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Direção nacional do PT ignora racha interno no Maranhão e deixa Felipe Camarão isolado

Direção nacional do PT ignora racha interno no Maranhão e deixa Felipe Camarão isolado

Direção nacional do PT ignora racha interno no Maranhão e deixa Felipe Camarão isolado

Análise política — O PT do Maranhão vive um dos momentos mais conturbados de sua história recente. Enquanto a direção nacional prometeu unificar a legenda em torno da candidatura de Felipe Camarão ao governo, na prática os petistas maranhenses seguem divididos entre diferentes palanques — e o partido parece ter sido abandonado à própria sorte.

Não é novidade que o PT maranhense está rachado. Mas a profundidade da divisão interna tem surpreendido até os analistas mais experientes. Basicamente, os petistas dividem suas atenções nas eleições deste ano entre três candidaturas majoritárias: Felipe Camarão (PT), Orleans Brandão (MDB) e Eduardo Braide (PSD). No Senado, a situação se repete: a legenda flutua entre Eliziane Gama (PT), Roseana Sarney (MDB) e Weverton Rocha (PDT).

Sem foco, os petistas acabam recorrendo à Justiça Eleitoral para defender interesses internos — uma judicialização que a própria direção nacional considera inaceitável, mas para a qual não oferece solução política.

Promessa não cumprida

Em abril deste ano, o deputado federal Edinho Silva, responsável pela comunicação da campanha de Lula, esteve no Maranhão e anunciou que a legenda estaria unida em torno de Felipe Camarão. A promessa era de que a militância seria “obrigada” a caminhar ao lado do candidato petista. Mas, na prática, as alas do partido seguem cada uma para seu lado.

A decisão de lançar candidatura própria com Felipe Camarão, segundo petistas ouvidos pela coluna Estado Maior, do portal Imirante, foi “comunicada” e “não construída” junto à militância. Essa imposição nacional não apenas gerou um clima de desarmonia como também enfraquece as chances de vitória das chapas proporcionais que disputam vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.

Briga judicial pelo uso da imagem de Lula

O racha ficou ainda mais explícito quando uma reclamação no Sistema Pardal, da Justiça Eleitoral, levou à retirada do ar de uma página em rede social criada por Washington Oliveira, presidente estadual do PT. O motivo: o suposto uso indevido da imagem do presidente Lula na campanha de Orleans Brandão, que é candidato do MDB mas tem apoio de uma ala petista.

A judicialização foi considerada inaceitável por membros da direção nacional do PT. No entanto, apesar da insatisfação, a cúpula nacional não toma nenhuma atitude efetiva para resolver o impasse interno. O partido no Maranhão segue sem diálogo entre suas próprias alas.

Rubens Júnior e a contradição pública

Um dos exemplos mais emblemáticos da divisão petista é o deputado federal Rubens Júnior (PT). Ele se declara seguidor de Lula e do PT, mas na prática apoia abertamente o candidato Eduardo Braide (PSD) — um nome que não é do partido. A situação gera desconforto, já que Rubens Júnior tenta concocar o eleitorado petista a votar em Braide enquanto fala em nome do partido.

Do outro lado, os chamados “petistas palacianos” — ligados ao grupo do ex-governador Flávio Dino — se articulam em prol de Orleans Brandão (MDB), usando ações judiciais para manter viva essa aliança.

Felipe Camarão: o isolado

O maior prejudicado nessa história é o próprio candidato petista ao governo, Felipe Camarão. Ele recebeu a promessa de que todo o partido marcharia unido ao seu lado. Na prática, vê-se abandonado pelas mais diversas alas da legenda, sem o apoio efetivo que a direção nacional prometeu e sem conseguir unificar sequer o diretório estadual.

E Lula?

Resta saber o quanto essa divisão pode prejudicar a campanha de reeleição do presidente Lula no Maranhão. Há quem aposte que o racha petista não afeta em nada a candidatura presidencial. Mas a pergunta permanece: será que Lula consegue repetir no estado a votação histórica de 2022 com um partido disperso e sem comando unificado?

Com o passar dos dias e a aproximação do pleito, a tendência é que as fissuras internas do PT maranhense se tornem ainda mais visíveis — e o eleitor, mais uma vez, será quem observa o espetáculo de um partido que promete unidade, mas entrega divisão.

Com informações da coluna Estado Maior, do portal Imirante.

Foto: Luana Muriella / Wikimedia Commons

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