Por que Braide escondeu a vice bolsonarista?
Eduardo Braide (PSD) disputou a campanha ao governo do Maranhão com um discurso de neutralidade. Repetiu que não é de esquerda nem de direita. Enquanto isso, colocou ao seu lado uma vice bolsonarista declarada, escolheu um bolsonarista para o Senado e nunca disse em quem pretende votar para presidente da República. Para um eleitorado que é majoritariamente de Lula, é pouco.
Quem é Elaine Carneiro
A vice na chapa de Braide é Elaine Cortez Carneiro, 57 anos, filiada ao PSD com o número 55. Ela nasceu em Anápolis, em Goiás. Não é maranhense.
Empresária do setor de pneus, ficou conhecida como Elaine dos Pneus. Braide a apresentou como pré-candidata em 7 de abril de 2026 e a convenção do PSD confirmou o nome em 3 de agosto. Nas redes, ela se apresenta como cristã, esposa e mãe.
Bolsonarista declarada, com nome e fonte
Não é rótulo de adversário. É como a imprensa maranhense a descreve.
O jornal O Observador Maranhense, em 18 de setembro, escreveu com todas as letras: dois dos três integrantes da chapa majoritária montada por Braide são bolsonaristas declarados: sua vice, Elaine Carneiro, e Lahesio Bonfim (Novo), candidato ao Senado.
Antes disso, em abril, o professor Franklin Douglas, então pré-candidato ao Senado pelo PSOL, já havia dito ao Marrapá que a escolha era um deslize. Descreveu a vice como bolsonarista, seguidora de Nikolas Ferreira, e avaliou que ela agrega muito pouco ao perfil branco, de família rica, que disputa o poder entre os grandes da estrutura maranhense que tem o Braide.
Braide não diz em quem vota
Em 18 de setembro, entrevistado pela TV Mirante, Braide foi perguntado sobre o voto para presidente. Não respondeu.
Eu serei governador para unir o Maranhão. Enquanto alguns olham nas ruas um eleitor do Lula, um eleitor do Bolsonaro, um eleitor do Caiado, um eleitor do Augusto Cury, eu enxergo um maranhense, disse. E completou: eu quero que o povo maranhense tenha liberdade de escolher o candidato a presidente que ele entende que seja o mais preparado.
É uma resposta simpática. Mas um candidato que passa a campanha inteira sem dizer em quem vota, ao mesmo tempo em que tem uma vice bolsonarista e um senador bolsonarista na mesma chapa, está dizendo alguma coisa com o silêncio.
A chapa contradiz o discurso
O próprio O Globo, em 10 de julho, descreveu a estratégia: Braide tenta evitar a nacionalização do pleito buscando distanciamento do presidente Lula e do senador Flávio Bolsonaro, e dividiria o palanque com apoiadores dos dois lados.
Só que a divisão não é equilibrada. Ao lado de Elaine Carneiro, Braide levou para o Senado Lahesio Bonfim, do Novo, partido que se apresenta como herdeiro do bolsonarismo. E o outro nome da chapa é André Fufuca, do PP, que foi ministro de Lula e, antes disso, pediu votos para Bolsonaro em 2022, quando liderava o PP na Câmara.
Ou seja: de três nomes na chapa majoritária, dois são bolsonaristas declarados. O terceiro é um ex-ministro de Lula que já pediu voto em Bolsonaro.
O que isso significa para quem vota em Lula
O Maranhão deu a Lula vitórias largas. É um estado onde o eleitorado petista é a maioria, e onde essa maioria decide eleição. Braide sabe disso. A própria leitura dos analistas é que ele tenta não nacionalizar o pleito justamente por essa razão.
O problema é o método. Se o eleitor maranhense é majoritariamente de Lula, o esperado é que os candidatos alinhados a esse campo se apresentem com clareza e assumam a posição. O que se viu foi o contrário: um candidato que fala em unir, que não assume lado, que esconde a vice bolsonarista da vitrine e que conta com o eleitor não percebendo a composição real da chapa.
Votar em Braide é votar numa chapa em que dois dos três nomes são bolsonaristas declarados, comandada por alguém que não diz em quem vota. Não é voto útil. É voto no escuro.
A conta que o eleitor precisa fazer
A pergunta não é se Braide é simpático ou se fala bem. A pergunta é o que a chapa dele entrega depois de eleita.
Uma vice bolsonarista declarada não é figura decorativa. É quem assume o governo em caso de ausência, quem ocupa espaços de articulação, quem compõe a base política do mandato. Um senador do Novo não é detalhe de chapa. É quem vota as pautas no Senado pelos próximos oito anos.
Se o Maranhão é um estado de Lula, o voto coerente é em candidatos que dizem com clareza de que lado estão. Não em quem constrói uma chapa bolsonarista e a apresenta como se fosse neutra.
Braide não escondeu a vice porque ela era irrelevante. Ele a escondeu porque sabia que ela pesa, e sabia em que direção ela pesa num estado de Lula. Esconder foi a escolha. E é essa escolha que o eleitor precisa julgar na hora de votar.
Veja também: Justiça proíbe Braide de participar de entrega de casas e Disputa ao Palácio dos Leões: os três blocos que concentram a corrida eleitoral.
Com informações de O Observador Maranhense, Marrapá, O Globo e dados do TSE.
O Ludovico



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