Maria Izabel Rodrigues, fundadora do Dom Bosco, morre aos 95
A educadora Maria Izabel Rodrigues, fundadora do Grupo Educacional Dom Bosco, morreu nesta quinta-feira (27) aos 95 anos em São Luís. Referência no ensino do Maranhão, ela dedicou mais de seis décadas à formação de milhares de alunos na capital maranhense. A notícia foi recebida com pesar por ex-alunos, professores e instituições de ensino de todo o estado.
Trajetória de Maria Izabel na educação do Maranhão
Maria Izabel Rodrigues fundou o Colégio Dom Bosco em 1958, ao lado da educadora Maria de Lourdes Aroso Mendes. O projeto começou como um pequeno jardim de infância com apenas 30 crianças, em um espaço modesto na região central de São Luís. Com o passar dos anos, a escola cresceu e se tornou referência em ensino particular no estado.
Atualmente, o Grupo Educacional Dom Bosco é composto pelo colégio, que atende da educação infantil ao ensino médio, e pela UNDB (Unidade de Ensino Superior Dom Bosco), instituição que forma profissionais em diversas áreas do conhecimento. Maria Izabel acompanhou cada etapa dessa expansão, sempre com olhar atento à qualidade do ensino e à formação integral dos alunos.
A visão da educadora ia além do conteúdo curricular. Ela acreditava que a escola deveria formar cidadãos conscientes, capazes de transformar a realidade à sua volta. Por isso, o Dom Bosco sempre investiu em projetos sociais e culturais ao longo de sua história.
Família também dedicada à educação
A educadora deixa duas filhas que seguiram seus passos no mundo acadêmico: as professoras doutoras Elizabeth Rodrigues, presidente do Conselho de Administração do Grupo Dom Bosco, e Ceres Murad, reitora da UNDB. Ambas dão continuidade ao legado iniciado pela matriarca há quase setenta anos.
O compromisso da família com a educação reflete valores que Maria Izabel Rodrigues cultivou durante toda a vida: dedicação, rigor acadêmico e amor pelo ensino. Sua trajetória inspirou gerações de estudantes e professores no Maranhão, muitos dos quais hoje ocupam posições de destaque em universidades e instituições de ensino por todo o país.
Netos de Maria Izabel também seguiram carreira acadêmica, consolidando uma verdadeira dinastia de educadores. A família se tornou sinônimo de ensino de qualidade em São Luís, com a UNDB formando centenas de profissionais todos os anos.
O pedido que emocionou ex-alunos: “me mande uma flor”
Em março de 2020, Maria Izabel escreveu um texto intitulado “A Flor”, publicado no livro de memórias “Tenho pra mim”. Nele, fez um pedido simples e tocante aos antigos alunos: “Quando eu morrer, me mande uma flor”. A frase emocionou ex-estudantes e colegas, que agora prestam homenagens nas redes sociais com fotos e relatos emocionados.
A comoção entre a comunidade do Dom Bosco e da UNDB mostra o tamanho do carinho que a educadora conquistou ao longo de décadas de trabalho. Muitos ex-alunos compartilham histórias de como Maria Izabel Rodrigues impactou suas vidas dentro e fora da sala de aula. Alguns chegam a dizer que ela foi mais que uma professora, foi uma segunda mãe para gerações de estudantes.
Velório e homenagens
O velório de Maria Izabel Rodrigues será realizado nesta quinta-feira (27), das 17h às 23h, no campus Renascença da UNDB, em São Luís. A causa da morte não foi divulgada pela família, que pediu respeito ao momento de luto.
A escolha do local não poderia ser mais simbólica: o campus da universidade que ela ajudou a construir será o palco da despedida, cercada por alunos, ex-alunos, professores e admiradores de sua trajetória. A UNDB suspendeu as atividades acadêmicas do turno da tarde como forma de luto e respeito à memória da fundadora.
Diversas autoridades do setor educacional maranhense confirmaram presença no velório. Representantes do Conselho Estadual de Educação e da Secretaria de Estado da Educação devem prestar homenagens à educadora ainda nesta quinta-feira.
Legado que ultrapassa gerações
O trabalho de Maria Izabel Rodrigues vai além dos muros das instituições que fundou. Ela ajudou a moldar a educação particular de São Luís, formando crianças, jovens e adultos que hoje ocupam posições de destaque em diferentes áreas. Seu nome é lembrado com respeito por quem passou pelos corredores do Dom Bosco.
Em um estado com tantos desafios educacionais, a trajetória de Maria Izabel serve como inspiração para educadores que acreditam no poder transformador do ensino. O Colégio Dom Bosco e a UNDB seguem como prova viva de seu legado, com milhares de alunos matriculados todos os anos.
A educadora também deixou sua marca em iniciativas culturais e sociais de São Luís, sempre ligadas à educação. Participava ativamente das festividades dos 414 anos de São Luís com projetos que uniam ensino e cidadania, levando alunos a se envolverem em causas comunitárias.
Ex-alunos organizaram uma corrente de orações e homenagens nas redes sociais usando a hashtag #GratidãoMariaIzabel. Muitos prometem levar flores ao velório, atendendo ao pedido que a educadora fez em seu livro de memórias. O gesto simples se transformou em um movimento espontâneo de gratidão.
O Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Maranhão divulgou nota de pesar, destacando a contribuição de Maria Izabel Rodrigues para o fortalecimento da educação privada no estado. A Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior também prestou homenagem à educadora.
Escolas particulares de São Luís emitiram notas de solidariedade à família. Muitas delas foram fundadas por ex-alunos do Dom Bosco que se inspiraram em Maria Izabel para seguir carreira no magistério. O efeito multiplicador de seu trabalho é sentido em toda a rede privada de ensino maranhense.

(Foto: Reprodução / O Imparcial)
Com informações de O Imparcial
O Ludovico



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