Porto do Itaqui pagou R$ 230 mil por corrida de R$ 70
A Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap) pagou R$ 230 mil pelo contrato da 4ª Corrida do Porto do Itaqui, realizada em 31 de outubro, em São Luís. No mesmo evento, o público geral pagou inscrição de R$ 70 para correr cinco quilômetros. Os valores foram revelados pela jornalista Silvia Tereza e repercutidos pelo Marrapá.
O contrato da estatal com a L M Moura Berniz, que atua como Eu Corro Eventos Esportivos, foi assinado em 8 de outubro. Pelo acordo, a empresa ficou responsável pelo planejamento, pela organização e pela execução da prova.
Contrato de R$ 230 mil e inscrição de R$ 70
A divulgação oficial anunciou 1.500 inscritos na corrida, que percorreu as instalações portuárias e a linha de cais. O kit incluía camisa, sacochila, squeeze, viseira e número de peito, com medalha para quem concluísse o percurso.
Como algumas categorias tinham inscrições mais baratas, o número divulgado de participantes não permite calcular com precisão quanto o evento arrecadou em taxas. Ainda assim, a cobrança de R$ 70 do público geral chama atenção em uma prova que já havia sido contratada com dinheiro público.
A corrida que parou a operação do porto
A prova também entrou na agenda operacional do terminal. A Emap anunciou bloqueio total de acesso e suspensão das demais operações das 4h às 8h daquele sábado. Houve ainda restrição anterior às operações de granéis sólidos não mecanizados.
A justificativa oficial foi garantir a segurança dos participantes e a organização do evento. O porto é o principal corredor de exportação de grãos do Maranhão, e cada hora de parada tem custo para a cadeia logística.
Patrocínio e transparência
A corrida já tinha sido divulgada pelo blog antes da prova, quando as inscrições abriram em outubro. Na ocasião, o evento foi apresentado como forma de aproximar a comunidade portuária da população, sem menção ao valor do contrato. Veja aqui a cobertura sobre a abertura das inscrições da Corrida do Porto do Itaqui.
O caso reforça a importância de divulgar os contratos de patrocínio de eventos esportivos custeados por estatais. Sem essa publicidade, o cidadão não consegue comparar o valor investido com aquilo que o evento devolve em contrapartida, como retorno de imagem ou gratuidade para a população.
O Ludovico está aberto a manifestações da Emap e da empresa organizadora sobre os valores e a destinação do patrocínio.
Com informacoes do Marrapá e de Silvia Tereza. Leia as reportagens originais no Marrapá e no blog de Silvia Tereza, que revelou os valores.
O Ludovico



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