×

Na guerra das estátuas, que Cristo vença sempre. Por Moisés Mendes

Na guerra das estátuas, que Cristo vença sempre. Por Moisés Mendes

Na guerra das estátuas, que Cristo vença sempre. Por Moisés Mendes

Cristo Redentor e Estátua da Liberdade em briga feita pela embaixada do Irã usando IA. Foto: reprodução

Por que esse vídeo que circula pela internet, em que o Cristo Redentor é ameaçado e nocauteia a estátua da liberdade, não foi feito no Brasil? Por que os iranianos tiveram a ideia de fazer o vídeo com uma imagem reconhecida mundialmente?

Ninguém aqui pensou antes na força simbólica dessa imagem, em meio à violência de Trump contra metade do mundo? As duas figuras simbolizam a situação criada pelo gângster da Casa Branca e, no caso brasileiro, também pelos filhos de Bolsonaro.

Mas esse vídeo pode dar problema. Eu escrevi em agosto de 2021 que, se é mesmo defensor das liberdades, o véio da Havan deveria abrir uma filial da sua rede de lojas em Cabul.

Os talibãs seriam fregueses do véio. E a loja deveria ter uma estátua da liberdade. Foi só o que eu escrevi, como deboche. Ele me processou, porque eu estaria incitando o ódio (dos talibãs?) contra a estátua dele. Um juiz de Brusque me condenou.

É a única condenação que tenho. Em duas outras ações o véio foi derrotado, em São Paulo e Porto Alegre, e muito bem derrotado.

Uma quarta ação dele contra mim ‘corre’ (COMPLETA QUATRO ANOS CORRENDO EM AGOSTO!!!), na mesma vara de Brusque e está nas mãos do mesmo juiz.

Esse juiz é filho de um dos oito desembargadores que estavam naquele banquete de dezembro de 2024 num casarão assombrado do véio em Brusque.

O meu recurso foi parar no tribunal onde esse desembargador pai do juiz atua e também está numa gaveta há quase dois anos. Esperando o quê? Talvez esperando Godot.

Alerto os autores do vídeo porque o véio parece achar que a estátua da liberdade é uma imagem original das lojas dele. Se facilitarem, pode processar até o Cristo Redentor. E levar os processos para Brusque.

Escrevo esse texto e confesso que sinto a mais profunda vergonha que já senti na vida diante dessa situação criada por esse sujeito. Vergonha de membros da Justiça que fazem banquetes com poderosos que vão julgar um dia. Vergonha de um Judiciário que se submete e confraterniza com o poder econômico de extrema direita.

Vergonha das gavetas do Judiciário que julga casos do véio contra a Folha e celebridades, e os absolve, e fica pensando o que fazer com os processos de quem não tem o respaldo das corporações de mídia. Tenho vergonha e asco.

As polícias, o Ministério Público, os juízes, os desembargadores e os ministros republicanos das altas Cortes entendem o meu sentimento.

(Fiquei sabendo que gente de direita e de esquerda achou o vídeo ‘violento’ porque Cristo destrói a estátua deles. É gente que não viu violência na Bíblia e nunca deve ter visto um vídeo com imagens do assassinato de crianças, idosos e mulheres em Gaza. A violência do vídeo é simbólica, é a que está no humor, na arte, em vídeos e textos, em todas as formas de resistência à violência real dos Estados Unidos e de Israel e do fascismo em geral. Sempre foi assim. A violência deles é a que mata. Não tem como comparar ou criar equivalências entre uma e outra. E teve gente que levou pra questão de gênero. Do Cristo macho batendo na liberdade mulher. Por favor, sejam rasos mas nao estimulem a idiotia.)

Créditos