A estratégia de Eduardo Bolsonaro para impulsionar Flávio como pré-candidato ao Planalto
Título: A estratégia de Eduardo Bolsonaro para impulsionar Flávio como pré-candidato ao Planalto
Eduardo Bolsonaro, deputado cassado. Foto: Saul Loeb/AFP
Sem ocupar cargo na Câmara, Eduardo Bolsonaro tem se valido da rede de alianças estabelecida na direita internacional para promover a possível candidatura de seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Durante uma viagem ao Oriente Médio, os dois se reuniram com pelo menos 16 autoridades, incluindo primeiros-ministros, presidentes, ministros e parlamentares, e têm planos de visitar os Emirados Árabes Unidos e o Catar, além de considerar uma etapa na Europa. Informações provenientes da Folha de S.Paulo.
A jornada teve início com visitas a Israel e Bahrein. Flávio comunicou ao Senado que estaria fora do país em uma missão oficial de 18 de janeiro a 7 de fevereiro, custeada com recursos públicos, porém, posteriormente, adiou seu retorno por mais cinco dias e se comprometeu a arcar com as despesas utilizando recursos próprios. Apesar de ter sido cassado no final do ano por excesso de faltas, Eduardo continua sendo apresentado como parlamentar em eventos, como a Conferência Internacional de Combate ao Antissemitismo em Jerusalém.
No evento, na última terça-feira (27), Flávio declarou: “Senhoras e senhores, hoje faço este discurso não apenas como senador, mas como pré-candidato à presidência do Brasil”, e destacou que os EUA contribuíram para “construir um novo modelo de cooperação internacional” e uma nova fase para a América Latina.
Em Israel, os irmãos se reuniram com o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, o presidente Isaac Herzog e o ministro responsável pelo Combate ao Antissemitismo, Amichai Chikli, com quem gravaram um vídeo em que Eduardo se refere aos integrantes do Hamas como “selvagens”. Eles também se encontraram com figuras como o ex-primeiro-ministro da Áustria Sebastian Kurz, o primeiro-ministro da Albânia Edi Rama e o embaixador argentino Axel Wahnish — cuja foto foi compartilhada pelo presidente da Argentina, Javier Milei.
Além disso, divulgaram imagens ao lado de pelo menos seis deputados do Parlamento Europeu, incluindo os espanhóis Hermann Tertsch e Jorge Buxadé (Vox), o português Pedro Frazão (vice-presidente do Chega) e o polonês Dominik Tarczyński, este último que posteriormente defendeu a candidatura de Flávio em 2026.
No Bahrein, eles se encontraram com o primeiro-ministro e príncipe herdeiro Salman bin Hamad bin Isa Al Khalifa, com o príncipe Sheikh Khalid bin Hamad Al Khalifa e com o parlamentar Hassan Ibrahim Hassan. De acordo com Flávio, os compromissos têm como foco “o diálogo institucional, a cooperação internacional e a troca de experiências em assuntos estratégicos”.
Essa proximidade representa uma mudança no padrão internacional do senador: desde a saída de Jair Bolsonaro (PL) da Presidência, Flávio realizou apenas três viagens internacionais em missões oficiais — para participar de um seminário de apoiadores de Bolsonaro na Espanha, de uma conferência na Itália e de uma visita a prisões em El Salvador — e não participou de delegações lideradas por Eduardo desde 2024.
Por outro lado, Eduardo enfrentou recentes reveses em sua relação com Donald Trump: após uma conversa com Lula, Trump reduziu o impacto das tarifas e revogou a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes. O deputado também foi acusado em setembro de tentar intervir em processos do ex-presidente e, em novembro, Moraes determinou o cancelamento de seu passaporte diplomático.
Segundo o professor de relações internacionais David Magalhães, coordenador do Observatório da Extrema Direita, “a articulação internacional é crucial para a extrema direita e para o bolsonarismo, visto que o crescimento da ultradireita é um fenômeno global”. Ele acredita que o apoio buscado por Flávio pode mitigar “o ônus político” de posições extremistas e construir uma “imagem de inserção em um campo político global”, buscando transferir para o senador o “capital político” e as conexões acumuladas por Eduardo.


