Exportações da China desaceleram em março após guerra afetar demanda global
As exportações chinesas diminuíram consideravelmente em março devido aos impactos da guerra no Oriente Médio nos custos de energia e transporte, afetando a demanda global e revelando os desafios da estratégia de Pequim de depender da manufatura para impulsionar o crescimento.
A segunda maior economia mundial começou 2026 com um forte crescimento na demanda por produtos eletrônicos impulsionados pela inteligência artificial, levantando expectativas de superar o superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão do ano anterior.
No entanto, o conflito global interrompeu esse crescimento, deixando a China particularmente vulnerável, já que depende da demanda externa para compensar a falta de recuperação do consumo interno.
As exportações aumentaram apenas 2,5% em março, de acordo com dados da alfândega divulgados nesta terça-feira (14), representando o menor crescimento em cinco meses, muito abaixo do aumento de 21,8% registrado entre janeiro e fevereiro. Economistas previam um crescimento de 8,3% em uma pesquisa da Reuters.
“O crescimento das exportações para os principais destinos desacelerou de forma geral”, afirmou Zhiwei Zhang, economista-chefe da Pinpoint Asset Management, atribuindo a queda à incerteza global causada pela guerra no Oriente Médio.
“Acredito que o superávit comercial da China diminuirá este ano, uma vez que o país não consegue repassar integralmente os aumentos nos preços da energia para os consumidores estrangeiros”, acrescentou.
Os sinais são claros: o superávit comercial da China em março foi de apenas US$ 51,13 bilhões, muito abaixo das expectativas de US$ 108 bilhões.
Um aumento significativo de 27,8% nas importações – o maior desde novembro de 2021 – contribuiu para esse resultado. Isso em comparação com um aumento de 19,8% entre janeiro e fevereiro e previsões de crescimento de 11,2%.
A posição da China como principal fabricante e importador de energia do mundo a expõe consideravelmente a choques energéticos globais.
A diversificação da oferta e as grandes reservas de petróleo oferecem alguma proteção, mas a incerteza sobre a duração do conflito pode prejudicar a demanda por chips e servidores impulsionada pela inteligência artificial.
Mesmo a China, frequentemente criticada pelos parceiros comerciais por sua manufatura de baixo custo e subsídios, não escapa do impacto sobre o poder de compra dos compradores à medida que os custos de combustível e transporte aumentam.


