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Rodrigo Lago cobra obras do empréstimo bilionário no MA

Rodrigo Lago cobra obras do empréstimo bilionário no MA

Rodrigo Lago cobra obras do empréstimo bilionário no MA

O deputado estadual Rodrigo Lago voltou a cobrar do governador Carlos Brandão a execução das obras que justificaram o empréstimo de R$ 1,3 bilhão contratado pelo Governo do Maranhão junto ao Banco do Brasil. Em vídeo publicado nesta quinta-feira (5), o parlamentar afirma que o dinheiro já foi consumido sem resultado visível para a população.

“Cadê as obras, Brandão? O dinheiro do empréstimo bilionário acabou e o que vai sobrar é boleto para o povo pagar”, disse Lago na gravação, que acumulava centenas de comentários até a noite desta quinta. O deputado chama a gestão estadual de “o governo mais corrupto da história do Maranhão”.

Cadê as obras? A cobrança que virou recado nas redes

O vídeo repete o tom de outras cobranças feitas por Lago nos últimos meses, sempre com o mesmo alvo: as estradas e estruturas que o Executivo estadual prometeu entregar com o dinheiro do financiamento. Em outubro, o deputado já havia afirmado que Brandão usou o povo de Coroatá e de Pirapemas para contratar a operação e depois desviou os recursos. Até agora, o governo não apresentou resposta pública específica a essa acusação.

Nos comentários da publicação, seguidores listam obras paradas em municípios como Coroatá e Colinas. Um morador relata que o asfalto aplicado na região foi feito sem base adequada. As mensagens convergem para a mesma pergunta: onde foram aplicados os R$ 1,3 bilhão.

O empréstimo de R$ 1,3 bilhão e o desembolso em ano de eleição

O contrato de financiamento nº 40/00076-1 foi assinado entre o Estado do Maranhão e o Banco do Brasil, com garantia da União e previsão de desembolso em parcela única ainda em 2026. Segundo a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão, a operação será quitada em 20 anos e chegará a aproximadamente R$ 2,3 bilhões com os encargos. Os recursos foram destinados a despesas de capital e obras de infraestrutura.

Na avaliação de Lago, a liberação do valor às vésperas do pleito configurou abuso de poder político com repercussão econômica. Segundo apuração do blog do jornalista Luís Pablo, publicada em 18 de setembro, os R$ 1,3 bilhão foram creditados nas contas estaduais naquele dia, cerca de duas semanas antes da votação de 4 de outubro. O Estado recebeu a parcela única e começou a pagar fornecedores na sequência.

Os pedidos de suspensão apresentados pelo deputado, no entanto, não prosperaram. Em maio, uma liminar da Vara de Interesses Difusos e Coletivos barrou a contratação; em junho, o presidente do Tribunal de Justiça do Maranhão derrubou a decisão. Em 18 de setembro, o desembargador Sebastião Joaquim Lima Bonfim negou o pedido de urgência na Ação de Investigação Judicial Eleitoral, por considerar que não havia prova inequívoca de desvio de finalidade eleitoral. O relator citou ainda a existência de ação idêntica no Tribunal Superior Eleitoral e o risco de interrupção de obras e pagamentos.

Pagamentos suspeitos, Polícia Federal e TCE

A Justiça Eleitoral negou a liminar, mas o parlamentar seguiu com outras frentes. Em 21 de setembro, ele afirmou que o governo começou a gastar o empréstimo violando regras contratuais do Banco do Brasil e disse que encaminharia os pagamentos suspeitos à Polícia Federal. Entre os indícios citados estão contratos ligados a obras sem prévia licença ambiental.

Reportagens do período apontam que empresas de infraestrutura começaram a receber os recursos em ritmo acelerado. Uma apuração jornalística publicada em 21 de setembro, com base em fontes que pediram anonimato, citou pagamentos de cerca de R$ 180 milhões a uma empreiteira de tapa-buracos, mais de R$ 140 milhões a uma segunda empresa e mais de R$ 105 milhões a uma terceira, esta ligada a um grupo sob investigação no Supremo Tribunal Federal.

No Tribunal de Contas do Estado do Maranhão, o processo aberto a partir de questionamentos de Lago resultou na reabertura de um procedimento que investiga certidões emitidas pelo conselheiro Daniel Brandão, sobrinho do governador, para viabilizar a operação. O conselheiro foi afastado pelo STF, que mencionou “fortes indícios” de uso do cargo para obstruir investigações. O caso também foi levado ao Tesouro Nacional, com pedido de apuração sobre a nota de capacidade de pagamento do Estado.

A discussão sobre o empréstimo já tem decisão do TRE-MA favorável ao governo e continua em tramitação, sem julgamento de mérito.

Governo eleito promete auditoria e a conta fica para 20 anos

O governador eleito Eduardo Braide anunciou, um dia depois de vencer o primeiro turno, que vai abrir uma auditoria sobre a operação. “Minha primeira medida como governador será fazer um pente-fino, uma auditoria em cada centavo desse dinheiro”, afirmou ele em entrevista à CNN, em 5 de outubro. Braide também declarou que o povo do Maranhão não deve pagar o que chamou de conta de campanha do atual governador.

A auditoria prometida depende do acesso aos contratos e às medições já pagas, hoje concentradas na Secretaria de Estado da Infraestrutura e na Secretaria de Planejamento. A cobrança de Lago pressiona justamente esse ponto: a comprovação de que o dinheiro virou estrada, ponte ou hospital.

O que esperar daqui para frente

O governo de Carlos Brandão termina em 31 de dezembro, mesma data limite para a Assembleia Legislativa votar o orçamento de 2027, que prevê R$ 40,5 bilhões em despesas. Até lá, a equipe de transição de Braide avalia a peça orçamentária e a situação dos contratos de infraestrutura.

Lago, que não conseguiu renovar o mandato na eleição de outubro, encerra o mandato em dezembro. Ainda assim, ele já declarou que pretende continuar acompanhando a execução do financiamento pelos órgãos de controle, com novas representações na Polícia Federal e no Ministério Público.

Para o contribuinte maranhense, o dado objetivo é simples: o Estado assumiu uma dívida de R$ 1,3 bilhão, com garantia da União, para pagar em duas décadas. A pergunta sobre o que foi entregue em troca segue sem resposta oficial.

Foto: Reprodução / O Observador Maranhense

Com informações de Gilberto Léda, Linhares Jr. e do perfil do deputado no Instagram.

O Ludovico

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