Como se derrota um ditador? – Meio
Como derrotar um ditador: o caso da Hungria
Tudo o que aprendemos sobre crise democrática está sendo testado na Hungria, com a derrota de Viktor Orbán. O livro “Como as Democracias Morrem”, dos professores Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, citava dois países cujos líderes criaram formas de minar a democracia sem golpes ou uso do Exército: Hugo Chávez, na Venezuela, e Viktor Orbán, na Hungria, um de esquerda e outro de direita. No último domingo, Orbán perdeu as eleições e seu partido, o Fidesz, sofreu uma derrota expressiva para Peter Magyar, líder da oposição, que conquistou quase 70% das cadeiras do parlamento.
Agora surgem diversas questões a serem respondidas: por que Orbán perdeu as eleições enquanto na Venezuela a oposição não consegue vencer? Como Magyar conseguiu vencer e se há lições importantes para países lidando com populistas autoritários? A Hungria voltará a ser uma democracia plena ou este é apenas o começo?
Em 2019, a Hungria foi classificada pelo V-Dem como uma autocracia eleitoral, enquanto a Venezuela é considerada uma autocracia fechada. Existem quatro categorias: autocracias fechadas, autocracias eleitorais, democracias eleitorais e democracias liberais. A União Europeia teve um papel fundamental na diferença entre a Hungria e a Venezuela, pois Orbán não pôde agir da mesma forma que Chávez devido às regras rígidas a que o país estava submetido. Além disso, a observação das eleições pela União Europeia e a não construção de um Estado paralelo foram fatores que impediram a completa autocratização da Hungria.
A vitória de Magyar traz desafios, pois a Suprema Corte e outros setores ainda são controlados por Orbán, tornando a governabilidade um desafio. Magyar, como candidato de direita, conseguiu atrair eleitores de Orbán ao focar em patriotismo e corrupção em seu discurso eleitoral.
O caso da Hungria será um estudo crucial para democracias ameaçadas no futuro, exigindo análises imparciais e aprofundadas. Para mais conteúdos como este, assine o Meio Premium.
O histórico de Orbán e sua ascensão ao poder com a chamada “democracia iliberal” são fruto de um cenário político favorável após escândalos de corrupção no governo anterior. A manipulação do sistema eleitoral, Suprema Corte e controle da imprensa foram estratégias utilizadas para consolidar seu poder e desmontar a democracia.
Agora, a sociedade húngara enfrenta o desafio de reconstruir a democracia, lidando com as estruturas autoritárias estabelecidas por Orbán. O futuro de Magyar no governo e suas escolhas serão cruciais para o restabelecimento da democracia na Hungria.


