×

Nova resolução da ANP abre espaço para flexibilizar especificação do biometano

Nova resolução da ANP abre espaço para flexibilizar especificação do biometano

Nova resolução da ANP abre espaço para flexibilizar especificação do biometano

RIO e CAMPINAS — A diretoria da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou nesta quinta-feira (18/12) a abertura de consulta pública, por 45 dias, sobre as novas regras de especificação do biometano.

Uma das novidades propostas é permitir flexibilizações nas exigências de qualidade do biometano injetado na rede de gasodutos em casos específicos, desde que comprovada a inviabilidade técnica de atendimento das especificações e que a exceção seja aprovada previamente pelo regulador.

A proposta segue o modelo adotado na revisão das especificações do gás natural, concluída este ano. A Resolução 982/2025 manteve a obrigatoriedade de cumprimento das especificações do gás, mas instituiu mecanismos que autorizam flexibilizações em casos específicos para o pré-sal, por meio de atos administrativos.

A ANP já havia aprovado, em 2024, um primeiro projeto piloto para injeção de biometano fora da especificação na rede de gás, envolvendo a GNR Fortaleza, parceria entre a Ecometano (MDC) e a Marquise Ambiental.

A planta do aterro de Caucaia (CE) obteve o aval da ANP para operar com teores maiores de CO2 e oxigênio e um poder calorífico menor que os limites impostos pelo regulador.

A operação contou com o aval também da Cegás, a distribuidora de gás do Ceará. As duas partes se comprometeram, então, a fazer uma mistura do biometano ao gás natural de origem fóssil antes de injetar o gás renovável na rede de gás canalizado, para assegurar que o produto final, para o cliente, seja fornecido dentro da qualidade exigida.

Agentes da indústria do biometano alegam que a mistura controlada de gás natural-biometano, se autorizada pela ANP, possibilitará o aproveitamento de um volume maior de biogás – e uma produção maior de biometano, ainda que com poder calorífico menor.

A GNR, por exemplo, informou ser possível aumentar em 20% a produção de biometano a partir das flexibilização das regras de especificação do gás renovável. 

A nova regra proposta pela ANP também permite o enriquecimento do biometano, para fins de atendimento à especificação, a partir de sua mistura a hidrocarbonetos renováveis – a norma atual faz referência somente à adição de gás natural, gás liquefeito de petróleo (GLP) e propano.

“Isso é um outro ponto de discussão, porque se o produtor injetar um gás natural ou GLP dentro da planta, para correção da especificação, deixaria de ter um biometano 100% renovável, porque teria um pequeno percentual de molécula fóssil”

“A gente traz a possibilidade de que esse enriquecimento possa acontecer, se o produtor entender ser necessário, com metano verde, propano verde, bioGLP, que em breve será realidade para o mercado brasileiro”, comentou o coordenador de Regulação da Qualidade de Produtos da ANP, Jackson Albuquerque.

A relatora do processo, a diretora Symone Araújo, destacou que o crescimento do setor de biometano – e a implementação do mandato previsto na lei do Combustível do Futuro, justificam a atualização da norma – bem como os avanços tecnológicos, a ampliação das opções metodológicas e a abertura do mercado de gás trazem um novo cenário para a regulação da qualidade de biometano, que completou, em 2025, dez anos.

A ideia da ANP é revisar a regulação atual e unificar numa só norma as atuais resoluções 886/2022 (especificação do biometano oriundo de aterros sanitários e de estações de tratamento de esgoto) e 906/2022 (biometano oriundo de resíduos orgânicos agrossilvopastoris e comerciais).

As normas asseguram a equivalência do biometano ao gás natural – o que permite a movimentação do gás renovável via gasodutos de transporte e distribuição e a sua utilização pelos consumidores sem qualquer necessidade de modificação de instalações.

Espaço aberto para metodologias alternativas

A proposta de resolução da ANP também inclui um dispositivo regulatório que permitirá à ANP avaliar e autorizar, no futuro, novas metodologias alternativas para monitoramento da qualidade do biometano.

Trata-se de um pleito da indústria de biometano, representada pela Abiogás, devido aos custos envolvidos com o modelo atual.

A ANP exige o uso de cromatógrafos para a análise composicional e controle de qualidade de gás natural e biometano – instalação considerada custosa por pequenos produtores do gás renovável.

“Precisamos de mais testes para amadurecer essa discussão, mas estamos propondo a possibilidade de avaliarmos caso a caso, uma vez que surjam metodologias alternativas de baixo custo que tenham comprovação de confiabilidade e precisão, para permitir que o mercado vá se adaptando e a gente vá avaliando para cheguemos a uma solução definitiva para futuro”, disse Albuquerque.

O diretor da ANP, Pietro Mendes, defendeu que a Superintendência de Biocombustíveis e Qualidade de Produtos (SBQ), da ANP, lidere os estudos sobre uma metodologia alternativa.



Créditos