Executivos veem potencial para robôs humanoides na indústria do Sudeste Asiático | Mundo
Os países da Associação dos Países do Sudeste Asiático (Asean, na sigla em inglês) reúnem condições favoráveis para acelerar a adoção de robôs humanoides com inteligência artificial nos setores de manufatura e logística, afirmaram executivos do setor durante o Nikkei Asia Forum Apac 2026, realizado na quinta-feira (16).
“A maior oportunidade hoje está na indústria manufatureira. Em toda a Asean, os fabricantes enfrentam escassez de mão de obra e aumento dos custos”, afirmou Aimi Komatsu, diretora da fabricante chinesa de robôs humanoides Agibot Innovation (Shanghai) Technology, durante um painel do evento.
Segundo ela, os robôs podem ajudar a compensar a falta de trabalhadores nas economias envelhecidas da região e aumentar a eficiência em atividades como triagem, movimentação e manuseio de materiais. No futuro, acrescentou, também poderão desempenhar funções de cuidado com idosos, embora essa aplicação ainda esteja distante.
Fundada em 2023 por ex-executivos da Huawei Technologies, a Agibot já utiliza seus robôs humanoides em linhas de produção. A empresa fabricou sua unidade de número 10 mil no início deste ano e registrou receita de 1,05 bilhão de yuans (US$ 148 milhões) em 2025, sendo cerca de um terço proveniente das vendas internacionais.
Para Levi Nguyen, diretor-executivo das operações da FPT na Tailândia e em Taiwan, a incorporação da IA à base industrial da região reduzirá a execução de tarefas repetitivas pelos trabalhadores e permitirá avanços na manutenção preditiva e preventiva das fábricas.
Os executivos também destacaram que a ampla disponibilidade de mão de obra na Asean torna a região um ambiente propício para a coleta de dados sobre a execução de tarefas pelos trabalhadores, nformações que podem ser utilizadas no treinamento de robôs humanoides.
“Imagine se cada trabalhador pudesse usar uma câmera para registrar suas atividades e gerar esses dados”, disse Komatsu. “Isso mostra o quanto a região da Asean pode contribuir para o desenvolvimento da indústria de IA.”
Além da automação industrial, a inteligência artificial também deve transformar áreas como tradução e educação, afirmou Wenchuan Liu, gerente-geral da fabricante chinesa iFlytek, especializada em tecnologias de reconhecimento de voz e dispositivos de tradução.
“Com essa tecnologia, podemos criar uma aula personalizada para cada aluno?”, questionou Liu. “Cada criança é diferente, mas hoje todas recebem o mesmo modelo de ensino. Podemos fazer uma diferença real ao oferecer uma educação personalizada.”
Komatsu observou que a chamada IA física — que integra inteligência artificial a robôs capazes de interagir com o ambiente — ainda está em estágio inicial. Segundo ela, o setor precisa não apenas de engenheiros altamente qualificados, mas também de profissionais capazes de implementar as soluções e colocá-las efetivamente em operação.
Nguyen acrescentou que, além da atualização da formação universitária, as empresas precisam investir na requalificação de seus profissionais para prepará-los para a adoção da IA.
“Internamente, estamos conduzindo nossa transformação em inteligência artificial em paralelo com uma transformação na gestão de pessoas”, afirmou.
Os executivos também alertaram que a expansão dos centros de dados necessários para sustentar a IA exigirá uma revisão da matriz energética da região.
“O Sudeste Asiático tem uma vantagem nesse aspecto”, disse Nguyen. “A região possui um extenso litoral e clima tropical, o que favorece a geração de energia eólica e solar.”
Komatsu acrescentou que, além do uso de fontes limpas, a eficiência energética será um fator decisivo para o desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial.


