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Com ameaça de megaterremoto, Japão inicia corrida por uma segunda capital

Com ameaça de megaterremoto, Japão inicia corrida por uma segunda capital

Com ameaça de megaterremoto, Japão inicia corrida por uma segunda capital

Há 158 anos, Tóquio concentra o governo e boa parte da atividade econômica do Japão.

Agora, o país se prepara para a possibilidade de que a capital fique incapacitada por um grande desastre.

O Parlamento aprovou uma lei para criar uma “capital reserva”, capaz de assumir parte das funções do governo caso Tóquio seja atingida por um terremoto, tsunami ou outra emergência de grandes proporções.

A decisão abriu uma disputa inesperada entre governos locais.

Ao menos 13 cidades e províncias já manifestaram interesse em receber a estrutura alternativa, atraídas não apenas pelo papel estratégico, mas também pela possibilidade de investimentos, incentivos fiscais, turismo e revitalização econômica.

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Entre as principais candidatas estão Osaka, Fukuoka, Sapporo, Nagoya e Gunma. Osaka, segunda maior região metropolitana do país, aparece como uma das favoritas e já chegou a criar um mascote para promover sua candidatura: um gato falante chamado Nyaniwa Fukumaru.

A escolha terá peso político e econômico.

O governo da primeira-ministra Sanae Takaichi deverá definir nos próximos meses os critérios para a seleção, embora ainda não exista um calendário oficial para a escolha da cidade.

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O medo de um terremoto que paralise Tóquio

A discussão não surgiu por acaso. O Japão está localizado no chamado Círculo de Fogo do Pacífico, uma das áreas de maior atividade sísmica do planeta. Tóquio também está exposta ao risco de grandes terremotos, incluindo um eventual tremor associado ao sistema tectônico da região.

O trauma mais recente veio em 2011, quando um terremoto de magnitude 9,1 atingiu o nordeste do país e provocou um tsunami que matou mais de 19 mil pessoas. O desastre também desencadeou o acidente nuclear de Fukushima.

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Embora o epicentro tenha ficado a cerca de 370 km de Tóquio, o episódio expôs o risco de uma interrupção prolongada das estruturas nacionais em um país extremamente concentrado na região metropolitana da capital.

Hoje, aproximadamente 37 milhões de pessoas vivem na área metropolitana de Tóquio. A concentração populacional e econômica é justamente um dos fatores que tornam a capital estratégica — e vulnerável.

A lógica da nova legislação é criar uma espécie de plano B nacional: se ministérios, órgãos públicos e outras instituições centrais não puderem operar em Tóquio, parte das funções do Estado poderia ser transferida rapidamente para outra região.

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Osaka quer ser a escolhida

Osaka está entre as cidades que mais trabalham para conquistar o posto. A candidatura é apoiada pelo Japan Innovation Party, força política que há anos defende a descentralização do poder e a transformação de Osaka em uma espécie de segunda capital.

A cidade, porém, enfrenta uma contradição: também está exposta a terremotos. Críticos da proposta questionam se faz sentido transferir estruturas estratégicas de uma área vulnerável para outra que enfrenta riscos semelhantes.

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Sapporo, no norte do país, tenta explorar justamente essa diferença. Autoridades de Hokkaido argumentam que a região está distante do Nankai Trough, uma zona sísmica especialmente preocupante no sul do arquipélago.

Nagoya aposta em outro argumento: sua força industrial. A cidade quer usar sua posição como polo manufatureiro para demonstrar que poderia abrigar parte relevante das funções econômicas e administrativas do país.

Fukuoka, por sua vez, apresenta sua localização no sudoeste do Japão como uma vantagem estratégica.

Uma disputa por dinheiro — e por sobrevivência

A corrida tem também um componente econômico. A criação de uma capital alternativa poderia significar centenas de milhões de dólares em investimentos públicos, além de novas obras de infraestrutura, empregos e incentivos para empresas.

Isso ajuda a explicar a velocidade com que prefeitos e governadores passaram a promover suas regiões.

Mas há uma questão maior por trás da disputa: o Japão enfrenta há décadas uma forte concentração de população e oportunidades em Tóquio. Enquanto a capital continua atraindo moradores, muitas áreas rurais perdem habitantes.

Para os defensores da descentralização, uma segunda capital poderia ajudar a distribuir atividade econômica pelo território.

Para os críticos, o efeito pode ser exatamente o oposto: em vez de revitalizar cidades menores, o governo poderia simplesmente criar mais um grande polo urbano, acelerando o esvaziamento de áreas rurais.

Quanto custará o plano?

Outra fonte de controvérsia é o custo. Construir prédios capazes de abrigar ministérios, sistemas de comunicação, centros de dados e outras estruturas governamentais de emergência exigiria investimentos elevados.

Alguns especialistas também questionam o próprio conceito de “capital reserva”. A legislação estabelece a possibilidade, mas ainda não deixa totalmente claro quais órgãos seriam transferidos, qual seria a estrutura física necessária ou em quanto tempo a cidade escolhida teria de estar preparada para assumir as funções de Tóquio.

Por isso, parte dos especialistas defende uma alternativa mais simples: investir diretamente na proteção da capital atual.

O debate revela, no fundo, uma questão que vai além da escolha entre Osaka, Sapporo ou Fukuoka. O Japão precisa decidir se sua estratégia para enfrentar um eventual desastre será blindar Tóquio ou criar uma alternativa à capital.

E, enquanto o governo ainda não escolheu a resposta, cidades de todo o país já entraram na corrida pelo cobiçado posto de número dois.

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