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Weverton Rocha (PDT): o senador alvo da PF, sócio de investigado por lavagem e dono de veículos de comunicação

Weverton Rocha (PDT): o senador alvo da PF, sócio de investigado por lavagem e dono de veículos de comunicação

Weverton Rocha (PDT): o senador alvo da PF, sócio de investigado por lavagem e dono de veículos de comunicação

O Maranhão vive um momento decisivo nas eleições de 2026. Para ajudar você, eleitor, a escolher com consciência, O Ludovico publica a segunda matéria da série de investigação sobre os candidatos ao Senado. Hoça é a vez de Weverton Rocha (PDT), senador em exercício e candidato à reeleição. São 46 anos de vida, três décadas de militância política e uma trajetória marcada por cargos, poder e sombras. Confira o raio-X completo.

Quem é Weverton Rocha

Weverton Rocha Marques de Sousa nasceu em Imperatriz (MA) em 8 de outubro de 1979. Filho de uma família de classe média, formou-se em Administração pela Faculdade São Luís. Entrou na política cedo: aos 16 anos já era filiado ao PDT e integrava a Juventude Socialista do partido. Foi presidente do grêmio estudantil, presidente da União Maranhense dos Estudantes Secundaristas (UMES) e o único representante do Norte-Nordeste na Organização Continental Latino-Americana e Caribenha de Estudantes (OCLAE), em Havana. Mais tarde, foi vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) e presidente nacional da Juventude Socialista do PDT.

Foi assessor especial da Prefeitura de São Luís entre 2000 e 2006, secretário de Esporte e Juventude do Maranhão (2007-2008) e assessor especial do Ministério do Trabalho (2009-2011). Foi eleito deputado federal por duas vezes (2011-2019) e senador em 2018 com 1.997.443 votos (34,91% dos válidos). Em 2022, candidatou-se a governador e ficou em terceiro lugar, com 20,71% dos votos.

Atualmente, Weverton é 2º secretário da Mesa Diretora do Senado, vice-líder do governo Lula e presidente do PDT no Maranhão.

Weverton Rocha (PDT): o senador alvo da PF, sócio de investigado por lavagem e dono de veículos de comunicação
Senador Weverton Rocha (PDT-MA) (Foto: Reprodução/Agência Senado)

Patrimônio: o que diz o DivulgaCand

No momento da publicação desta matéria, o sistema DivulgaCand do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não estava acessível via consulta automatizada. A Plataforma de Dados Abertos do TSE registra que, nas eleições de 2018, Weverton declarou R$ 1.135.175,86 em bens. Em 2014, como deputado federal, declarou R$ 547.107,06. Os dados atualizados para 2026 devem ser consultados diretamente no site do TSE (divulgacandcontas.tse.jus.br). Será essencial comparar a evolução patrimonial do candidato ao longo dos mandatos — tema que exige acompanhamento rigoroso pela imprensa e pelo eleitor.

Os suplentes: quem entra se ele ganhar

Até o fechamento desta edição, os nomes dos suplentes de Weverton Rocha ainda não haviam sido oficialmente registrados no sistema do TSE para a eleição de 2026. Em 2018, seus suplentes foram o advogado José de Ribamar Caldas Furtado e o empresário Gilberto Cutrim. Para 2026, a chapa completa deve ser confirmada nos próximos dias no DivulgaCand. O eleitor precisa ficar atento: os suplentes podem assumir o mandato a qualquer momento e precisam ser tão escrutinados quanto o titular.

Os pontos de investigação

Weverton Rocha acumula um histórico de controvérsias que merecem a atenção do eleitor maranhense. Abaixo, os principais pontos investigativos.

1. O esquema Eranio Xavier: postos de combustíveis e lavagem de dinheiro

Um dos capítulos mais nebulosos da trajetória de Weverton envolve o ex-prefeito de Igarapé Grande, Eranio Xavier. Os dois foram sócios em uma rede de postos de combustíveis no Maranhão. Eranio Xavier é investigado por lavagem de dinheiro e viu seu patrimônio triplicar nos últimos anos — uma situação que, segundo investigadores, sugere movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados.

A conexão não é menor: em agosto de 2026, a revista Piauí revelou que a Polícia Federal, na Operação Sem Desconto, apura “uma possível estrutura de lavagem de dinheiro” na qual “empresas, sociedades patrimoniais e postos de combustíveis tenham sido utilizados para movimentar ou ocultar recursos relacionados ao esquema”. A coincidência com o perfil empresarial de Eranio Xavier e Weverton acendeu alertas entre os investigadores. O tema está sob relatoria do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal (STF).

2. Caso Tech Office: o edifício, o assassinato e o STF

O edifício comercial Tech Office, localizado na Ponta d’Areia, em São Luís, se tornou o centro de uma investigação que subiu ao STF. Em 2022, o empresário João Bosco foi assassinado — e o caso passou a ser examinado sob a lupa de conexões políticas e suposto desvio de recursos. Embora detalhes processuais estejam sob sigilo, a repercussão do caso atingiu diretamente o entorno político de Weverton. O imóvel, localizado em uma das áreas mais valorizadas da capital maranhense, teria ligações com pessoas próximas ao senador. A investigação continua em andamento e novas revelações podem surgir a qualquer momento.

3. Ação penal na UMES: apropriação indébita e estelionato

Nos anos 2000, Weverton respondeu a uma ação penal por apropriação indébita e estelionato relacionada à sua atuação na União Maranhense dos Estudantes Secundaristas (UMES), entidade que presidiu. O processo, no entanto, prescreveu antes de uma condenação definitiva, conforme registros públicos. Embora a prescrição impeça uma condenação, o episódio permanece como um dado relevante no histórico do candidato — especialmente para um político que construiu sua carreira a partir do movimento estudantil.

4. Operação Sem Desconto (INSS): a sombra que não se dissipa

Este é, sem dúvida, o capítulo mais grave da trajetória recente de Weverton Rocha. A Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, apura um esquema nacional de descontos associativos irregulares aplicados em aposentadorias e pensões do INSS — sem autorização dos beneficiários.

Em 18 de dezembro de 2025, a PF cumpriu 52 mandados de busca e apreensão, 16 mandados de prisão preventiva, todos autorizados pelo ministro André Mendonça (STF). Foram mobilizados 177 policiais federais e 36 auditores da CGU. A operação ocorreu simultaneamente em São Paulo, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Minas Gerais, Maranhão e Distrito Federal.

Weverton Rocha foi um dos alvos. Durante as buscas, foram apreendidos veículos, armas de fogo, dinheiro em espécie e relógios de alto valor. O senador foi o primeiro parlamentar a ter o nome associado ao escândalo — admitiu ter se encontrado com Antônio Carlos, o “Careca do INSS”, apontado como epicentro da fraude, mas negou participação no esquema.

A investigação não foi arquivada. Pelo contrário: novas fases estão em andamento. Em agosto de 2026, a PF começou a investigar uma suposta estrutura de lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis e empresas de fachada. O celular funcional do senador foi apreendido e seu conteúdo — incluindo fotos pessoais — foi objeto de vazamento que levou Weverton a acionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, pedindo apuração.

Outros investigados na operação incluem Aldroaldo Portal (secretário-executivo do Ministério da Previdência, afastado), Romeu Carvalho Antunes (filho do “Careca do INSS”) e Éric Fidelis (filho do ex-diretor de Benefícios do INSS).

5. A emenda polêmica no projeto anticorrupção

Em 2016, Weverton apresentou o principal destaque ao projeto das 10 Medidas contra a Corrupção, incluindo um dispositivo que criminalizava o abuso de autoridade por magistrados e membros do Ministério Público. O destaque foi aprovado por 313 votos a favor, 132 contrários e 5 abstenções. Críticos apontaram que a medida era uma tentativa de intimidar a Operação Lava Jato. Weverton defendeu-se dizendo que juízes cometem arbitrariedades e precisam ser responsabilizados.

6. Improbidade na Secretaria de Esporte

Weverton responde a três ações civis de improbidade administrativa movidas pelo MPF e pelo Ministério Público do Maranhão. Uma delas apura suposto crime contra a lei de licitações quando ele comandava a Secretaria de Esporte do Estado — teria favorecido uma empresa para reforma de um ginásio, dispensando licitação de forma supostamente indevida. O secretário que o sucedeu afirmou que a paralisação da obra teria sido por motivação política, não técnica.

Ele também é investigado por peculato e corrupção por suposto envolvimento em desvio de verbas do Ministério do Trabalho por meio de contratação irregular de ONGs.

7. O jatinho e a entidade social

Uma das ações de improbidade apura o suposto uso de um jatinho particular custeado por uma entidade social que tinha convênio com o Ministério do Trabalho. À época, Weverton atuava como assessor especial da pasta. O caso ilustra o padrão de relacionamento entre o político e entidades do terceiro setor que mantinham contratos com o governo federal.

8. Veículos de comunicação: concessões públicas como palanque

Desde 2016, Weverton arrenda o Sistema Difusora de Comunicação (Rede Difusora, Difusora FM e site MA10). Em 2018, adquiriu o Sistema Sinal Verde de Comunicação, em Caxias, com TV e rádio. A transação foi intermediada por Willer Tomaz de Souza, empresário preso na Lava Jato. Tanto o arrendamento quanto a posse de concessões de radiodifusão por parlamentares são proibidos pelo Código Brasileiro de Telecomunicações e pela Constituição. O fato de um senador controlar veículos de comunicação no estado onde é candidato levanta questões sobre uso da máquina midiática para promoção pessoal e de aliados políticos.

Os limites da investigação

Importante registrar que, embora Weverton Rocha seja alvo de múltiplas investigações, nenhuma condenação penal transitada em julgado foi registrada contra ele. Todas as acusações aqui listadas estão em fase de investigação ou processamento, e o candidato tem o direito à presunção de inocência garantido pela Constituição. O que se coloca ao eleitor é o conjunto de indícios, conexões e contradições que emergem dos autos — e que merecem escrutínio público antes do voto.

Raio-X resumido

Nome completoWeverton Rocha Marques de Sousa
Nascimento08/10/1979, Imperatriz (MA), 46 anos
ProfissãoAdministrador
PartidoPDT (filiado desde 1995)
CargosDeputado federal (2011-2019), senador (2019-presente)
Patrimônio 2014R$ 547.107,06 (deputado federal)
Patrimônio 2018R$ 1.135.175,86 (senador)
Investigações em andamentoOperação Sem Desconto (STF), 3 ações de improbidade, inquérito por peculato e corrupção

Fontes consultadas: Wikipedia, Agência Senado, O Imparcial, site do TSE, Revista Piauí, Portal da Transparência, processos judiciais públicos.

Na próxima edição da série, apresentaremos o raio-X do candidato André Fufuca (PP), deputado federal e ex-ministro do Esporte. Não perca.

O Ludovico

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