Elina voltar a brilhar em Roma e se coloca entre as favoritas em Paris
A ‘trintona’ Elina Svitolina é uma daquelas jogadoras que dá prazer em se assistir. Quando precisa de regularidade e contragolpe, seu tênis está lá. Se for o caso de tomar iniciativa e agredir, sabe como fazer. E o físico não a tem deixado na mão: ganhou Roma com três vitórias sucessivas sobre top 5 – feito inédito – sempre levando a melhor no terceiro set.
Que trajetória espetacular. Svitolina jogou como a antiga número 3 do mundo que já foi. Derrubou o tênis ofensivo de Elena Rybakina de virada, superou a regularidade de Iga Swiatek e por fim fez uma belíssima final contra a força e o preparo físico impecável de Coco Gauff, a atual campeã de Roland Garros.
Roma não é um terreno desconhecido para Elina. Em 2017 e 18, ela chegou a dois títulos consecutivos mostrando toda sua capacidade técnica e tática sobre o saibro. Mas a vida deu muitas voltas e ela precisou esperar oito temporadas para outra vez erguer um troféu de nível 1000. De quebra, ainda tirou o recorde de Serena Williams, até então a mais velha a ganhar pelo menos três torneios 1000.
Como não colocar agora Svitolina entre as grandes candidatas a Paris? Ela nunca perdeu uma final sobre a terra batida, somando agora oito títulos. “Meu retorno (após a maternidade) foi por etapas. Primeiro retornar ao top 100, depois chegar no 30º para ser cabeça e só no ano passado é que realmente me considerei com chance de fazer novamente coisas grandes. Mas precisava ficar consistente e forte fisicamente”.
Depois de recuperar o top 10, Svitolina aparecerá como sétima do ranking nesta segunda-feira e isso a garante entre as oito cabeças de Roland Garros, o que evita cruzar com as outras sete líderes antes das quartas de final. Essa é justamente a barreira que terá como meta em Paris, já que atingiu as quartas por cinco vezes, incluindo o ano passado, e nunca passou disso.
Chegou a hora? A torcida francesa certamente estará a seu lado.
Fonseca não dá sorte
Depois de ficar tanto tempo treinando, João Fonseca parecia em boas condições para recuperar o ritmo e a confiança em Hamburgo, mas eis que, depois de a chave sorteada, o carioca relatou dor inesperada no punho direito. Por precaução, seu time optou por abandonar o ATP 500.
Isso significa que Fonseca chegará em Roland Garros com apenas duas partidas oficiais feitas desde as quartas de final de Munique, no dia 17 de abril. Está longe de ser o ideal. Resta esperar que o sorteio de quinta-feira reserve uma trajetória com poucos sustos ao menos até a terceira rodada, quando então poderá cruzar com um adversário de ranking superior.
E mais
– Despedindo-se do circuito, Sorana Cirstea parece estar jogando livre de qualquer pressão e suas atuações têm sido notáveis. Tirou Aryna Sabalenka de virada nas oitavas de Roma com um jogo destemido e é outra que merece muita atenção em Paris.
– Gauff chegou à final depois de três viradas seguidas (Sierra, Jovic e Andreeva). Ficou novamente confiante com seu forehand e o saque parece mais acertado. O bi tem que ser considerado.
– O trabalho com Francisco Roig recuperou boa parte do tênis de Iga Swiatek. A polonesa teve raros altos e baixos em Roma e só parou na versatilidade de Svitolina. Mas é inegável que volta a ser um nome de peso para Roland Garros.
– Rybakina perdeu boa chance de grudar em Sabalenka na luta pelo número 1. A disputa pelo posto, ao menos no campo matemático, estará aberta em Paris.
– Com outra atuação fraca, Bia Haddad nem passou da primeira rodada no quali de Estrasburgo e eu sigo me perguntando porque ela evita jogar duplas, uma alternativa que ao menos a manteria em atividade e, quem sabe, motivada. Isso só acontecerá em Roland Garros. Um tanto tarde. Daqui a oito dias, ela deixará o top 100.


