde, esse avanço reforça a importância da doação, pois a decisão de doar representa uma nova oportunidade de vida”, disse.
Para o coordenador da CET-MA, Hiago Bastos, os avanços se devem à reorganização da rede, capacitações contínuas e à criação da Organização de Procura de Órgãos (OPO) no Hospital Dr. Carlos Macieira (HCM), referência estadual no SUS.
O Maranhão já teve uma trajetória de avanços na área de transplantes, e os resultados deste ano consolidam essa evolução.
Desafios ainda existem
Apesar das conquistas, Bastos ressalta que a recusa familiar ainda é um dos maiores gargalos para salvar mais vidas. “A negativa em geral está relacionada ao desconhecimento sobre a política de transplantes e aos receios das famílias”, afirmou o coordenador.
A doação de órgãos no Brasil só ocorre com autorização expressa da família. Por isso, o diálogo sobre o tema dentro de casa é fundamental. A campanha Setembro Verde tem justamente esse papel: conscientizar a população de que a doação é a única esperança para milhares de pacientes que dependem de um transplante para recuperar a saúde e a qualidade de vida.
Com os resultados alcançados, o Maranhão mostra que, quando o poder público e a sociedade se mobilizam juntos, é possível transformar a realidade da saúde. O estado que antes ocupava a lanterna do ranking nacional de transplantes hoje serve de exemplo para o país.

Com informações de O Imparcial
O Ludovico



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