×

Investigação sobre tiro em irmão de Eloá acumula sete mortos em confrontos

Investigação sobre tiro em irmão de Eloá acumula sete mortos em confrontos

Investigação sobre tiro em irmão de Eloá acumula sete mortos em confrontos

Polícia de SP oferece R$ 50 mil por pistas de ‘Golias’, suspeito de atirar contra militar no ABC/ Foto: Reprodução

As operações policiais decorrentes da tentativa de homicídio contra o tenente Ronickson Pimentel dos Santos, oficial das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), atingiram a marca de sete suspeitos mortos em confrontos com a Polícia Militar em um intervalo de 15 dias. O caso mais recente ocorreu na última sexta-feira (10), no distrito de São Mateus, na zona leste de São Paulo, e resultou na morte de Márcio dos Santos Ferreira, de 45 anos, conhecido no meio criminal como “Tetão”.

Ferreira possuía uma extensa ficha de antecedentes criminais. Conforme registros carcerários confirmados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP), ele figurou na histórica fuga em massa ocorrida há 19 anos no Centro de Detenção Provisória (CDP) II de Osasco, na Grande São Paulo. Na madrugada de 11 de setembro de 2007, “Tetão” e cerca de 30 detentos evadiram-se do presídio após escavarem um túnel a partir de uma cela com saída direta para o complexo rodoviário do Rodoanel.

O paradeiro do foragido foi mapeado por equipes do 1º Batalhão de Polícia de Choque (Rota) após o recebimento de uma denúncia anônima que o apontava como um dos articuladores do atentado contra o tenente. De acordo com a versão oficial da PM, os policiais foram recebidos a tiros ao realizarem o cerco à residência indicada, gerando uma troca de tiros que alvejou Ferreira. Ele foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. Um segundo homem, de 33 anos, foi detido no local para averiguação. A ocorrência foi lavrada no 49º DP (São Mateus) e é acompanhada pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).

A morte de Márcio Ferreira joga luz sobre a letalidade das buscas pelos autores do crime. Embora três suspeitos tenham sido presos formalmente pelas autoridades, os sete óbitos registrados sob a justificativa de “morte decorrente de intervenção policial” basearam-se em denúncias anônimas de envolvimento, sem que houvesse, até o momento, comprovação técnica ou jurídica de ligação direta desses indivíduos com o ataque ao oficial da Rota.

As mortes anteriores pulverizaram-se pela região metropolitana e litoral: duas em 29 de junho (na Estrada Aricanduva e em Guarulhos); duas em 2 de julho (em Guaianases e Peruíbe); e duas na zona sul da capital (nos bairros Jardim Miriam e Jardim São Luís), esta última deflagrada durante uma averiguação de tráfico de entorpecentes.

O tenente Ronickson Pimentel dos Santos foi baleado na nuca na manhã de 27 de junho, em São Caetano do Sul, no ABC Paulista. Imagens de monitoramento urbano registraram o instante em que dois criminosos em uma motocicleta emparelharam com o veículo do militar em um semáforo da Avenida Goiás. O passageiro disparou à queima-roupa antes de empreender fuga. O DHPP aponta que o ataque foi premeditado, uma vez que câmeras flagraram os suspeitos vigiando a rotina do tenente momentos antes da abordagem.

Para acelerar a resolução do caso, o governo do Estado de São Paulo anunciou o pagamento de uma recompensa de R$ 50 mil por informações que determinem a localização de Hércules da Costa Siqueira, o “Golias”, tido pelos investigadores como o executor do disparo. A inteligência policial presume que ele permaneça escondido em território nacional.

O tenente Pimentel é irmão de Eloá Pimentel, a jovem de 15 anos que foi assassinada em outubro de 2008 pelo ex-namorado Lindemberg Alves, após o mais longo cárcere privado da história policial paulista, que perdurou por mais de 100 horas em Santo André.

A Polícia Militar publicou um boletim médico atualizado neste domingo (12) detalhando as condições do tenente, internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André. O militar permanece em estado grave, porém com quadro clínico avaliado como estável e sem episódios febris.

Na última quinta-feira (9), Pimentel passou por uma cirurgia de traqueostomia para otimizar o suporte respiratório, evoluindo sem sangramentos ou intercorrências mecânicas. A equipe médica monitora um quadro de vasoespasmo cerebral — estreitamento das artérias que irrigam o cérebro —, reação considerada comum diante da gravidade do trauma craniano. Um novo exame neurovascular está agendado para a próxima sexta-feira (17) para mensurar a resposta do fluxo sanguíneo e balizar uma possível redução gradual da sedação.

Créditos