Fufuca rebate Brandão sobre incêndio no Estádio Correão
O incêndio que atingiu o Estádio Correão, em Bacabal, na noite de domingo (31), virou palco de um novo embate entre o governador Carlos Brandão (PSB) e o deputado federal André Fufuca (PP). O parlamentar, candidato ao Senado, cobrou a demora na reconstrução do estádio e gerou uma resposta ácida do chefe do Executivo estadual.
O Correão estava interditado há meses por problemas estruturais. O fogo destruiu parte das arquibancadas e da estrutura metálica. A população de Bacabal, cidade a 250 km de São Luís, lamenta a perda de um dos principais equipamentos esportivos da região. O incêndio ocorreu por volta das 20h e mobilizou o Corpo de Bombeiros, que controlou as chamas antes que atingissem residências vizinhas.

Em publicação nas redes sociais, Fufuca criticou o fato de as obras de reforma não terem começado. “Desde dezembro de 2023 o recurso está à disposição da Sedel do Estado e até agora nenhuma ação. Inacreditável e inaceitável”, escreveu o deputado. Os seguidores rapidamente compartilharam a postagem, que já acumula centenas de comentários.
Brandão reagiu questionando a mudança de lado político de Fufuca, que deixou a base governista e passou a apoiar o prefeito Eduardo Braide (PSD) na disputa pelo governo estadual. “Mudar de lado torna as pessoas desonestas?”, escreveu o governador. A pergunta gerou ainda mais repercussão nas redes, com apoiadores de ambos os lados trocando acusações sobre quem estaria usando o incêndio para ganho político.
Entenda o caso do Estádio Correão
O Estádio Correão é um símbolo do esporte em Bacabal e na região do Médio Mearim. Inaugurado na década de 1970, o equipamento recebe jogos do time local e eventos culturais ao longo de todo o ano. A falta de manutenção ao longo das últimas gestões, porém, levou à interdição parcial do estádio e agora ao incêndio que destruiu parte significativa da estrutura.
Para Fufuca, a responsabilidade pelo atraso é do governo estadual. De acordo com o deputado, o acordo para reconstrução do Correão era claro: metade dos recursos viria do governo estadual e metade do Ministério do Esporte, que ele comandava até deixar o cargo. A primeira etapa, segundo ele, já foi integralmente paga e aguarda apenas a execução pela Secretaria de Esporte e Lazer (Sedel).
“O recurso para a primeira etapa foi disponibilizado e encontra-se até hoje esperando a Sedel avançar na execução. Ou seja, a nossa parte foi feita”, afirmou o deputado.
Fufuca sustentou que a reconstrução do Correão não tem relação com disputas ou posicionamentos políticos. Para ele, o estádio é um patrimônio da cidade e deveria estar acima das diferenças partidárias. “O acordo para reconstrução não envolve lado político. Era metade Estado, metade Ministério”, reforçou.
A versão do governo
Brandão, por outro lado, apresentou uma versão diferente. O governador afirmou que os recursos iniciais previstos não seriam suficientes nem para a parte estrutural do estádio. Por esse motivo, segundo Brandão, o convênio precisou ser alterado e a mudança ainda aguarda autorização da Caixa Econômica Federal.
O governador negou que o atraso tenha relação com falta de contrapartida ou de apoio do Estado ao município de Bacabal. E acrescentou que existem suspeitas sobre as circunstâncias do incêndio. Sem apresentar provas, Brandão deixou no ar a insinuação de que o fogo poderia ter sido criminoso ou provocado intencionalmente.
A população de Bacabal acompanha a polêmica com apreensão e frustração. Sem o Correão em funcionamento, a cidade perde opções de lazer e eventos esportivos. Times da região precisam mandar seus jogos em cidades vizinhas como Pedreiras ou Codó, o que aumenta custos de deslocamento e desestimula a torcida. O prejuízo esportivo se soma à sensação de abandono do patrimônio público.
Da base ao confronto aberto
A troca de farpas entre Brandão e Fufuca não é isolada. O deputado deixou a base aliada do governo nos últimos meses e se aproximou de Braide, hoje o principal adversário da situação na corrida ao Palácio dos Leões. A saída de Fufuca foi considerada uma baixa importante para o grupo governista.
Fufuca foi ministro do Esporte do governo Lula e acumulou poder político e recursos para sua base eleitoral. Sua saída da base foi sentida pelo Palácio dos Leões, que perdeu um importante articulador no Congresso Nacional. Agora, os dois atuam em lados opostos na eleição mais polarizada do estado em anos.
O candidato a senador André Fufuca aposta na força no interior para conquistar votos. Brandão, que busca eleger Orleans Brandão como seu sucessor, tenta conter o avanço de Braide e de seus aliados. O episódio do Correão é mais um capítulo de uma disputa que promete se intensificar até outubro.
O eleitorado maranhense decide nas urnas não apenas o novo governador e os senadores, mas também o rumo político do estado para os próximos quatro anos. E o incêndio no Estádio Correão, ironicamente, acabou acendendo uma chama ainda maior no debate político local, expondo as feridas de uma ruptura que parecia improvável até pouco tempo atrás.
Com informações de John Cutrim
O Ludovico



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