Petrobras e distribuidoras abrem negociações sobre teto para preço do gás natural|
A Petrobras iniciou as primeiras rodadas de negociação com as distribuidoras em torno de uma solução para atenuar o reajuste no preço do gás natural programado para agosto. E o conceito de pisos e tetos, sinalizado pela estatal, agrada a Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás).
O episódio #024 do podcast gas week é uma conversa com Marcelo Mendonça, diretor-executivo da Abegás. Ele conta que a demanda por gás no mercado brasileiro “bateu no teto”, diante do atual patamar de competitividade da molécula, e critica a falta de atenção ao gás nas políticas públicas. Assista antes, na íntegra (Youtube)
Mendonça destaca que o foco, neste momento, é desatar a bomba-relógio: o aumento esperado de 25% nos preços do gás em agosto, data do próximo reajuste trimestral dos contratos com a Petrobras – que, em maio, já aumentou em 19% o preço da molécula.
As conversas com a Petrobras sobre as medidas para atenuar esse impacto têm evoluído, relata o executivo. Mendonça avalia que o mecanismo de pisos e tetos parece “bem interessante” para as distribuidoras – os detalhes da proposta ainda não foram fechados.
A estatal já sinalizou que avalia diferentes medidas. O parcelamento, já adotado em outras crises passadas, por sua vez, “não sei se seria a melhor alternativa”, avalia o diretor-executivo da Abegás.
Ele relata que a Abegás procurou não só a Petrobras, mas também os demais supridores, para negociar, mas que as conversas com os fornecedores privados não evoluíram.
“Os demais produtores estão ficando para trás, porque a gente está evoluindo com a conversa com a Petrobras. E a gente não tem uma sinalização dos demais produtores”, disse.
Ele acrescentou que, para além da pauta de curto prazo, as concessionárias estaduais defendem que será preciso estruturar novos indexadores para o gás no Brasil, para destravar demanda nova a longo prazo. É uma pauta à parte, mas que precisa caminhar, segundo Mendonça.
“A gente precisa de uma sinalização de mercado de longo prazo para que a gente possa desenvolver outras aplicações e atrair no vas indústrias para ter uma reindustrialização”
Outros destaques da entrevista
- Mendonça sugere que o preço do gás precisa ter indexadores diferentes para aplicações diferentes: “Com o preço atual, nós já batemos no teto do nosso mercado”;
- Para o gás ganhar relevância numa siderurgia, por exemplo, o gás precisa ser indexado ao carvão, ilustra o executivo;
- Revisão tarifária das transportadoras: Mendonça vê como positiva a decisão da ANP de apresentar uma nova proposta de valoração da Base Regulatória de Ativos (BRA) das transportadoras, com base na metodologia RCM;
- O tensionamento do debate em torno da revisão tarifária “faz parte do amadurecimento do mercado”;
- Mendonça rebate os questionamentos ao aumento das margens das distribuidoras e alega que a massificação do gás ajuda na estabilidade tarifária;
- Política para o gás: ele também criticou a falta de atenção dada ao gás nas políticas energéticas, como as discussões sobre as políticas para data centers;
- E disse que “falta amadurecimento” no mercado no imbróglio com a ANP em torno da regulação sobre a classificação de gasodutos.
Confira quem já passou pelo podcast gas week:


