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Houve avanços importantes na proteção às mulheres, mas a violência segue presente, diz coordenadora do Coletivo de Mulheres da Central de Movimentos Populares

Houve avanços importantes na proteção às mulheres, mas a violência segue presente, diz coordenadora do Coletivo de Mulheres da Central de Movimentos Populares

Houve avanços importantes na proteção às mulheres, mas a violência segue presente, diz coordenadora do Coletivo de Mulheres da Central de Movimentos Populares

O Coletivo de Mulheres da Central de Movimentos Populares (CMP) realiza o Seminário Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio e pela Saúde Mental das Mulheres nas Periferias entre os dias 1º e 3 de maio, em Brasília. O encontro marca a retomada da articulação nacional do coletivo após quase três décadas do último seminário, realizado em 1998.

O evento deve reunir mais de 200 militantes de diferentes estados, após um processo de plenárias regionais. Também estão previstas participações de representantes do governo federal e de organizações sociais, como Sandra Kennedy, do Ministério das Mulheres, além de pesquisadoras e ativistas como Izadora Brito, Elisa Estronioli, Verônica Ferreira e Amanda Gomes Corsino.

Em entrevista ao programa Conexão BdF, a coordenadora nacional da CMP, Miriam Hermógenes, afirmou que o seminário é resultado de um processo de construção coletiva realizado ao longo dos últimos meses em 21 estados.

“Esse seminário não começa agora. Ele vem sendo construído em todos os estados onde a CMP atua. Foram encontros, plenárias e debates que antecederam esse momento, que agora se materializa em Brasília”, disse.

Segundo ela, o encontro também busca atualizar a agenda política do coletivo, incorporando temas como feminicídio e saúde mental às pautas tradicionais de luta nos territórios. A expectativa é fortalecer a articulação nacional e ampliar a presença das mulheres em espaços de decisão.

Retomada

A preparação do encontro foi marcada por um reencontro entre militantes que participaram das edições de 1995 e 1998, o que evidenciou avanços, mas também a permanência de desafios estruturais.

“Quando retomamos esse processo, vemos que muitas pautas continuam atuais. Houve avanços importantes em leis de proteção às mulheres, mas a violência segue presente; hoje, infelizmente, o feminicídio se tornou uma realidade cotidiana no país”, afirmou Miriam.

A coordenadora também destacou mudanças na forma como a violência contra a mulher é percebida e denunciada, com maior visibilidade e fortalecimento das redes de apoio.

“Antes, muitos casos nem eram noticiados. Hoje, há mais visibilidade, mais possibilidade de denúncia e mais consciência de que a violência não pode ser naturalizada. Isso é um avanço importante”, disse.

Apesar disso, ela avalia que a autonomia das mulheres avançou, mas ainda de forma desigual em relação às transformações sociais mais amplas.

“As mulheres hoje reconhecem mais seus direitos, conseguem dizer não, sair de relações abusivas e compreender que não precisam permanecer em situações de violência. Mas essa evolução ainda não foi acompanhada pelos homens no mesmo ritmo”, afirmou.

Miriam defende ainda que o enfrentamento ao feminicídio exige mudanças estruturais nas relações de gênero e maior responsabilização dos homens.

“É preciso reconhecer que a violência contra a mulher é praticada majoritariamente por homens. Por isso, eles também precisam estar no centro desse debate e compreender que não há mais espaço para relações baseadas na submissão feminina”, concluiu.

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