Após crise, ministro do TCU deve dar dar parecer favorável ao BC no caso Master
ADRIANA FERNANDES E MARIANA CARNEIRO
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Após a conclusão de inspeção da área técnica em andamento no Banco Central, a tendência é o ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Jhonatan de Jesus emitir parecer favorável à atuação do Banco Central no caso que resultou na liquidação do Banco Master, conforme informado por fontes próximas à investigação.
O ministro é o relator do processo no TCU e espera levar o caso para julgamento em plenário assim que a inspeção in loco nos documentos do BC for concluída.
No dia 29 de dezembro, o BC encaminhou à Corte um relatório confidencial de 18 páginas com os detalhes dos procedimentos adotados pelo órgão regulador. A inspeção teve início na semana anterior, com os auditores verificando a documentação mencionada no relatório.
Um ponto crucial da investigação do TCU é verificar o momento da liquidação do Master, o que indicaria que a decisão da autoridade monetária foi tomada antes da oferta da Fictor ser tornada pública. Um dos argumentos da defesa de Daniel Vorcaro, proprietário do Master, é que o BC agiu de forma precipitada e em coordenação com o Ministério Público, ignorando a possibilidade de venda do banco.
Vorcaro foi detido em 17 de novembro ao tentar embarcar para Dubai em um jato particular. Foi libertado dias depois com a justificativa de que estava viajando para encontrar potenciais compradores para o Master. Na manhã de 18 de novembro, o BC anunciou a liquidação, porém não foi divulgado o horário da assinatura do ato.
Uma análise preliminar da auditoria do TCU indicou que não houve inatividade ou falta de monitoramento contínuo no Master em ações realizadas desde meados de 2024. Jhonatan deve seguir a recomendação dos técnicos, desde que os fatos relatados pelo BC ao TCU sejam confirmados e não surjam novos elementos.
Conforme a avaliação dos técnicos, o órgão regulador vinha monitorando continuamente a instituição desde o primeiro semestre de 2024. A análise corresponde a uma instrução preliminar da unidade técnica responsável pela fiscalização dos bancos públicos, a AudBancos, que está sob sigilo.
A expectativa dos ministros do TCU é que o plenário também aprove o trabalho do BC, encerrando o episódio que dividiu a Corte e desgastou a relação com o BC.
Após a solicitação de inspeção interna no BC, uma rede de apoio à autoridade monetária foi formada por representantes das principais associações da indústria financeira do país, gerando repercussão pública. Durante esse período, o relator, ex-deputado federal pelo Republicanos, teve mais de 200 mil acessos em suas redes sociais.
O ministro esteve no centro da polêmica com suspeitas de ter sido pressionado por líderes do centrão para reverter a liquidação do Master, o que foi oficialmente negado. Ele também informou aos membros da corte que não pretende solicitar a suspensão da liquidação nem interromper a venda de ativos pelo liquidante do Master por meio de medida cautelar.
O avanço das investigações e os detalhes da movimentação financeira bilionária feita pelo dono do Master enfraqueceram a estratégia de contestar a decisão técnica do BC sobre a liquidação extrajudicial do Master.
Espera-se que outro processo do TCU, sob responsabilidade do ministro Jorge Oliveira, também seja arquivado. Esse caso trata de um recurso apresentado pelo procurador do Ministério Público junto ao TCU, Julio Marcelo de Oliveira, contra o arquivamento do pedido de investigação da tentativa de compra do Master pelo BRB, e está sob sigilo.


