Eduardo Bolsonaro reivindica postura abjeta de orgulho dos crimes que comete, diz cientista política
O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) a quatro anos e dois meses de prisão por coação do Judiciário no processo que condenou seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, por tentativa de golpe no dia 8 de janeiro de 2023. Eduardo também foi condenado ao pagamento de 50 dias-multa — um dia-multa equivale a dois salários mínimos. O valor total, assim, corresponde a cerca de R$ 162 mil.
Para Mayra Goulart, cientista política e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), figuras da extrema direita se vangloriam de cometer crimes. “Esses crimes que Eduardo Bolsonaro cometeu, assim como aconteceu recentemente com a Carla Zambelli, que teve a extradição dela negada pela Justiça italiana, discute-se pouco se o crime foi cometido ou não, porque esses dois atores reivindicam aquilo que eles são acusados de fazer. Eles dizem que fazem e têm orgulho de ter feito. Esse é um atributo da extrema direita. Ela reivindica uma posição que nos parece abjeta, por exemplo, nesse caso do Eduardo Bolsonaro, de ir para o exterior pedir sanções contra o seu próprio país para salvar o seu pai da prisão”, afirma.
“Eduardo Bolsonaro está muito ativo e cumpre um papel internacional que tem a ver com a dimensão sistêmica do extremismo de direita, que é aquilo que conecta as diferentes lideranças de extrema direita no mundo, um sistema de produção de ideias, de conceitos, de financiamento em que eles se ajudam mutuamente. O Eduardo faz parte dessa engrenagem, embora ele esteja cada vez mais sendo posto em xeque nesse papel, trazendo resultados que a própria população brasileira está contestando”, avalia em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
Goulart também considera que o impacto da figura de Eduardo, e consequentemente, da condenação para a campanha do irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), deve se dar na impossibilidade da conquista de eleitores indecisos. “Para ganhar uma eleição majoritária, um candidato precisa conseguir falar para além daquele núcleo mais radical que o apoia, aquele núcleo mais próximo do político, aqueles que já são os convertidos. O Eduardo Bolsonaro cumpre um papel de agitador dentro desse grupo mais radicalizado e, então, ele pouco contribui para aquela que é a principal tarefa do Flávio Bolsonaro nessa campanha, que é conquistar esse eleitor independente, esse eleitor que não é tão radicalizado”, pondera.
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