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Com tênis maduro, Fonseca vai escrevendo sua história

Com tênis maduro, Fonseca vai escrevendo sua história

Com tênis maduro, Fonseca vai escrevendo sua história

A segunda grande barreira foi superada por João Fonseca neste Roland Garros e a chave de tamanho sucesso é uma só: maturidade. Se diante de Novak Djokovic ele precisou de resiliência, força física e ataque constante, frente a Casper Ruud ele soube misturar com maestria a parte tática, usando bolas altas, curtinhas, voleios e brilhante sistema defensivo, que fizeram ruir pouco a pouco a tradicional muralha que o norueguês, o homem que mais ganhou sobre o saibro nos últimos seis anos, sabe tão bem construir.

A maior parte do tempo, Fonseca se plantou lá longe da linha de base para a devolução e não titubeou em jogar a bola para cima, ao melhor estilo Rafael Nadal, para assegurar a entrada no ponto. Muito mais do que isso, a estratégia dificultou a vida de Ruud, que não tem grande poder de definição e muitas vezes simplesmente recolocou a bola o mais profundo que podia.

O mesmo aconteceu na variação inteligente do serviço. Viu-se momentos cruciais em que o brasileiro usou muito mais efeito do que força no primeiro saque, geralmente no backhand do adversário, o que resultava em devoluções mais curtas e quadra aberta para o ataque ou um voleio bem feito. Fez apenas dois aces, mas evitou sete de nove break-points.

Apesar de toda a aplicação tática e de enorme disposição física, cobrindo a quadra e correndo atrás até de bolas impossíveis, Fonseca suou muito diante do duas vezes finalista de Roland Garros. Porque ele é saibrista de mão cheia. Soube trabalhar com o saque e encher os golpes de spin, usando contragolpes em diferentes direções.

Depois de perder o set inicial, entendeu que precisava ser mais proativo e obteve mais sucesso, terminando a partida com mesmo número de winners (51) e de erros (52) do que o carioca. Caso tivesse mantido a vantagem de 5-2 no tiebreak do segundo set, a história da partida poderia ter sido ainda mais difícil para Fonseca, mas coragem tem sido um diferencial do jovem brasileiro, que ousou saque-voleio na hora mais tensa do desempate.

Poderia ter simplificado se aproveitasse a chance precoce de quebra no terceiro set. Méritos para o norueguês. E aí veio nova demonstração da força mental de Fonseca, porque ele começou o quarto set sem baixar a cabeça e rapidamente sobrou em quadra, com direito a show particular de garra e vasto repertório.

Agora vem um oponente completamente oposto. O tcheco Jakub Mensik saca muito, espanca a bola dos dois lados, só quer saber de dominar primeiro cada ponto e se mexe muito bem para seus 1,96m. Depois de quase perder para Mariano Navone na segunda rodada, numa maratona interminável, ainda teve energia para virar contra Alex de Minaur e neste domingo teve jogo duro de cinco sets contra Andrey Rublev. Ex-12 do ranking, também faz inéditas quartas de Slam, mesmo estando longe de ser um amante da terra batida.

Façanhas crescentes

Fonseca vai colocando seu nome no livro de história do tênis brasileiro. Torna-se apenas o 10º jogador nacional a atingir as quartas de um Slam e o oitavo em Roland Garros, onde aparece entre os cinco profissionais: Thomaz Koch, Fernando Meligeni, Guga Kuerten e Bia Haddad. É o primeiro em Paris desde Guga Kuerten, em 2004, e no geral desde André Sá, em 2002. Aos 19 anos e sete meses, vira o segundo brasileiro mais jovem nas quartas de um Slam e o de menor idade em Paris.

Mas há também façanhas internacionais, destacadas pela ATP e ITF. É o sexto adolescente a ganhar duas partidas sobre top 20 desde 2000, o segundo mais jovem nas quartas de um Slam e o de menor idade em Paris. De quebra, se junta a Roger Federer (2001), Rafa Nadal (2005), Novak Djokovic (2006), Ernests Gulbis (2008), Jannik Sinner (2020), Carlos Alcaraz (2022) e Holger Rune (2022) como únicos adolescentes a ir tão longe num Slam neste século, feito também alcançado por Rafael Jodar neste domingo, e está ao lado de Nick Kyrgios, Rublev, Jannik Sinner, Rune e Alcaraz como adolescentes a derrotar dois top 20 num Slam.

A vitória faz Fonseca subir provisoriamente ao 25º lugar do ranking, com possível chegada inédita ao número 20 em caso de semifinal, desde é claro que Jodar e Frances Tiafoe não façam o mesmo.

Resumão

– Jodar deve ter dado um susto em Toni Nadal quando perdeu os dois primeiros sets para o veterano Pablo Carreño, mas aos poucos conseguiu controlar melhor o jogo no fundo de quadra e é o terceiro tenista com menos de 21 anos nas quartas de Paris.
– Vai enfrentar o agora favorito Alexander Zverev, que só teve um set complicado diante de Jesper de Jong e depois foi firme. É sua oitava presença nas quartas do torneio e a sexta consecutiva.
– Marta Kostyuk aproveitou o game pavoroso de final de primeiro set de Iga Swiatek para derrubar a tetracampeã e também garantir ao torneio feminino uma nova estrela em Roland Garros. No segundo set, deu ‘pneu’ moral.
– Fará duelo todo ucraniano contra Elina Svitolina, que perdeu o primeiro set e aos poucos dominou Belinda Bencic. Agora, é quebrar o tabu de nunca ter passado dessa fase em Paris.
– Mirra Andreeva fez ótima partida contra Jil Teichmann e terá um duelo de gerações pela frente contra Sorana Cirstea e seu ótimo momento. Aos 36 anos, ela fez quartas lá em 2009, tendo agora a maior distância entre duas presenças na história.

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