Weverton Rocha aciona STF contra delegado PF por vazamento
Foto de Weverton Rocha vaza da PF e chega ao STF
O senador Weverton Rocha (PDT-MA) acionou o Supremo Tribunal Federal contra o delegado da Polícia Federal responsável pela investigação que mira o parlamentar. O motivo é o vazamento de uma foto pessoal extraída do celular de Weverton, que está apreendido sob custódia da PF desde dezembro de 2025.

A imagem foi publicada pela revista piauí. Ela mostra o senador maranhense em uma piscina no rancho do advogado Willer Tomaz, nas proximidades de Brasília. Na foto, aparecem nomes de peso da política nacional, como o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), Elmar Nascimento (União-BA), o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), Paulo Azi (União-BA) e o ministro das Comunicações, Juscelino Filho (PSD-MA).
Na petição enviada ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no STF, o senador pede que os responsáveis pelo acesso e pela divulgação do arquivo sejam identificados. A defesa sustenta que a fotografia estava sob custódia das autoridades policiais quando chegou à imprensa, o que configura, supostamente, uma violação de sigilo funcional.
O que a defesa de Weverton Rocha pede no STF
A argumentação apresentada ao Supremo é clara e direta: a fotografia estava armazenada no celular apreendido pela PF. Portanto, o arquivo estava sob responsabilidade exclusiva das autoridades policiais. A defesa quer saber quem autorizou o acesso ao conteúdo e como ele vazou para a imprensa.
Weverton solicita a preservação de todos os registros de acesso ao material digital apreendido. Além disso, pede a identificação nominal de todos os servidores públicos que tiveram contato com os dados. O objetivo é rastrear o caminho percorrido pelo arquivo até chegar à redação da revista.
A defesa cita nominalmente o delegado responsável pela condução da investigação e pela guarda das provas. No entanto, ressalta que isso não representa uma acusação direta de que o próprio delegado tenha fornecido a fotografia à imprensa. “A indicação nominal do delegado que preside o feito não é acusação de autoria direta”, afirma a petição. “É consequência da sua posição de responsável pela guarda do acervo de onde o material saiu.”
O documento continua: “Se a entrega à imprensa foi obra de subordinado, os registros de acesso o revelarão; se houve autorização ou tolerância, igualmente. Em qualquer cenário, a apuração deve partir de quem tinha o dever de impedir o resultado.”
Weverton Rocha e a investigação do INSS
O senador maranhense foi alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal no início deste mês de agosto. As investigações correm no âmbito de suspeitas de desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O caso tramita sob sigilo judicial, mas alguns detalhes já vieram a público.
A iniciativa no STF contra o delegado da PF reforça uma cobrança que Weverton já havia apresentado à Mesa Diretora do Senado Federal. Na ocasião, o parlamentar solicitou que a Casa encaminhasse ao ministro André Mendonça pedidos semelhantes de apuração e adoção de providências. Agora, a defesa age diretamente no Supremo.
Além das providências no âmbito do STF, a defesa de Weverton Rocha pede que o episódio seja encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR). O objetivo é apurar eventuais condutas ilícitas, incluindo possível violação de sigilo funcional por parte de servidores públicos.
Também foi solicitada a comunicação formal do caso à Corregedoria-Geral da Polícia Federal. Dessa forma, será possível instaurar procedimentos disciplinares internos para identificar responsabilidades e punir os envolvidos no vazamento, se for o caso.
Os bastidores da foto e o impacto político
A imagem vazada gerou enorme repercussão nos bastidores da política nacional e maranhense. Ela mostra o senador do PDT em um ambiente informal e descontraído ao lado de figuras influentes do Congresso Nacional. A publicação levantou questionamentos sobre a segurança e a inviolabilidade dos dados apreendidos pela Polícia Federal.
O caso envolve um ponto jurídico delicado: o limite entre a investigação criminal e a privacidade dos investigados. Se a fotografia realmente saiu do material apreendido sem autorização judicial, isso configura uma violação grave de sigilo. Por outro lado, a defesa de Weverton também busca evitar que a exposição pública prejudique a imagem do senador perante o eleitorado maranhense.
O episódio coloca em xeque os procedimentos internos da PF na guarda de provas digitais. A defesa de Weverton argumenta que, sem uma apuração rigorosa, qualquer cidadão investigado pode ter seus dados pessoais expostos da mesma forma. Portanto, o caso pode estabelecer um precedente importante para o direito à privacidade de investigados.
O cenário político de Weverton Rocha no Maranhão
Weverton Rocha é uma figura central na política maranhense. Ex-vice-governador e candidato ao governo do estado em 2022, o pedetista mantém forte influência na região metropolitana de São Luís. Sua atuação no Senado tem sido marcada por alianças com o governo Lula e com o Palácio dos Leões.
O vazamento da foto ocorre em um momento sensível para o senador. As eleições de 2026 estão em plena campanha eleitoral no Maranhão, e qualquer exposição negativa pode impactar sua base de apoio. Por isso, a defesa age rápido para conter os danos e responsabilizar os envolvidos.
Agora, caberá ao ministro André Mendonça analisar os requerimentos apresentados pela defesa. O magistrado decide quais medidas serão adotadas para esclarecer se a fotografia efetivamente saiu do material apreendido pela PF. Em caso positivo, terá que identificar quem teve acesso ao arquivo e como ele chegou à imprensa.
Enquanto isso, o caso segue gerando debate sobre os limites da atuação policial e a proteção de dados pessoais no curso de investigações criminais no Brasil.
Veja também: André Mendonça e os limites das investigações por vazamento
Com informações de Gilberto Léda
O Ludovico



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